0:00 se mais um congresso acontecendo e um congresso que vai unir duas paixões que é a psicologia e o cinema. Como que vocês acreditam que o cinema pode influenciar na nossa percepção e como o cinema pode falar sobre sofrimento psíquico? Vou pedir uma gentileza, tô vendo já aqui bom dia de vocês. É, só avisem se vocês estão me vendo e me ouvindo bem, por favor. E para que a gente possa, né, iniciar aqui o nosso evento, nosso congresso. Eu gosto sempre de dar as boas-vindas a todos vocês e saber de onde vocês estão falando. Se são profissionais da psicologia, estudantes ou estudantes de outras áreas ou porque gostam de cinema. 1:00 Porque aqui é para todas as possibilidades, né? Não é apenas para quem gosta ou quem atua ou quem estuda psicologia. Então hoje preparamos um dia de imersão para vocês com um dos principais filmes para que vocês possam explorar o sofrimento psíquico e que vocês possam compreender as estruturas, a psicopatologia através do cinema. Antes da gente iniciar, eu quero também dizer a vocês, principalmente para quem tá chegando aqui, é o primeiro evento na Conecta Psi, a gente sempre prepara uma premiação para vocês. Essa premiação é para quem interagir mais no chat e qualquer pessoa pode participar. Basta Basta estar no YouTube. Por isso a 2:00 gente faz um grande pedido para vocês. Eu sei que algumas pessoas adquiriram a modalidade completa, mas assistam ao vivo pelo YouTube para que vocês possam interagir e participar. E quem ganhar essa premiação, olha, tá muito incrível. Eu vou mostrar aqui para vocês. Que que a gente separou? Separamos o livro Lise Bourbeau Curando as cinco feridas emocionais. E a participação, o acesso ao Congresso de Psicopatologia que fala sobre psicose, neurose, delírios e alucinações. Nesse congresso tivemos participações de médicos psiquiatras e neuro E desculpa, e psicólogos trazendo as psicoses, delírios, alucinações. E tivemos a participação do nosso primeiro palestrante que também 3:02 ministrou uma palestra desse congresso. Então, interagir ao longo do congresso. Quem interagir mais, quem for mais engajado vai ganhar esse livro físico, tá? Ele é enviado pela Amazon. E o acesso ao congresso. A pessoa precisa estar presente no final do evento, porque a gente vai chamar essa pessoa pelo nome e essa pessoa precisa estar presente para ganhar esse prêmio. [limpando a garganta] Então, já temos aqui um uma forma muito importante de engajar, que vocês possam interagir cada vez mais. Então, já fica o convite. Lembrando que esse evento ele tem hora certificada e possui duas modalidades. É, deixa eu só falar brevemente aqui para quem já chegou, dar as boas-vindas a vocês. Bom dia, doutor Fábio já mandou mensagem aqui, deixa eu ver outras pessoas. 4:03 E quem tá aqui pela primeira vez? Coloca no chat, por favor. Perfeito. Temos a Tai, bom dia Tai, Isabela, bom dia, Fati, Fatinha, bom dia, bom dia Renata, bom dia Catarina. Bom dia Renata, bom dia. Nádia, Cristiane, Karina, Milene, Margarida, Isabela. Perfeito. Vamos lá, Filipe. Paulo, Suelen, Isabela. Amo assistir filmes e ficar buscando descobrir aquela mente que está planejando para os próximos passos, é aquele suspense, né? Karine, que maravilha, Rosane. Lili, bom dia, sou do Rio de Janeiro, não sou aluna nem psicóloga, mas indicada para assistir, gosto dessa área, maravilha. Por favor, participe. É, vamos lá, Vanessa fala de Brasília, 5:04 Fabrício de Goiânia, Isabela pela primeira vez aqui. Karina, gostaria que falasse do certificado também. Tá, é, eu vou pedir, eu vou inserir o grupo oficial aqui no chat, vou pedir para que vocês entrem no grupo, tá? Perfeito. Pamela, bom dia, primeira vez é Irlê, primeira vez Fatinha, bom dia, primeira vez Renata, olha, muito, muitas pessoas aqui pela primeira vez, que maravilha. Perfeito, maravilhoso. Pessoal, vamos iniciar então com um filme muito solicitado por vocês, vocês sabem qual é o primeiro filme que a gente vai trabalhar hoje? Que que vocês acham? Qual é o primeiro filme? Vocês que estão de de olho na programação, qual o primeiro filme que a gente vai trabalhar agora, pessoal? É um filme que explora muitas camadas. Exatamente, 6:08 Renata. É o Cisne Negro. Vocês acertaram. Então, teremos agora uma leitura de Cisne Negro a partir da perspectiva de um médico psiquiatra. Então, vamos receber aqui o Dr. Fábio. Seja muito bem-vindo, Dr. Fábio. Você tá mutado. >> Ah, agora. Olá, pessoal. Bom dia, tudo bem? Bom dia, Aline. Bom dia ao ao pessoal que tá assistindo pelo YouTube, assistindo pelo celular, assistindo pelo computador. Uma excelente manhã de sábado e uma tarde cheia de conteúdos pra gente aqui hoje. >> Com certeza. Vamos iniciar. Vou subir seus slides. Excelente palestra. >> Certinho. Obrigado. Pessoal, meu nome é Fábio, eu sou médico psiquiatra da cidade de Campinas, interior de São Paulo. Ah, tô aqui com o já Na verdade, meu 7:08 primeiro trabalho com o Conecta foi em abril, no primeiro congresso de psicopatologia e cinema, falando sobre o filme Fragmentado e Uma Mente Brilhante. Hoje eu vou falar sobre o Cisne Negro. Hoje quem quem já me acompanha aqui sabe que eu tô eu tô um pouquinho diferente, resolvi fazer uma modalidade diferente, resolvi me apresentar em pé, né? Peguei a ideia da minha amiga querida, psicóloga Denise Orsi, lá de Ribeirão, com quem eu fiz especialização junto e eu vi ela preparando um curso e ela até preparou a mesa igual como eu preparei aqui. Eh, vou apresentar em pé pra vocês, vão ver como que vai ser diferente hoje. E quem não não é pra quem não sabe, eu moro eu a 100 m da prefeitura e amanhã a gente tem eleição, né? Então, caso comece a ficar tumultuado o som, não liguem não, tá? É porque alguma passeata vai passar aqui em frente. [limpando a garganta] Então, pessoal, eu vou começar falando então sobre o filme Cisne Negro, vou abrir o congresso, o segundo congresso de patologia e cinema do Conecta Psi e eu vou falar um aspecto de um, de algo que a gente pode considerar do filme Cisne Negro, que é a a psicose e as 8:10 alterações da percepção. Vou falar também se esse é o diagnóstico que a gente pode aplicar para ele, na Sarah, que é a personagem da Natalie Portman, que aliás ganhou o Oscar pela sua atuação em 2011 nesse filme do do Aronofsky, né? E, e bom, a gente vai desenvolvendo isso ao longo do dos slides, tá? Vão também mandando mensagens ou ou perguntas no chat para vocês irem interagindo também, tá? Bem, a gente tem que entender que quando a gente faz esse exercício de cinema e de psicopatologia, a gente tá fazendo um um exercício mental, um exercício de hobby às vezes também, um exercício clínico, um exercício de estudo sobre aquilo que a gente vê na tela e aquilo que a gente aplica para a gente trabalhar, entender ou estudar. Entretanto, o cinema tem uma função narrativa, de entretenimento. Eles representam as imagens, as histórias representam experiências que a gente vê nas pessoas, a gente vê entre a gente, mas não necessariamente eles têm um caráter documental. Há um um cinema que 9:12 conta uma história criada, ele não cria, ele não passa uma história que realmente é daquele jeito. Ainda quando se trata de um documentário, é a visão daquele diretor, de aqui daquela pessoa sobre aquela história. Então, como ele vai contar aquilo também diz mais dele do que basicamente da história em si, tá? Então, tendo isso em em mente, né, de que a linguagem do cinema, do audiovisual, cria essa conexão nossa com o personagem, que tá representando uma pessoa, e isso tem um valor artístico, tem um valor também, [limpando a garganta] inclusive de entretenimento, pra gente ir de exercício mental, de exercício de estudo, aquilo não necessariamente é uma descrição clínica. Eu falo isso do filme Cisne Negro, porque assim, o Cisne Negro trabalha muito com a imagem, a peculiaridade, com a, que a gente considera alucinações visuais, que a gente vai falar depois, ao longo da palestra, mas a vivência psicótica de você desenvolver psicose ou uma 10:13 psicose breve, quadro esquizofrênico, que é a grande patologia da psicose na psiquiatria, não começa daquele jeito, tá? Alucinações visuais em saúde mental são raras, tá? Elas são raras e elas denotam um processo provavelmente do corpo orgânico, mais do que uma experiência psíquica, eu digo, uma experiência psicopatológica, tá? Não deixa de ser uma experiência psicopatológica, mas ela provavelmente tem uma outra causa, que eu vou explicar pra vocês ao longo do dos slides. E aí, a ideia é, como que a gente consegue transformar essa cena do cinema em uma análise, uma análise de psicopatologia? Como que a gente pega aquelas imagens e e a gente fala sobre isso, que é o que eu vou fazer hoje e os outros colegas vão fazer ao longo das apresentações, tá? Eh, então a gente vai falar da Nina Sayers, que é a personagem, ela é uma bailarina profissional, ela fez, então, provavelmente uma formação, acho que entendi que ela fez uma formação de dança, principalmente uma formação de 11:14 dança na cidade de Nova York, provavelmente ela deve ter feito o ABT, por exemplo, que é a escola que leva os alunos depois para o New York City Ballet, aonde ela está, na companhia de dança. Ela deve ter em torno aí dos seus 27, 28, 29 anos, pra poder ter adquirido uma competência técnica para chegar a ser a primeira bailarina, né, para ser a bailarina principal. Aliás, tem uma questão também com a Winona Ryder, que é a bailarina principal, mas já está velha, vai ser descartada, enlouqueceu, né, pelo filme ela surtou, né, e teve que ser substituída. Acho que isso dialoga até com nosso, nossa última questão de hoje, que é a substância, né, que a gente tinha falado também sobre essa questão do envelhecer. Então a Nina, a gente considera aí que ela teria mais ou menos essa idade, a gente vai pegando algumas, ah, ideias, né, de de como ela convive com a mãe, de como que ela se vê, sempre com aquela paleta de cores rosas e brancas, muito infantilizada, o quarto dela cheio de de objetos de criança, você entende que ela é uma mulher, mas que vive como uma 12:15 criança, inclusive com uma mãe que fica limpando o tempo inteiro o corpo dela e cuidando do corpo dela, checando partes do corpo dela para ver se tem alguma coisa errada, né? Uma mãe muito ambivalente, né, feita pela, acho que não sei se fala o nome da mãe dela, mas é, protagonizada pela Barbara Hershey. Uma mãe que de manhã dá uma toranja sem graça para ela comer e à noite quer enfiar um bolo inteiro dentro dela. Então assim, de manhã você tem que ser magra, à noite você pode engordar. Então é uma mãe que também passa uma, uma dupla mensagem, um duplo vínculo para ela, existe a a pressão profissional, existe isso não só no filme, mas existe em qualquer companhia de balé, né, e eu acho que inclusive o filme, ele retrata aquela inveja, aqueles, aqueles mimimis de bastidores das companhias de balé de maneira até meio simplificada, porque eu acho que deve ser bem pior, os conflitos familiares, a rivalidade, principalmente com a personagem, ah, esqueci o nome da, da personagem Mila Kunis, né, a Lily, né, a Lily, o Lídio, 13:18 né? É, da Mila Kunis, inclusive tem um jogo aí de cores, a Nina, a Lily tá sempre de preto, com o cabelo solto, a Nina tá sempre de branco e rosa, com cabelo preso. Eu acho os filmes de de Hollywood, eles são, vocês sabem, um pouco maniqueístas, né? Então, assim, o bem tá com uma cor, o mal tá com outra cor, mas é uma uma um jeito do cinema hollywoodiano contar histórias e fazer simbologias. Às vezes, acho um pouco simplista, mas pra gente captar bem o que tá acontecendo e rapidamente. E aí, a Nina passa a apresentar experiências alteradas corporais e sensoperceptivas. Desde o primeiro momento, já vê que ela tem a questão da especularidade, né? Quando a gente vê ela no metrô, ela tá sempre se olhando e depois essa imagem que ela vê no espelho se projeta pra outras pessoas. Ela começa a ver nas outras pessoas, ela começa a ver parte de outras pessoas como parte do próprio corpo corpo dela, o que vai dizendo aí de uma desorganização mental. E aí, o que a gente tá vendo no cinema, 14:18 nessa [limpando a garganta] tela, né, no cinema, na tela, no YouTube, o que seja, eh, e que também significa o que é ver, pra gente, o que que é perceber, o que é sentir. Bem, eu vou explicar esse conceito depois à luz da psicopatologia, mas percepção é aquilo que o personagem vê, ouve e sente, mas ele está vendo aquilo. Não necessariamente isso pode ser real. Existe uma interpretação que ele dá àquela experiência, né? Então, por exemplo, né, a primeira vez, ah, que eu vi aquela mãe oferecendo uma toranja pra ela de manhã. Falei: "Gente, mas coitada, comer uma toranja, né?" E ela viu a toranja e gostou e começou a tomar com leite. Falei: "Ai, Rosinha, que bonita". E elas riram e começaram a comer. Eu interpretei isso, por exemplo, na minha experiência, pô, mas vai comer só uma uma uma toranja e vai passar o dia inteiro treinando balé, né? Então, assim, eh, tem algumas licenças aí também, né? Ela, provavelmente, não pararia em pé se ela comesse só uma toranja de manhã, né? Mas pra gente entender que é uma mãe que controla o corpo da Nina, né? Essa é a ideia de colocar aquela aquela fruta ali 15:19 naquele pratinho. Existe o juízo de realidade envolto no, né, envolvido na personagem, ou seja, a correspondência entre aquilo que ela está vendo e sentindo e o que realmente acontece. Então, eu acho que isso é é bem interessante porque o filme joga com isso várias vezes. Então, por exemplo, quando ela vai na sala do Tomás, do Tomás, e de batom, né, tentando se passar por uma mulher, ser doutora, mas ela não consegue, depois ela morde ele, a gente não sabe se aquilo aconteceu, se ela realmente foi lá, se ela mordeu ele, se ele a seduziu, porque o filme inteiro tem questões que você entende que ele tá no meio das pessoas e ele realmente é uma pessoa totalmente cringe, né, abusiva, eh, violenta, né, assediadora. E tem momentos que você não entende se aquilo aconteceu ou não. Por exemplo, depois da da apresentação ali, da festa da apresentação da Nina como primeira bailarina, eles vão pra casa dele e ele faz perguntas extremamente invasivas pra ela, ela adquire o sexual e ela vai embora. 16:21 A gente não entende se aquilo aconteceu ou não aconteceu, né? A gente pode interpretar que a Nina delirou sobre aquilo, que na verdade ela foi embora pra casa sozinha. Assim como isso acontece depois da festinha em que ela toma, eh, uma substância lá, um alucinógeno, uma anfetamina, e ela vai pra casa achando que ela tá com a Lily e ela está sozinha. Bem, e o cinema então, como eu disse, ele tem essa função de construir uma narrativa pra nos enredar, nos nos elevar naquela naquela história, pra gente se sentir dentro do personagem e ele torna esse jogo entre o que é realidade e o que não é realidade, o que é percebido e o que não é verdadeiro, ah, uma maneira interessante da gente se colocar no personagem, pra aí de repente a gente falar, nossa, não era assim. Por exemplo, igual na cena final em que a gente acha que ela está matando a Lily e na verdade depois a gente descobre que ela tava alucinando ali. E na verdade ela se autoflagelou, ela se automutilou. O filme deixa em aberto se no final ela morre ou não. Existe uma interpretação 17:22 na época, quando eu vi o filme, de que na verdade ela não morreu, ela na verdade deixou a saúde, ela deixou a sanidade e ela migrou para um outro plano da insanidade, da loucura. Então é uma morte simbólica, vamos dizer assim, uma morte da sanidade dela, mas não necessariamente que ela tenha morrido fisicamente. Então lembrando que o fenômeno clínico ele não acontece na mesma medida da representação artística, tá? Certo, vamos lá então. Bom, e agora sensação e percepção. Vou começar agora explicando do ponto de vista psicopatológico, anatômico e de psiquiatria, né, de psicopatologia, o que é a sensação e o que é a percepção. A sensação são, quando a gente tem uma parte na, no aparelho psíquico, assim, na descrição do exame do estado mental, que é chamado senso percepção, por causa de sensação e percepção. Sensação, é que são coisas diferentes, obviamente. Eh, sensação é você 18:22 Eu diria a palavra perceber, mas não é isso, porque senão vai confundir com o outro. É você captar os estímulos externos e internos do seu corpo, tá, não da sua mente, do seu corpo e eh, e depois, que depois vão ser representados. Então é um ato neurológico, vamos dizer assim, é um ato, é um ato neural. É um ato de, de re, de fixação daquele estímulo no seu cérebro. Então é ver, ouvir, eh, sentir gosto, sentir toque, sentir seu estômago fazendo barulho, sentir sua perna eh, tremendo ou doendo, doendo, que são captações de estímulos. Isso é transformado num sinal que vai para o cérebro. Então, por exemplo, eu tenho uma cadeira aqui em frente de mim. Então eu estou vendo a cadeira, isso é uma sensação. Para eu entender se isso é cadeira ou não cadeira, de quem que é essa cadeira, de que tamanho é essa cadeira, aí é a percepção. É o segundo ponto que vai ser feito em outra área do cérebro, que eu vou explicar aqui, próximo slide, que é a organização 19:24 dessas informações da periferia para a criação de um sentido, e e essa percepção, ela está, obviamente, eh, conectada com atenção, memória, humor, as outras áreas do do aparelho psíquico, do do exame, do aparelho psíquico, e elas vão modulando a interpretação. Então, por exemplo, se eu vejo um uma criança correndo, correndo, vejo uma criança correndo, e aí eu percebo aquilo como algo agradável. Se eu estou deprimido, eu vou ver uma criança correndo e para mim aquilo é apenas uma criança correndo. Então, a percepção resulta dessa múltipla interação da sensação com o contexto psicopatológico do estado da pessoa, da patologia da pessoa e do cérebro, né? Eh, então, por exemplo, ah, alguma, por exemplo, algo que acontece muito em em esquizofrenia, percepção delirante. A pessoa vê uma, ah, tá sentada no ponto de ônibus, ela vê alguém passando com 20:26 uma bolsa vermelha. Ou seja, ela vê uma pessoa vermelha, todo mundo vê uma pessoa vermelha andando, vê uma pessoa com a bolsa vermelha andando. Mas e ó, para várias pessoas isso é um elemento casual na rua. Para aquela pessoa esquizofrênica, essa pessoa com essa bolsa vermelha específica significa um assassino. Então, a percepção dela é alterada, a percepção dela é psicótica, portanto, é uma percepção delirante. Não é a sensação, ela vai descrever, é uma pessoa com uma bolsa vermelha, mas o que significa para você? Um assassino. Então, a percepção é alterada. Eh, bem, e aí a gente vai vai falar agora, vamos falar de outros, eh, Ah, eu acho que só esse slide acho que ficou um pouquinho fora, depois eu volto a ele, né? Era era de isso, era de psicopatologia, eu volto a ele, acho que ficou fora de de lugar. E como que a gente processa no cérebro, como que o nosso cérebro processa 21:27 essas vias, por exemplo, vou falar da visão, tá? Mas aí obviamente que tem do olfato, do da audição, da sensação, da dor, tem várias, eu vou falar da visão porque é o que aparece no filme Cisne Negro, né? Alterações visuais, alucinações, ilusões, né? Eu vou explicar depois por que que às vezes a Nina tem alucinação e por que às vezes ela tem ilusão, tá? Eh, que é o próximo slide, qual que é a diferença, tá? Lembrando então que a alucinação e uma ilusão são alterações da sensopercepção, eu sempre falo para vocês, delírios são alterações do pensamento, tá? São áreas distintas do funcionamento psíquico. Bom, o cérebro então funciona por percepção de estímulos e transformação disso de um sinal químico elétrico, né, que são os neurônios, e uma interpretação disso dentro de uma máquina, de uma rede, um computador, vamos dizer assim, que é o nosso encéfalo, eh, eh, a substância cinzenta do cérebro que é a nossa, principalmente os lobos pré-frontais da frente, que é a 22:27 grande desenvolvimento do cérebro no mundo animal. Então a gente recebe as informações visuais no olho, na, eh, que se fixam na retina, que é onde tem o as os corpos celulares dos neurônios do nervo óptico, essa informação vai pelo nervo óptico, tem umas vias aí que ele decursa, né? Ele passa para lá, passa para cá ou vai no mesmo lado, mas não entramos nisso agora, no quiasma óptico, e a primeira conexão que eles fazem são com neurônios que estão no tálamo. O tálamo é a região dos da base do cérebro, importantíssima, que funciona como um relé, como se fosse um decodificador de várias informações externas e internas do corpo e repassa essas informações para outras áreas do cérebro, fazendo um sistema de controle. Tá? Controle inibitório, controle excitatório. No tálamo, somente então o nervo óptico se projeta para o núcleo geniculado lateral do tálamo, uma área específica do tálamo. E do tálamo saem neurônios, para essa 23:28 primeira conexão, saem neurônios que vão se conectar com o córtex occipital, que é massa cinzenta, né? Então o a nossa visão ela é processada na base, na atrás do cérebro, nessa região aqui, quase perto do cerebelo, como vocês estão vendo. Por isso que pancadas e traumas nessa região causam cegueira. No caso não cegueira periférica, tá? Cegueira central. Você recebe a pessoa que, por exemplo, perdeu o córtex occipital, ela ela não vê porque a imagem vem da retina, mas ela não vê porque o cérebro dela não vê, tá? E aí no córtex occipital, que é a área cortical primária, ou seja, aí vai ter um terceiro neurôniozinho, mas é a área primária no cérebro, ele conecta com as áreas associativas. Então a sensação é realizada no córtex occipital e ela é interpretada, ela é percebida nas áreas ou associativas, que são duas, tá? Então a retina recebe as a luz e transforma 24:30 ela numa num mecanismo químico elétrico, né? Eh, que é o sinal do neurônio, isso vai para o tálamo, depois vai para o córtex occipital, onde é feito o processamento inicial, processamento visual, as outras sensações são em outras áreas. E aí ele vai para as áreas associativas, que aí a gente vai entender o que que é aquela forma, como eu disse para vocês, se eu ver uma tábua, outra tábua e quatro pernas, eu vejo isso. Agora, interpretar que isso é uma cadeira, de que tamanho que essa cadeira, de que tipo que essa cadeira, é na área associativa, tá? É uma área depois. Tem, aliás, um filme muito interessante, que na verdade é um livro, um conto do do Oliver Sacks, que é do Virgil, né, que tá no livro Antropólogo de Marte, que é um rapaz eh que tem um problema no córtex, eu acho que um cisto, alguma coisa, e ele não consegue enxergar, mas por um motivo eh cerebral. E aí eles fazem uma cirurgia quando ele tem 25, 20 e alguma coisa 25:31 anos, e ele passa a ver. Só que ele nunca desenvolveu a capacidade de associar o que ele está vendo, né, porque o o olho dele é normal, o nervo óptico dele é normal. E aí ele não consegue interpretar distâncias, tamanhos. Então, quando uma pessoa se aproxima dele a 5 m, ele tem a sensação que a pessoa trombou nele, e aí ele ele ele não consegue ver formas e é isso que fica como que faz, como que é esse eh ele esse processo para ele, né? Ele passa a ver, mas ele não consegue perceber o que está vendo. Ele não sabe interpretar, porque o cérebro dele não desenvolveu essa parte. O olho dele é normal, o outro cérebro, o área primária é normal, mas a área associativa também é normal, mas ela não consegue ela não foi programada para fazer isso. E quais são essas áreas, então? Essa segunda via do processamento, essas áreas integrativas, associativas, onde a gente percebe e dá o o significado para o que a gente viu. Uma área ventral, ou seja, para baixo, ou seja, occipito-temporal, 26:32 vai do lobo occipital para o lobo temporal, e uma via dorsal, ou seja, uma via de cima, que vai do lobo occipital ao lobo parietal e, portanto, é chamada occipito-parietal. No desenho aqui tá um pouco errado, tá, gente? É na verdade a via occipito-parietal, ela é um pouco antes do sulco, tá? Então, ela tá um um aqui à esquerda, antes desse sulco principal que a gente tem no cérebro. Tá? Ele colocou para frente, mas é é é aqui para a área é associativa é é um pouco antes, ela é mais dorsal, tá? Ela é mais para trás. Então, a área ventral serve para reconhecer os objetos, então, o quê? O quê que eu estou vendo? E a área dorsal serve para a gente avaliar, nosso cérebro interpreta, é onde está, como está e as relações de orientação dessas imagens que a gente tá vendo. É óbvio que isso daí tá super integrado com outras áreas do cérebro, com outras eh mecanismos e outras redes. Nosso cérebro é uma rede, né? Ele não é simplesmente fiozinhos que 27:32 se conectam, tá? E é a partir dessa integração que a gente tem uma percepção visual coerente num processo fisiológico, num processo normal. Uh, é, voltou de novo aquele slide que fica tremendo. Vamos ver se ele volta depois. É. Ah, vamos ver se estabilizou. Porque é bem na na no no slide que a gente tava conversar sobre ilusão e e alucinação. É. Deixa eu tentar aqui. Tá travando, né, Ali? >> Tá. >> É. Deixa eu Ai, deixa eu ver aqui. Deixa eu só desfazer aqui. Deixa eu ver se eu colocar sair, aí ele volta. Acho que é isso. >> Sim. >> Agora acho que ele deu uma estabilizada, né? Tá dando uma estabilizada. É, ficou melhor. Bom, e aí a gente vai 28:33 falar das alterações da senso percepção. Vou ficar aqui, depois eu eu volto tentar apresentar. Das Isso. Das principais alterações qualitativas, então, no caso, na qualidade da nossa senso percepção, que são essas ilusões e alucinações que que são eh sintomas muito característicos dos pacientes que a gente precisa interpretar para entender que doença ele tem, né? Que patologia, de qual patologia ele está sofrendo. A ilusão eh quando a gente fala eh então o que que é ilusão que é alucinação? A alucinação quando a gente fala, é você ver, sentir, ouvir, eh enxergar, eh cheirar alguma coisa que não existe. Então, por exemplo, uma parede branca e você vê alguma coisa lá. É uma sala fechada e você ouve alguma coisa. A ilusão ela é uma interpretação distorcida de algo que existe. Então, por exemplo, se eu viro uma cadeira eh com uma jaqueta e achar que aquilo é 29:33 um urso, isso não é uma alucinação. Eu tenho um estímulo, então isso é uma ilusão. A alucinação por por eh eh diferentemente é eu olho uma parede e vejo um urso ali. Eu olho uma parede branca e vejo uma barata ali. Agora, se eu olho uma parede cheia de buracos e vejo bichos nesses buracos, isso é uma ilusão, tá? Porque existe aquele buraco para ser visto, tá? A ilusão pode acontecer em situações normais, fisiológicas. A alucinação, assim como o delírio, por definição, é uma alteração psicopatológica grave. Significa psicose, significa quebra do contato com a realidade. O motivo, a causa, a gente vai falar depois, são inúmeros na psiquiatria. Mas alucinação é anormal e patológico, ilusão pode ser normal, tá? Então, a ilusão, como está escrito aqui, é uma interpretação distorcida de um estímulo real. Lembrando, eu tô dando o exemplo do visual, até por conta do filme, mas é auditivo, é, por exemplo, você sentir eh 30:35 uma picada no dedo e parecer que seu dedo inteiro tá caindo de dor, né? Então, assim, você interpreta errado um pequeno estímulo. Agora, você tá aqui com o braço parado, você sente alguém tá puxando o seu braço, isso é uma alucinação, tá? Uma alucinação cenestopática, como eu vou falar depois. Eh, na verdade, ela é ela é cenesté, eh, cenestésica, né? A cenestopática é um pouco diferente. Então, por exemplo, a ilusão acontece nas miragens, que é uma alteração de percepção, na pareidolia, que sempre aparece no Instagram, né? Pessoas que tão vendo em situa, em em em estímulos casuais e e sem sentido, ela vê imagem e interpreta. Você olhar uma nuvem e ver um cachorro. Você olha, agora eu vi aqui essa é uma mulher que viu no concreto do chão, da calçada, a imagem de Jesus. Na, não sei, lá no glitter, eles fizeram, fizeram uma uma torrada que tem o rosto de Jesus. Isso é pareidolia, tá? Aí você ver imagens em em estímulos eh casuais, 31:37 tá? É desconexo. Digam aí para mim, eu tava lembrando disso, eh, Jesus na torrada, basicamente, né? Eh, digam para mim qual é o teste neuropsicológico no qual se baseia a pareidolia? Porque existe um grande teste neuro, eh, psicológico, né? Projetivo, no qual você vê ima, borrões, ou seja, que não são simplesmente borrões e as pessoas interpretam como imagens ali, você pontua isso e faz um diagnóstico ali, né? Qual é o nome desse desse desse teste? Mas eu falo depois. Ah, afetivas, as ilusões afetivas, então, por exemplo, sente mais dor, menos dor, vê eh alguma coisa ah maior ou menor, por exemplo, criado pelo humor, porque você está mais deprimido ou mais ansiosa, e também desatenção, né? Por exemplo, você tá lá desatento e realmente, às vezes, vê, pá, tá uma uma cadeira aqui, vê passar como se fosse uma pessoa, né? Isso é uma ilusão, tá? Eh, nenhuma dessas, eh, lembrando que mesmo sendo ilusão ou alucinação, que já é patológica, não é necessariamente um 32:38 diagnóstico, tá? Bipolar tem alucinação, alcoolista tem alucinação, idoso tem alucinação, tá? Então a gente precisa entender que doença é essa. E a alucinação então é uma experiência ah perceptiva, sensoperceptiva, alterada e patológica, onde não existe um estímulo externo correspondente. Vou falar de alguns tipos: visuais, que é aquela que a Nina tem, né? Então pense aqui comigo, quando a Nina tá atravessando ali o o corredor do do metrô e ela vê uma mulher vindo em direção a ela e ela vê o rosto dela naquela mulher, isso é uma alucinação ou uma ilusão? É uma ilusão, porque existe um rosto real ali, mas ela está vendo o dela, então não é uma alucinação. Quando ela, por exemplo, tá ali no quarto dela vendo a Lili junto com ela, isso é uma alucinação, a Lili não está ali, não existe uma pessoa ali, né? Eh, então assim, alucinações visuais, auditivas, ouvir barulhos, músicas, tem muita eh epilepsia que a pessoa tem alucinações que fica ouvindo música, mas 33:39 não é Gente, a alucinação, diferentemente das pessoas que têm TDAH, TOC, que ela fala que fica pensando uma coisa, não é um pensamento, tá? A alucinação, ela não acontece dentro da cabeça, ela acontece aqui. Isso inclusive é um uma uma pergunta ao paciente: "Onde você ouve essa voz, esse esse esse esse barulho?" É na cabeça? Às vezes é meio difícil o paciente eh diferenciar. É na cabeça ou é aqui, né? E uma uma grande eh dica que a pessoa tem de uma alucinação auditiva é a família passa no quarto, a pessoa tá lá conversando sozinha, sozinha não, tá conversando com alguém. Não é que ela tá falando sozinha, ela realmente tá conversando com alguém. E aí se a pessoa a família pergunta: "Com quem você tá conversando?" Ela fala: "Com ninguém." Obviamente, porque ela sabe que se ela falar que ela tá conversando com alguém que não está ali, a família vai chamar ele de louco. Então ele fala: "Não, não tô falando com ninguém." Mas ela tá o dia inteiro conversando com a parede, né? Alucinações táteis, olfativas e gustativas, sentir cheiros e sentir gostos. Lembrando, as alucinações olfativas olfativas e gustativas são 34:41 muito características de eh quadros orgânicos, epilepsias, intoxicações, tumores cerebrais, tá? Cenestésicas, que são sensações que o corpo dentro do corpo. O fígado tá desaparecendo, o coração tá murchando, o estômago tá trocando de lugar com os intestinos. São alucinações muito muito eh graves e muito muito de muito sofrimento pro paciente, tá? As Aí as alucinações que são eh seriam normais, tá? Eu falei que toda alucinação é normal, mas tem duas que são normais, que são as hipnagógicas e hipnopômpicas. Hipno de sono, gogos de levar a, né? Então, hipnagógica é aquela alucinação que acontece quando se está caminhando pro sono, ao adormecer. Você sente alguém puxar o braço, você sente que é só que seu corpo foi puxado, você sente alguém passar no carro, já tiveram isso? Isso é experiência normal. Você tá quase dormindo, você ouve um grito, ouve um barulho de celular, né? Eh e as hipnopômpicas, que é ao acordar. Por que 35:43 acontece isso? Porque o nosso sensório, o nosso nível de consciência tá eh desrecrutar, ele ele tá modificado, né? Tá naquela experiência ali de eh acordar ou ou ir dormir e aí acontece essa essa alucinação, tá? Mas essa essas são normais, tá? O Paulo disse aqui, né? Eh não, o a Denise disse aqui. O Paulo disse também eh é o Rorschach, né? O Rorschach é o grande teste onde a gente utiliza o o o efeito, né? O mecanismo da pareidolia pra fazer um diagnóstico psicodinâmico, né? É isso. Vai O Rorschach, literalmente, são manchas, né? Manchas simétricas, né? Num E aí é o paciente interpreta aquele, projeta e interpreta aquelas aquelas aquelas imagens, dá um significado e você vai cotando, né? Agora voltou meu slide. Mas a gente vai passar pro próximo, próximo, tá? E aí lembrando então o que que é psicose. Sempre falo pra vocês nas 36:43 outras aulas, quem quiser acompanhar também, tem os outros cursos muito interessantes do Conecta pra vocês seguirem. Que que é psicose? Que que é uma alteração psicótica? É você, é uma alteração, a psicose é uma alteração onde existe quebra do contato com a realidade, quebra do juízo da realidade e ele é manifestada na psiquiatria por delírios, que são alterações do pensamento, do conteúdo do pensamento, alucinações, que são alterações da sensopercepção, desorganização do pensamento e do comportamento, que são alterações aí da forma do pensamento, tá? E tem alguns sintomas negativos também, mas a gente não vai entrar neles porque você precisa do sintoma positivo pra depois ter o sintoma negativo, como por exemplo, anedonia, empobrecimento, tá? Ah, catatonia também é um quadro que por definição já é psicótico, tá? Uma alteração é motora e do, e da volição, então o juízo de realidade é pode estar prejudicado em algumas doenças, mas não 37:44 é necessariamente psicose, então você pode estar sobre, é, intoxicação alcoólica, né? Ou uma intoxicação por drogas, seu juízo da realidade tá prejudicado, mas você não é psicótico, né? Mas a psico, e lembrando que psicose é uma síndrome, é como febre. É, você tem e você precisa ver do que que é, da onde que é aquilo. Se você tem febre, você precisa ver da onde vem sua febre, né? Existem várias causas pra febre, assim como existem várias causas pra psicose. Psicose tá presente em vários transtornos psiquiátricos e condições médicas outras, tá? É, quando a gente fala condições médicas, tá gente? Não quer dizer que transtorno psiquiátrico não é uma condição médica. Essas condições médicas são as condições médicas outras que não transtorno psiquiátrico, tá? Por exemplo, tumor cerebral, por exemplo, em eh impulso de corticóide, tá? Eh intoxicação, intoxicação não é estar sob efeito de altas doses de corticóide, por exemplo, é uma condição médica, né? E o transtorno psiquiátrico seria aqueles ca transtornos da categoria F do 38:44 CID, né? Ou seja, as grandes doenças psiquiátricas. E como se manifesta a psicose, né? Como que ela está presente? É é algumas das hipóteses da psicose. No caso hipó é hipóteses fisiopatológicas, tá? Neurológicas, vamos dizer, neuroanatômicas, neurofuncionais e não explicações psicodinâmicas ou cognitivas, tá? Eh a psicose a gente entende hoje como uma alteração do cérebro que é programada geneticamente, isso nas grandes síndromes psiquiátricas, não entendendo aí, obviamente, as intoxicações e as doenças médicas gerais, tá? Por exemplo, tumores cerebrais. Mas a psicose, como, por exemplo, esquizofrenia, transtorno bipolar com sintomas psicóticos, a gente entende como um excesso de dopamina em algumas áreas, tá? Então, existe, por conta do efeito de um um um um um tônus aumentado da dopamina em áreas basais do cérebro, uma a uma sensibilidade aberrante, anormal a estímulos externos. Então, é como aquilo que eu falei, você vê várias pessoas 39:45 passando na rua, elas são simplesmente pessoas passando na rua. A pessoa psicótica vai ver uma pessoa passando na rua e aquela pessoa significa um assassino, alguém que vai persegui-la, algum monstro, alguma coisa. Então, essa é uma atribuição aberrante que a gente entende hoje em dia, a gente sabe que é por um tônus hiper eh hiperdopaminérgico, tá? Por isso que a gente usa antagonista dopaminérgico, antipsicótico para tratar isso. Existe também, obviamente, um controle regulatório da a das áreas pré-frontais do cérebro, de up, down, ou seja, de cima para baixo, é o córtex pré-frontal controlando as áreas basais do cérebro, pelo sistema dos neurônios glutamatérgicos, que estão, são sempre excitatórios, e os interneurônios, ou seja, um neurônio pequenininho, que fica entre um outro, gabaérgicos, ou seja, do gaba, que são sempre, eh, inibitórias. Essa, essas, esses, esses neurônios, eles regulam a função de 40:46 outras áreas do cérebro, tá? De cima para baixo, up, down, ou de baixo para cima, down, up, ou seja, de trás para frente, né? Vamos lá, essa imagem aqui do cérebro, então é isso, à frente e acima, e atrás e abaixo, tá? Então você tem regulações que vêm de cá para cá e de cá para cá. Existem as regulações de um lado para o outro do cérebro, também, obviamente, né, que cruzam o corpo caloso, tá? Cruzam, aquela parte que liga os dois, eh, hemisférios cerebrais, tá, que é o corpo caloso, que é basicamente um grande nervozão, eh, o glutamato, então, e o gaba são esses neurônios regulatórios, tá? O cérebro é feito de várias redes que vai grudando, vai ligando, mais com menos, mais com menos, mais com menos, e aí você vai fazendo circuitos, como se fosse um circuito de, de eletrônico, né, de, de computador, né? Muito mais, obviamente, muito mais refinado. Então a gente tem essas redes cerebrais que integram os sistemas, quando a gente fala aqui, por exemplo, falei daquela via, parece que é uma via só que vai, uma via que conecta, mas ela tá toda interligada com uma 41:48 outra quantidade de vias, tá? E aí eu queria falar para vocês de um mecanismo bastante interessante, que a gente considera hoje também um dos mecanismos de funcionamento da psicose, principalmente a psicose esquizofrênica, que é a descarga coro, corolária, ou cópia eferente. O nosso cérebro, ele tem um mecanismo que toda vez que ele, ele, vamos dizer, pensa em realizar um ato motor, ou ele cria um ato motor, ele faz uma descarga, ele faz uma cópia para uma outra área do cérebro entender que foi ele que deu aquela ordem. Entendendo o comportamento motor como mexer parte do corpo e também falar, né? Ou também querer olhar para lá ou para cá, porque isso é motor, falar também é movimento das cordas vocais, tá? Eh, então, quando eh você não precisa pensar para mexer, eu não estou pensando aqui para andar ou mexer meus braços, eu faço isso automaticamente, mas quando eu estou fazendo isso, meu cérebro manda mensagens para uma área motora que manda uma mensagem para minha coluna, que manda 42:48 uma mensagem para meu músculo. Quando essa primeira mensagem foi eh descarregada, do tipo, "me, manda mexer o braço", uma outra cópia passa para uma outra área do cérebro e fala: "Sou eu que estou mandando mexer o braço". Agora imagina que você tem um problema nessa nesse funcionamento e aí você tem um distúrbio da descarga corolária e não acontece esta cópia eferente, ou seja, eferente porque de saída, né? Não é de aferente, né? De aferente, é de eferente. O seu cérebro não avisa a outra parte que quem vai mexer o braço, de quem vai virar o olho, de quem vai falar é ele mesmo. O indivíduo tem a sensação de que aquele movimento foi feito à revelia dele, então ele mexe o braço, só que parece que alguém puxou o braço dele, não foi ele que mexeu o braço. Ele falou, mas não foi ele que falou, alguém fez ele falar, porque ele não lem, ele não, o cérebro dele não processou a mensagem de que aquilo veio dele mesmo. E isso é uma das explicações para os delírios de influência da psicose, tá? Não é a única, como está 43:49 dizendo aqui no slide, mas é uma delas. É um conceito muito interessante, tem vários outros conceitos, né? Processamento preditivo ou outros fundamentos do cérebro que a gente inter, a gente utiliza hoje como explicação para a psicose, tá? Eh, vulnerabilidade e sofrimento psíquico, né? Então vamos falar um pouco agora do da Nina, né? Voltando pra Nina, a gente entende que ela é uma uma uma mulher que estava sempre muito muito é é assujeitada a essa mãe, a esse sistema, depois a esse diretor completamente absurdo, né? Que tem a função narrativa ali de ser um agressor. É uma pressão profissional e competitiva, os conflitos, isso vai causando uma disrupção no comportamento dela, né? Outra coisa que eu queria já colocar aqui pra vocês é: a gente pode interpretar então do meu filme Cisne Negro não como um adoecimento psíquico, mas como duas questões. Uma que é uma mulher que vive como se fosse uma menina e ela está adquirindo a sexualidade, ela está sendo exposta à 44:51 questão sexual e aí ela se torna mulher, aquele é o o filme é a transformação dolorosa dela de menina em mulher, que não aconteceu na adolescência, aconteceu agora, tá? E uma outra coisa que eu não tinha uma outra interpretação que eu não tinha feito quando assisti o filme e assisti agora, assisti no cinema, assisti agora, é se a gente considerar que a Nina é extremamente magra, ela até emagrece no durante o o a história, 8 kg, né? É, ela não se masturba, né? A gente dá a entender que ela não sabe como fazer isso e nunca teve um orgasmo. Ela provavelmente é a gente vê que ela provoca vômito, então a gente pode ver que talvez ela tenha anorexia nervosa, né? Ela seja uma uma pessoa anorética. Então a gente crê que ela provavelmente teve a primeira menstruação em algum momento da vida, no início da adolescência e nunca mais menstruou, ela entra em amenorreia, que é uma característica da anorexia nervosa, né? O critério diagnóstico era, né? Da anorexia nervosa a amenorreia, não menstruar por mais de três meses. E aí no filme depois ela adquire a 45:52 sexualidade e ela sangra no final, a gente pode inclusive é entender como um uma alegoria da do retorno da menstruação, né? Eu fiquei pensando nisso também, né? É óbvio que ela entende que é como se ela tivesse se mutilado, mas talvez a vivência dela, né, do corpo dela. Talvez ela consiga inclusive se masturbar, na verdade, ela ela tem um orgasmo com uma alucinação da Lily, né? Mas pode entender que não seria uma alucinação. É como ela vivenciou a sexualidade e o retorno à à à função aí adulta de mulher, tá? Então são outros jogos de interpretação que a gente pode fazer também. Eu acho que o filme tem muito mais de interessante a gente interpretar assim do que basicamente de uma psicose. Por quê? A psicose ela não começa assim, tá? A psicose esquizofrênica ela começa com sintomas negativos, vários meses de isolamento, um é a a Natalie Portman faz uma personagem muito assim confusa, muito amedrontada. A pessoa psicótica ela não é confusa, ela não está confusa do que que está acontecendo. Ela no primeiro momento da psicose, ela 46:54 está confusa de que coisa está acontecendo, mas quando as coisas acontecem, aí ela passa a ter certeza. Então o paciente psicótico, ele tá em dúvida do que que o vizinho tá querendo dele, mas quando ele descobre que o vizinho quer matá-lo, ele não está em dúvida, ele não está confuso se o vizinho quer matá-lo. O vizinho quer matá-lo, né? Quando uma pessoa, por exemplo, delírio de Capgras, que os pais foram substituídos por duplos, pessoas da conhecidas foram substituídas por duplos malignos. Quando a pessoa começa a perceber que a pessoa o o o pai e a mãe estão diferentes, ela tá em dúvida, mas depois que depois que ela desenvolve o delírio, que ela fica psicótica, ela tem certeza que aquela pessoa não são mais o pai e a mãe e aí ela vai agir conforme essa ideia dela, tá? E aí como que a gente poderia diagnosticar a Nina Sayers, né? Algumas hipóteses diagnósticas, obviamente, não são certezas, porque a gente precisaria ter uma história clínica, saber como é o funcionamento prévio, mas a gente entende, né? A gente depreende aí da história, quanto tempo durou esse fenômeno, é se ela tem outras alterações 47:56 de juízo da realidade, alterações do humor. Eu acho que aquela cena onde ela foge da mãe, bate na mãe, vai lá para para a primeira apresentação, talvez seria mais verossímil de um quadro psicótico, que é aquela alteração de humor, aquela irritabilidade. Aquele outro comportamento dela muito passivo antes, não é muito característico de uma pessoa que está entrando em quadro psicótico, tá? A gente precisa ver aí questões do sono, os medicamentos, de uso de substâncias, condições médicas. São itens que que a gente investiga, né? Ela obviamente usou ali uma alucinógena, uma coisa naquela, aí ela teve uma uma experiência alucinatória muito clara, né? Provavelmente porque ela usou aquela substância. E como que vão evoluir esses sintomas, né? A gente entende aí que esses sintomas duraram aí dois meses, que foi o período aí provavelmente de ensaio da companhia, e termina ali na primeira apresentação, mas a gente não sabe o que que vai acontecer dela, né? Vai voltar à na vida normal dela? Perdeu a sanidade, né? Então o filme deixa isso em aberto, tá? E aí obviamente não pode estabelecer um diagnóstico de definitivo. 48:56 Existe um sub, um subtipo de doença psicótica chamada reação psicótica breve. Você tem um estressor muito claro, que seria mais ou menos a situação da Nina, porque foi um estressor positivo, foi chamada para assumir uma função que ela não estava preparada, talvez, ela estava semi preparada. E aí a pessoa surta, ela tem um surto psicótico, só que acontece muito rapidamente, ele é muito florido, você tem muitas alucinações auditivas e uma desorganização mental muito rápida. Então a Nina não conseguiria ficar fazendo dois meses tudo que ela fez. Ela ficaria provavelmente aquilo daquela cena lá da agressão com a mãe, ela automaticamente, rapidamente entraria naquela cena, ela ficaria várias semanas daquele jeito e obviamente aí ela romperia e precisaria de um cuidado talvez intensivo em casa ou de internação, tá? É assim que é a reação psicótica breve, tá? Então a gente tem a psicose em vários transtornos psiquiátricos, como a gente eu te falei, eu falei, né, a vocês, e também condições clínicas, então condições neurológicas, médicas. Nos transtornos psicóticos, esquizofrenias, esquizofreniformes, transtorno 49:57 delirante, transtorno esquizoafetivo. Transtorno do humor com com sintomas psicóticos, a gente tem o curso do do Conecta Psi sobre isso, que eu apresento, né, o transtorno bipolar, o transtorno depressivo psicótico. Alterações do sono, que aí podem ser normais, tá? Eh, fenômenos dissociativos, que a gente vai falar do filme Fragmentado, tá? Da Nina, ela provavelmente ela apresenta muito mais um quadro, tirando aquelas, ah, representações de alucinação, um quadro muito mais dissociativo e de esgotamento mental do que basicamente de uma psicose, tá? Mas a gente pode fazer esse esse exercício. E obviamente o uso de substâncias, né, efeito de medicamentos. Idoso costuma abusar de Buscopan, né? Se todos vocês conhecem aquele tio, aquela tia, aquele vô, aquela vó, aquela mãe que adora tomar uma caixa inteira de Buscopan em uma semana. Esse o Buscopan, a escopolamina, ela tem um efeito anticolinérgico central que em situação de abuso causa um delírio, um um estado confusional agudo, 50:58 com graves manifestações alucinatórias, tá? Então, é muito comum idozinho com dor de de de bexiga, de de de barriga, fica tomando um Buscopan a cada 3 horas, 4 horas, 3 dias depois tá no pronto socorro alucinando, tá? Extremamente confuso, com temperatura aumentada, sudorese, pele seca, temperatura aumentada, alucinando e totalmente confuso, tá? Eh, lembrando então que para o diagnóstico a gente precisa, né, de uma história para fazer a diferenciação e que a gente sempre observa primeiro o fenômeno e depois a gente faz uma interpretação clínica. Aqui a gente fez o exercício de colocar já para vocês o título, né, esquizofrenia e psicose, mas o exercício que a gente fez durante a apresentação foi como eu percebo essa psicose, esse fenômeno, a partir dessas histórias e depois como que eu reúno isso num diagnóstico, tá? Então eu gostaria que vocês pensassem, que vocês levassem desse, dessa apresentação, na, a qual a gente tá chegando no final, 52:00 na qual a gente já está chegando no final, quais cenas então sugerem essas alterações de percepção, quais seriam alucinações, quais seriam ilusões, quais seriam simplesmente distorções do sono, por exemplo, ou de uso de substância. Quais mecanismos estão participando da percepção visual, a gente conversou, né? Eh, e quais informações faltam pra gente formular uma hipótese diagnóstica. Talvez a mais crítica seja o que acontece depois, né? Como a Nina interpreta isso depois. Uma pessoa que tem uma reação psicótica breve, duas semanas, uma semana, ela sai da crise e ela diz: "Nossa, doutor, eu tava muito louco, né? Eu tava muito fora do ar, você acredita que eu achava que eu era Jesus Cristo? Eu ficava conversando sozinho". A pessoa faz uma crítica. A pessoa que vai desenvolver um quadro psicótico crônico, ela não faz crítica daquele período psicótico, tá? Então isso é um, um diferenciador aí. Então gostaria de agradecer a presença de vocês, deixar a minha rede social pra quem quiser, eh, seguir, eh, indicar 53:01 pros amigos, pra pessoas que gostem do assunto e também fazer perguntas lá, se vocês quiserem também alguma coisa que eu não pude, não vou poder responder aqui. A do Conect também pra seguir. Obrigado pra quem tá aqui pela primeira vez e uma boa, um bom sábado de estudos pra vocês. >> Muito obrigada, mais uma vez. Ah, já, já vi aqui que os slides. Eh, muitas pessoas novas, de fato, né? A gente tá com quase 100 pessoas assistindo e a gente entende, eh, e é um sábado ah, sensível, né? Então a gente entende que quem tá aqui é porque de fato quer aprender, né? Quer entender e compreender melhor. Eu acredito que o cinema ele proporciona isso, né? Eu acho que o doutor Fábio chegou até eu vi acho que para as suas redes sociais você chegou até ou indicou eu vi um post de um cineasta que faz cursos e de cinema, né? Lacan e cinema, não é? 54:04 >> Isso e eu achei sensacional também. Eu acho que o cinema >> viu? Eu indico. Ele tem ele tem o de saúde mental e cinema, filosofia e cinema, conhecendo e aí eu é alguns dos filmes que a gente já conversou aqui também no Conecta Psi eu eu fiz no curso dele também. É excelente, ele tem os cursos síncronos e os assíncronos também. >> Maravilhoso, maravilhoso. >> Muito bom cinema com teoria. >> Ó, muitos elogios aqui. Vamos seguindo com Vanusa. Vanusa que fala Vou tentar lembrar aqui Vanusa, você me corrige, tá? Vanusa acredito que ela fala de Angola. É, ela participou ontem de uma palestra. >> Vanusa, seja muito bem-vinda. Ela disse maravilhoso. Temos aqui a Vanusa. >> Obrigado, Vanusa. >> Adorei acessar esse conhecimento. >> Obrigado, Flávia. >> Roseane. Simplesmente uma abordagem incrível. >> Obrigado, Roseane. >> Aula aula maravilhosa juntando os dois mundos. 55:04 Muito bom e esclarecedor. >> Obrigado, obrigado. >> Daniel colocou doutor Fábio, vou querer perturbar o senhor mais vezes. >> Ha ha ha pode perguntar sim, né? >> Ah, muito bom. Muitas muitas mensagens aqui. Ah, eu vou separar aqui a pergunta. Deixa eu pegar aqui maravilhoso. É, obrigada por dividir conosco tanto conhecimento. O senhor é um lindo. >> Obrigado, obrigado. >> Muito obrigada, esclarecedor. Que incrível. Muito obrigada, doutor, eu adorei você e o senhor magnífico, uma excelência esplêndida, olha. Que legal. E vou pegar uma pergunta aqui da Isabela. Doutor Fábio, alterações de senso percepção na cena >> Dedo, né? Da pele do dedo, é. 56:06 >> Da pele do dedo. Foi uma alteração de esquema corporal? >> Sim, eu acho que é isso, porque a a senso percepção não é só a, como eu disse, estímulos externos, é, o mundo externo, é a relação com o seu corpo. Então, você vê que ela sente o corpo dela saindo peninhas, né, do corpo dela, o corpo dela tá, na verdade a mãe vê também, né, mas aí ela vê o corpo dela como se fosse isso, aquela pele de de galinha, né, molhada, [risadas] é, aquela sensação. Então, tem alterações senso perceptivas do corpo dela, então, uma alteração do esquema corporal, que é como esquema corporal na na psiquiatria, na psicologia, é como a gente interpreta o nosso corpo, né, onde as coisas tão e como que elas funcionam. Então, tem isso e aí ela, você vê que ela tem várias, vai acontecendo várias mutilações, né, ao longo do do do, são bem angustiantes. E eu comentei na outra palestra, na de quarta-feira, né, de de delírios, sobre, eu não falei aqui, né, por questão de tempo, mas da auto mutilação no paciente psicótico. É algo que acontece, né, é, tanto a agressividade na psicose, principalmente 57:08 em pacientes que tão alucinando, alucinando, quanto a auto mutilação. Pacientes esquizofrênicos, eles têm uma relação com o corpo muito prejudicada, eles têm, às vezes, sensação de membro fantasma, que o corpo, o braço dele não é dele, a mão dele não é dele, o dedo dele não é dele, assim como o pai e a mãe também não é o pai e a mãe, já virou um diabo, já virou uma outra pessoa, né? É, então, eles têm essas alterações de de de interpretação. No caso do membro fantasma, tem alguns pacientes que podem cometer atos eh de automutilação, mas assim, gente, não é igual o acting out, sabe? De corte, né? Eh são atos muito graves de de mutilação mesmo, tá? De decepação de mão, decepação de dedo, de Eu já tive paciente que passou maquita no pescoço, maquita no braço, eh enfiou parafusadeira, aquela parafusadeira lá, furadeira elétrica no crânio, tá? Abriu um buraco para achar o problema. Então assim, são são relações com o corpo muito muito grave, tá? Quem quiser, procura no Google, eu não 58:08 tô aqui Tem um um paciente muito conhecido aqui da região de Campinas e ele é um estudo de caso da da equipe de forense do da PUC, eh procurem no Google automutilação, canibalismo e matricídio. Matricídio, patricídio também é algo que acontece em pacientes em surto, né? Então é um paciente que chega na PUC, tá bem? Eu tô contando isso porque tá aberto também, né? Foi publicado esse caso. Contando que eh por pecar, ele cortou a [limpando a garganta] mão, isso realmente aconteceu, cortou o pênis com a mão esquerda, né? Matou a mãe e comeu a mãe, tá? Só como ele estava em surto e a mãe nunca foi encontrada, ela é dada como perdida, não houve crime, né? Então a gente nunca sabe se isso aconteceu ou não. Algumas pessoas sabem se aconteceu ou não, porque depois ele contou, mas do ponto de vista ele não foi considerado imputável, né? Estava em crise psicótica e não foi achado prova de crime, então não teve crime, tá? Mas é um caso muito grave. São raros, obviamente, ainda bem, né? Mas acontece, tá? Pacientes sobre 59:09 vivências alucinatórias, porque uma coisa é você assim, pensar que alguém tá te fazendo mal, mas você pensar que alguém tá te fazendo mal e você ouvir essa pessoa toda vez que ela passa você gritando para você: "Filha da desgraçado, vou te matar", você faz algo para tentar se defender dessa pessoa, tá? Tem várias histórias de pacientes de CAPS que cometeram atos de crime, né, de homicídio, porque ouviram alguém xingando ele, né? Então, e a pessoa vai lá e, assim, levanta e Só que, assim, diferentemente de uma pessoa que é criminosa, né, que quer fazer isso, vai para academia, né, vai vai passear, essa pessoa mata a pessoa ali no CAPS, no leito noite e ela fica sentada do lado, esperando a pessoa vir, né? Eh, então, você entende que que é uma pessoa realmente que está fora da realidade, assim como aconteceu com as irmãs Papin, né, na Alemanha na França, que mataram as duas mataram a patroa e a filha e ficaram lá deitadas na cama esperando a polícia chegar, >> É, mais elogios aqui. 1:00:10 Excelente explicação, aula maravilhosa, aula espetacular. E, para finalizar, como a gente não vai conseguir responder todas as perguntas, eu queria que você pudesse compartilhar, se possível, qual o caso eh relacionado à psicose que você já tenha atendido e que tenha sido mais desafiador na sua carreira profissional, doutor? >> Sim, sim. O de caso, você diz? Olha, tem um eh tem vários, né, mas assim, um deles é é de um paciente, como eu falei no no na apresentação sobre TOC, hoje na psiquiatria a gente tem um tipo de TOC que é psicótico, né, que é uma grande quebra do paradigma aí da da psicanálise, mas a gente tem o TOC psicótico, que a gente chama de esquizotoc, que é um paciente que tem pensamentos obses- eh obsessivos obsessivos eh ruminantes, mas de delírio. Então, esse paciente tinha um delírio de que eh erotomaníaco, que ele tinha uma relação com uma apresentadora de TV, isso acontece muito, né? E aí ele ficava indo lá no no no Projac, lembra, no 1:01:11 estúdio, toda vez ele andava a pé de Campinas de a pé, descalço, de Campinas até São Paulo no estúdio para encontrar ela, porque ela estava chamando ele. Eles iriam eh se casar e reconstruir a humanidade com os filhos dele. Ele é um profeta de Deus, ele era uma profeta, eles iam reconstruir a humanidade, é, essa humanidade seria de, é, exterminada, né? Desculpa, é, apagada e eles reconstruir a humanidade. Uma coisa bem cerebriana, né? E, e ele ficava indo lá. E ele tinha uns delírios que ele precisava ficar checando, sabe aquela brincadeira que você fica colocando o pista dentro de uma gaveta e você vai indo atrás? Ele ficava abrindo as gavetas do, da, do, da internação pra ver se ela tava lá dentro, mas não é que ela tava lá dentro, é porque ia ter uma mensagem da onde ia ter ela. Aí depois ele abria a porta porque ele dizia que ela tava escondendo lá. E ele ficava fazendo esse movimento várias vezes, como principalmente às vezes duas horas abrindo e fechando a porta porque em uma delas iria aparecer. Mas ele era um paciente delirante, né? Era um paciente delirante, assim, psicótico. Paciente muito grave, ele saía à noite e 1:02:12 na rua e ele abordava os traficantes, do tipo, eu vou te levar pra vida melhor e vou te, sem medo nenhum. E, infelizmente, esse paciente, numa, numa internação, ele tinha um delírio que ele era, é, um profeta de Deus, tinha no quarto com ele um paciente com delírio de culpa, um paciente depressivo grave, que pediu pra ele imolá-lo, né? Dizendo que ele precisaria morrer porque ele não merecia. E o paciente, como era um profeta de Deus, entendeu que era função dele, ele esmagou a cabeça do paciente numa parede. E a hora que o pessoal da enfermagem chegou, ele tava sentado do lado, todo ensanguentado, esperando. E o que que você fez? Ele assim, eu fiz o que Deus, é, me ordenou fazer, né? Então, porque é pra pessoa, ela não tem nem a capacidade de entender que aquilo foi errado, né? Ela tá dentro do sistema dela. Isso é muito grave, né? Eu conhecia a família, os pais, os pais evangélicos, muito, é, muito cor, pessoas muito corretas e, assim, ele foi pro manicômio judiciário, hoje ele tá reabilitado, né? Ele saiu, 1:03:14 né? Ele não teve, obviamente, sentença, né? Ele teve uma uma um tratamento eh eh substitutivo, né? >> Maravilha. Eh aqui eu vou finalizar com mais elogio, Dr. Fábio. Parabéns pela brilhante abordagem, agregou muito, gratidão em conhecê-lo. Eh a gente disponibiliza Desculpa, pode falar. >> É, vou só fazer uma da Liriel, vi o pessoal comentando sobre paralisia do sono. Só lembrar que, por exemplo, quando a gente fala eh eh alucinação é uma alteração da sensopercepção, isso não quer dizer que ela tá desligada do humor ou que o o delírio é uma alteração do pensamento disso que tá desligado, por exemplo, das nossas vivências sensoperceptivas. É que a gente coloca em caixinhas para poder listar no nosso exame de estado mental, mas eles tão as funções mentais tão todas interligadas. Então, a paralisia do sono é uma alteração sensoperceptiva, mas de de de lógica, assim, de causa, ela é uma alteração psicomotora, tá? Do do nosso movimento motor e da nossa 1:04:15 consciência. Você não consegue você recobra a consciência, mas não tem o controle motor. E aí, obviamente, começa a sentir as coisas ao lado e passar mal, tá? Então, é uma alteração, mas é uma alteração eh pode se acontecer normalmente. Quando ela começa a se repetir, aí você tem a doença da paralisia do sono, né? >> Maravilha. Dr. Fábio, muito obrigada. Mais uma vez. >> Até o próximo evento. Obrigada por abrilhantar o nosso congresso de maestria. Obrigada, doutor. Tchau, tchau. Vamos lá, pessoal. Dando sequência aqui ao nosso congresso. Espero que vocês estejam gostando, porque qual vai ser o nosso próximo filme? Coloquem aí no chat, porque eu quero saber se vocês estão aí por dentro da programação. A gente vai falar sobre qual filme agora? Tá bom. Tô vendo aqui fenomenal, realmente, muitos elogios. Deixa eu ver aqui. Enquanto eu falo, não é fragmentado. 1:05:18 Vou ver se vocês acertam. Vamos lá. Não, não é fragmentado. É o Coringa, pessoal. Vamos falar sobre Coringa. Coringa é um filme, principalmente o Coringa, eu esqueci o ano. É Não é o Folheado, né? É o anterior. É um filme espetacular porque ele fala sobre sociedade, ele fala sobre Ele traz muito mais do que a psicopatologia, né? Ele traz algo que Ele fala de de valores, ele fala de desse olhar do outro, né? Ele traz uma função muito importante de sociedade. 1:06:18 Quando eu olho o Coringa, eu penso em vários livros e contextos, eu penso em psicologia das massas, eu penso em quanto o coletivo ele pode se unir em prol, né? A gente pensa muito nesse lugar de quem é corrompido, de quem é humilhado, de quem, né? Coringa de 2019, exatamente. Então é um filme espetacular. É um filme espetacular e a gente tem um um palestrante também que é espetacular, né? Então vai unir aí duas junções. Então vamos vamos falar sobre Coringa, mas antes, recados importantes. Nosso evento ele conta com duas modalidades, modalidade completa e modalidade gratuita. Na modalidade completa, fiquem tranquilos, não precisa anotar código de verificação. Mas na modalidade gratuita é necessário. Ao longo do congresso, ao final de cada palestra, vai ser dito um código de 1:07:20 verificação. Agora vamos falar o código de verificação referente à palestra das 10 horas, que é ruptura 4827. Mais uma vez, código de verificação ruptura 4827. E por último, ruptura 4827. Agora vamos seguir assim com o nosso palestrante querido William. Que bom que você está aqui, querido. >> Bom dia, Aline. Tudo bem? >> Bom dia. Adorei o fundo, adorei isso. >> Ah, viu? Mudanças. >> Muito. >> Aos pouquinhos a gente vai mudando, né? Mudei de apartamento há pouco tempo. Aí estou me adaptando, já mudei o fundo já. >> Parabéns, parabéns. Vamos ver o seu slide. Obrigada pela disponibilidade, vou deixar o espaço aqui para você, tá? >> Está bem, obrigado. Bom dia, pessoal. É, estou muito feliz de estar aqui com 1:08:20 vocês. É, fiquem à vontade aí para irem comentando, perguntando. É, eu até estava acompanhando a palestra anterior, eu até fiquei um pouco preocupado, Aline, porque a proposta que eu trouxe é muito da gente pensar para além da patologia, sabe? É, e para tentar, porque o que que aconteceu, para que vocês compreendam, pessoal, me chamo William. Eu sou psicólogo, sou coordenador de um projeto social aqui no bairro Ingleses também. É, e eu sou da linha da esquizoanálise, que é uma linha mais contemporânea aí. E da psicologia social. Tenho o atendimento, eu vou trazer principalmente as duas questões aí mais que vão vão colaborar com o que eu produzi aí no slide, eu trabalhei um ano aí no hospital psiquiátrico, tá? É, eu, algum, um pouco mesmo no hospital psiquiátrico e um tempo maior num residencial terapêutico, que é, é lá no Rio Grande do Sul e trabalhei com pessoa em situação de rua um ano também. 1:09:21 É, então eu tenho uma pegada bem social, né? Então a questão que eu trago é Coringa. Quem produz o monstro? Né? Hoje nós vamos, a questão é refletir sobre o saúde mental, violência social e a fabricação do inimigo. Quem fabrica, que inimigo é esse? Então é isso aí. Bora lá. >> [limpando a garganta] >> Ah, e até eu coloquei ali, ó, pra ir, pra essa conversa a gente vai abordar Michel Foucault, Nietzsche, Deleuze e Guattari, Goffman e Achille Mbembe. Bora lá então. Pode passar aí. >> [limpando a garganta] >> Então é, a pergunta, né, que eu convido pra pra gente refletir é: como uma sociedade responde a quem sofre e não se encaixa? Né? Quem recebe cuidado, escuta e proteção e quem recebe medo, vergonha e punição? E por que que o sujeito socialmente desprezado pode virar objeto de fascínio 1:10:23 quando encarna a violência? É, na verdade, eu refleti essa palestra pra não é colocar o Coringa em jogo, mas é colocar a sociedade em jogo. Porque o que eu percebo, pessoal, já começando aí a provocar, é que o Coringa, ele não, tal, talvez ele não tivesse um início dessa história. Talvez o Arthur não se tornasse o Coringa. Talvez o Coringa, isso é uma reflexão que eu tô produzindo em vocês, tá? A palestra que eu desenvolvi é muito mais pra trazer uma provocação do que para trazer de fato respostas, porque eu acho que esse é o principal do do da ferramenta do psicólogo. Psicólogo não tem que trazer a resposta para o paciente. Psicólogo tem que ajudar o paciente a encontrar a sua própria resposta, tá? Então, eu o que eu percebo é que falar do Arthur é uma coisa, falar do Coringa é outra. É, pode passar, Aline. Então, o Arthur, né? Uma vida sem amparo. Se a 1:11:26 gente parar para olhar o filme do Coringa logo lá no início, quem era o Arthur? É, na história começa o filme começa com ele cuidando da mãe, com ele imaginando sendo um palhaço, ele brincando, ele sorrindo, ele pensando no num amor, ele tentando eh ser admirado nas ilusões dele, de ter carinho, de ter afeto, né? No entanto, também mostra a questão dele colocado num aspecto de pobreza, precariedade, trabalho instável, né? Então, eh dentro desse dessa pobreza, dessa precariedade, desse trabalho instável e ele ainda ter uma certa patologia, porque ele produz distúrbios, né? Psicoses, ele distúrbios da realidade, ele fantasia muito. Então, tem uma patologia de psicose. E e veja, né? Dentro do campo da psicose há inúmeros outros, né? Como, por exemplo, a palestra anterior estava falando da 1:12:27 própria esquizofrenia, né? Eh, mas além dele ser um homem que tem uma a sua saúde mental atribu ah comprometida devido a alguma questão mais fisiológica, ele também tem a sua saúde mental comprometida pelo contexto social, a pobreza que estava inserido, o trabalho instável, a violência social das pessoas ao redor dele. E além disso ele não tinha um amparo estatal porque ele cuidava de ele mesmo não tendo uma certa condição até de certa forma de cuidar de si só, ele também tinha que cuidar da mãe né, que vivia em um isolamento tanto ela quanto ele por mais que ele transitasse pela cidade. É, um tinha um acompanhamento em saúde mental muito precário, que infelizmente é a realidade de muitas pessoas e a realidade do Brasil, né? É, e com acesso da medicação até ameaçado, o que isso é possivelmente 1:13:28 iria, né, é causar uma crise, sem falar na humilhação pública e agressões repetidas. Pode passar ali. Então veja, é por isso que é importante às vezes a gente olha o Coringa já olhando o o Arthur como o Coringa. Mas na verdade eu percebo que se a gente for mais crítico a gente consegue ver a história do Coringa de como ele se transformou em Coringa. E isso nos cabe uma questão, será que ele era um psicopata? Ou será que ele foi conduzido a ser? E lembre-se, tá pessoal, aqui meu, eu, quem me conhece nas minhas palestras, né Aline, eu sou sempre um cara provocador, tá? Então eu não tô aqui para responder, eu tô aqui para provocar, para a gente refletir. Então, é, primeiro cuidado. Primeiro cuidado, não transformar a ficção em laudo. O filme ele não estabelece, não estabelece de forma inequívoca um diagnóstico de esquizofrenia. 1:14:30 O riso involuntário que logo no começo mostra, né, que é, Arthur, ele tinha um papelzinho escrito até inclusive que ele tinha um diagnóstico de rir sem ter controle. O riso involuntário é apresentado como uma condição específica, não é é si só sinal de esquizofrenia. Inclusive, muitas pessoas encontro na clínica que fala assim: "William, quando eu tô em um momento total de desespero, eu começo a rir". Principalmente em questões muito drásticas, inclusive falecimentos, sabe? É muito interessante, porque cada comportamento, cada pessoa tem um funcionamento. Não tô falando que é o caso dele, né? Obviamente, a gente consegue perceber que logo no início do filme, que o que ele tinha de fato um comprometimento cognitivo, né? Que ele tinha distorções da realidade, porque de fato, quando ele via, eh, isso mostra no filme, ele ele distorcia a realidade, ele misturava o que era real do que era ficção, né? Eh, as cenas imaginadas e a história de 1:15:31 trauma pedem uma leitura cuidadosa, não uma certeza clínica, por isso que eu tô falando. Então, é muito importante a nós olharmos os fatos. E eu acho que isso, sabe, pessoal? Isso é uma coisa que eu acho que todo psicólogo tem que compreender. Sabe? Eh, hoje em dia a sociedade ela tá sendo estimulada a ter um diagnóstico, um nome de algo. Qual o problema do diagnosticar direto alguém? É que quando tu fala "tu tem isso", a pessoa se define a isso para a vida toda. E às vezes, eu costumo dizer assim, ó, dentro da patologia há duas a diferença de dois aspectos. A patologia desenvolvido por um modo comportamental, por um modo, eh, cultural e a patologia desenvolvido por um modo que, eh, cognitivo. Certa vez, há muito tempo atrás, uma criança, eu não atendo criança, mas era, eu tava na faculdade até inclusive, uma criança chegou para mim com diagnóstico de TDAH por uma professora da escola. E aí, em meio à avaliação, eu falei: 1:16:32 "Tá, mas como é que é?" Daí eu fiz alguns testes, né? A gente tem que aplicar e tal. E aí eu conversando com a mãe, eu falei: "Tá, mas como é que ele é em casa?" Assim, ele, ela falou: "Ah, ele não presta atenção em nada, ele não para em nada, só no videogame". E quanto tempo ele joga por dia? Ah, umas 3 horas. E eu falei: "E ele fica parado jogando"? Sim, daí ele esquece do mundo. E eu falei: "Bom, então talvez o TDAH dele é, eles não tem se disciplinado, imagina uma criança sem regras, vivendo num contexto sem regras, digamos assim, livre, né, como é natural de toda criança". Talvez o TDAH que a professora tenha dito seja por um aspecto de que não era interessante para ele. Mas quando ele tem que ficar parado, sentado jogando no videogame, no celular, que é o que ele gostava e tinha estímulo, ele conseguia ter manter a atenção e o corpo parado naquele momento. Então de fato é uma questão para a gente questionar, o que de fato é cognitivo, o que de fato é comportamental e funcional. Eu, por exemplo, encontro muitas pessoas na 1:17:33 clínica com funcionamento semelhante ao a bipolaridade, que mas que elas não são pessoas com bipolares. Inclusive muitos receberam alta sem o uso de medicação. Então é muito, é muito complicado e cabe a nós temos uma responsabilidade muito grande, tá, de, é, é usar o DSM como um manual para compreender o funcionamento do outro. Hum, e, e, e tentar compreender a partir da raiz também, mas não só um checklist, sabe? Então isso é uma responsabilidade que a gente precisa de uma forma ética, né? Até porque diagnosticar alguém que a gente sempre pensa em usar, é, usar um diagnóstico a favor da pessoa e não a negativa da pessoa, ou seja, usar um diagnóstico quando for dar algum recurso, né, para a pessoa, mas não no sentido de, por exemplo, trancá-la numa identidade fechada em que ela nunca mais vai poder sair do, da forma. Até inclusive eu já atendi uma paciente, chegou para mim com diagnóstico de bipolaridade, atendi uma border também. 1:18:36 A bipolar, a conforme a gente foi trabalhando o comportamento e a mudança de vida dela e ela se entendendo do porquê que ela oscilava tanto, porque ela acumulava muito, enfim, e aí ela tinha aqueles picos. É, ela conseguiu modificar a vida dela de uma forma incrível. Já a paciente com border, aí de fato ela tem border, mas ela conseguiu, ela consegue com a medicação e com a terapia viver de um modo totalmente natural. É, então além de tudo isso, então, que eu tô problematizando aqui, né, pessoal, também é é a gente ir pensar não a clínica, na esquizoanálise, na psicologia social, a gente não vê o indivíduo fechado. Pega esse indivíduo e vamos analisar ele. Não. Pra nós da esquizoanálise, eu como esquizoanalista, eu posso afirmar que nós vemos o ser dentro do contexto. Então, um diagnóstico quando a gente monta e um PTS, né, o plano singular terapêutico é, a gente sempre vê a partir dentro de 1:19:38 um contexto. Então, a análise aqui ela é social, ela é ética, ela é cultural e não tanto diagnóstica, tá? Pode passar aí. 1:19:51 Pode pode Foi? Aí. Então, quando o cuidado desaparece, logo no início do filme, né, a gente vê ali o Arthur tentando, primeiro que a a profissional de saúde ali pouco ouvia ele, né, ouvia com uma certa indiferença, porque ela não via ele. Ela não via ele, ela via o diagnóstico dele, né? É, já começa por aí, então, isso também é muito importante a gente como profissional da saúde, né? É, há uma interrupção do acompanhamento que não é apenas um detalhe narrativo, ela revela a fragilidade de uma rede de proteção. E não só, né, eu acho que na verdade, é, o acompanhamento já nem estava sendo feito e aí entra a crítica de quando a gente determina algo a alguém ou quando a gente está com alguém sem de fato ouvir alguém, quando a gente olha alguém a partir de um estigma, já acabou o acompanhamento. Tu já não está mais ouvindo aquela pessoa, tu está ouvindo o diagnóstico dela. Né? Então isso é muito importante a gente como profissional, sabe? É, a saúde mental, ela exige continuidade, ela exige vínculo, é, ela 1:20:55 exige acesso, ela exige respostas a necessidades concretas. E veja, tudo isso era o que Arthur não tinha. Ele não tinha vínculo com a profissional, nem com com a pró o próprio estabelecimento, um vínculo consistente que eu digo, né? É, ele não tinha, é, não teve continuidade no tratamento da medicação, nem o básico que era o a própria medicação em si, ele não teve, nem as necessidades concretas como um trabalho, como inclusão social, enfim. Então sem cuidado, o sofrimento pode ficar ainda mais difícil de manejar, mas não há destino inevitável, mas não é, né? Não se torna um destino inevitável para a violência, né? Então o filme ele retrata um agravante. No entanto, eu vou falar, tá, pessoal? Tu pega um animal qualquer, pega um cachorro super dócil, pega uma pessoa super dócil, coloca qualquer pessoa, até vocês, num aspecto ou num ambiente que é violento, é, 1:21:55 ou vocês padecem, há pessoas que têm mais o funcionamento melancólico, ou vocês se tornam agressivos no modo de resistência. Então a própria violência é produzida socialmente. E eu vou usar como exemplo, inclusive, o momento político agora, né? Veja, a gente vive um momento político que sempre houve, em toda a vida da história do Brasil, direita e esquerda, e no mundo também. Mas nunca houve o ódio entre eles. Sempre houve a visão da diferença como um aspecto a se pensar como diferente e vence o quem é melhor, mas sempre pensando com, né? Hoje o que eu percebo é que a política ela usa, ela manipula as pessoas e as massas a partir de dois movimentos. Ou o medo de quem perde. Ou o ódio. Então é ódio e medo. Isso é muito triste ver a nossa sociedade sofrendo disso. E aí, veja, né? Todas essas pessoas que não são violentas, mas que estão se tornando violentas por um contexto de ódio político. 1:22:56 Então, será que a gente não pode se tornar também o curinga, né? Tu vê o que aconteceu com na na própria ataque, né? Eh, dentro do STF naquele momento. Né? Eh, pessoas defecando em cima de objetos, quebra de São questões para a gente pensar do quanto o ser humano ele pode tanto chegar a um raciocínio, quanto chegar a uma certa insanidade, né? Então a pergunta é: quem percebe o sofrimento antes que ele veja a crise? Será que a gente tá disposto a perceber isso como um profissional de saúde e até como cidadão? E será que a gente consegue se dar conta da gente? Eu tenho atendido muito na clínica também pessoas que estão operando, eh, a angústia, a ansiedade a partir de um medo que é prejudicial. Porque nós a gente não tem que temer o inevitável, né? O inevitável e ou aquilo que a gente não tem controle. E eu vejo que tem pessoas que que também estão com muito ódio, brigando com familiares novamente, né? E o que é muito triste, uma lástima, né? Enfim, 1:23:57 pode passar ali. Vou até dar uma apurão, porque eu entro numa questão aqui. Então, falando um pouco, trazendo um pouquinho de Foucault, né? Foucault é um filósofo francês, para quem não conhece, eu dei várias palestras já sobre ele aqui no Conecta Psi. Quem quiser depois pode chamar a Line ali, dar uma perguntadinha que daí ela manda. É bem interessante. Quem é definido como normal, né? [limpando a garganta] Então eu trago Foucault aqui, porque Foucault ele fez um livro muito grande e é uma referência que é chamada a história da loucura. É, então a sociedade ela não apenas descreve as diferenças, mas ela também cria normas para classificá-las. Isso aí está colocado aí, né? O próprio DSM, né? Então ela também, por isso que eu que eu digo assim, ó, o meu papel aqui é problematizar, entendeu? Como é que a gente pode pensar o DSM como ter um cuidado até para não usá-lo como uma forma de classificar pessoas, sabe? Então instituições, discursos e práticas distribuem lugares de normalidade e outros lugares de desvio e de perigo, 1:24:58 né? A rua, o manicômio, a exclusão, a, é, está até quem tiver mais interesse em, em pesquisar, pode pesquisar sobre, é, como é que é? Racismo ambiental. Que é uma área nova que está mostrando de que as pessoas elas são segregadas, né? Em espaços. Tanto é que tem um momento aí de privatizar até as praias, né? Praias e locais da própria natureza, né? Então, é, quando o sujeito ele é reduzido ao rótulo, sua palavra perde a credibilidade, sua experiência deixa de ser escutada. Isso é algo que Michel Foucault aborda, né? E é, o que foi que aconteceu com o Arthur. Arthur foi diagnosticado com certo transtorno, toma medicação. A profissional da saúde, infelizmente, já não vê o Arthur, vê a medicação. Está aqui a medicação, vê, vê o diagnóstico, está aqui a medicação, tome isso aí, como é que tu estás, tu está bem? Mais por um protocolo do que de fato ouvi-lo, se importar com a, 1:25:59 a vida dele mesmo, né? Pode passar. É, Aline. E isso também, Foucault também vai falar sobre a, a, a sociedade disciplinar, né, pessoal? A loucu, veja como os livros dele colam, né? Porque Foucault ele vai falar sobre a história da loucura, ele vai falar sobre relações de poder e ele vai falar sobre uma sociedade disciplinar. Então, se a gente costurar isso a um poder que cria uma definição de loucura justamente para transformar o corpo o corpo dócil. E o corpo que não é docilizado, ele vai é dado como louco e é excluído da sociedade. Então, eu trago também outro pensador que é Goffman, ele é muito importante também e ele vai trazer o estigma e a identidade reduzida. Então, ele se aprofunda muito nisso, né? É um traço percebido como diferente passa a dominar a leitura da pessoa inteira. O riso de Arthur é interpretado como uma provocação, uma ameaça ou um motivo de 1:27:00 ridicularização. O estigma organiza a distância social. É evita-se, expõe-se, ridiculariza-se ou se teme o sujeito. Então, tu vê, né? O Arthur ali, ele era um cara que conseguia levar uma vida funcional com o uso da medicação, né? É ainda dentro de um contexto desigual, de violências, né? É sociais. Até então, ele conseguia, né? Cuidar da mãe, cuidar de si dentro do possível, trabalhar, é e ainda tinha como fuga do prazer, porque ele não tinha nem mal tinha amigos, imaginar a alegria, a felicidade e a preocupação dele era fazer as pessoas sorrirem, né? Tu vê. É muito interessante, né? E e ele foi sendo cada vez mais violentado pelo estado, pela própria sociedade em si. Crianças, mulheres, é jovens, homens. Pode passar, Aline. E isso também é para nos colocar, né? Tanto nós como 1:28:02 profissionais da saúde como como cidadão também, né? Quando a gente vê alguém em situação de rua, quando a gente vem alguém com um comportamento, com uma roupa, com um cheiro, não importa o que seja, sabe, sabe, pessoal? Alguém que seja diferente. E ainda que seja até diferente na posição política. Como a gente lida, como a gente trata, como a gente se relaciona com esse ser que é tão ser quanto nós, né? Então, a violência social, a exclusão também age. Então, se aprofundando um pouquinho mais, né? A um exce, o filme mostra excesso de agressões, de humilhação, precariedade, abandono, que são experiências que se acumulam. A diferença vira alvo, a vulnerabilidade vira motivo de vergonha e o sujeito ele pode internalizar a rejeição, responder com retraimento, desespero ou raiva de modos diversos. Não é uma linha reta. A violência sofrida não determina uma violência praticada. Então, veja, eu tô problematizando aqui duas questões, mas 1:29:02 também tô salientando que não é porque o cara, eu não tô querendo justificar, tá? É, mas não é porque o cara sofre violência que isso justifica que ele faça violência, pelo amor de Deus, não me interpretem mal, né? O limite é dado, né? Qual o limite que qualquer um tem, independente de quem for, até mesmo o próprio Estado. O limite que que o Estado, que qualquer um tem é desde que ultrapasse o limite do outro. É simples assim, não tem tanto, né, é, complexidade. Tu pode, tu é livre para fazer e ser o que tu é e o que tu quiser, desde que não ultrapasse o limite do outro. É, e veja, sabe, pessoal, como eu trabalhei, eu era técnico de mais de 300 homens em situação de rua. Faziam uso de crack, cocaína, álcool, muitas pessoas, muitas, não faziam uso de substância nenhuma, tá? Que também é uma coisa que é importante a gente desmistificar isso aí. Tinham pessoas que eram abandonadas pela família, com adoecidas, é, com doença degenerativa. Tinham pessoas, é, imigrantes que não 1:30:04 conseguiram se estabelecer aqui, mas principalmente pessoas que não tiveram acesso à saúde, que não tiveram acesso à educação, que não tinham como acabar, não tinham acabado o colégio ou e assim ó, de todas as histórias que eu ouvi, tá pessoal? Todas. Eu não vi uma história de uma pessoa em situação de rua que não tenha sofrido algum tipo de violência muito grave. Não tem, não teve ninguém de uma classe alta e eu vou falar, tá? Eu encontrei pessoas que eram médicas, tinha encontrado um médico numa certa vez, um atendimento, encontrei um professor que tinha sido um professor de uma faculdade também, que tava em situação de rua, mas e porque a pessoa de classe mais alta, muitas vezes acabam parando inclusive ou por algum quadro muito depressivo grave, sabe? Ou pelo uso de substância que começa de modo recreativo 1:31:06 ou pela própria, eh, briga com a família ou quando se tem algum, tipo assim, ou é a separação, principalmente homens, a separação é a perda da identidade deles, sabe? Eu atendi muitos caras que eram violentos com a companheira e quando quando perderam a companheira, perderam a família, se perderam também. Mas voltando então um pouco. Então, eh, o que que eu quero trazer aqui? Que a gente não tem que ver a patologia, a gente tem que tentar entender o sujeito como um contexto num todo, sabe? Isso é muito importante. Pode passar, Aline. Compreender a história, né? Compreender de como como as questões foram se compondo, sabe? Então Deleuze e Guattari, agora eu trago eles, eles dizem: "O sujeito não nasce isolado". Então o que que é subjetividade, né? Subjetividade, ela não é uma identidade, a subjetividade, ela é algo que ela é produzida nas relações, produzida nas relações, nas instituições, com os 1:32:06 desejos, com os discursos e todas essas condições juntas vão transformando o ser que você é, que eu sou, que a Line é, que todos nós somos. Qualquer um de nós aqui, num contexto desfavorável, podemos nos tornarmos outra pessoa. Tem tantas pessoas aí que pregam a ética, o amor, o respeito, mas dentro de um quadro político, por exemplo, nesse momento que estamos, numa conversa calorosa, se altera, não escuta o outro, violenta o outro. É e e pode ser até nós mesmos, pessoal. Sabe? Então, o que é o que eu digo, é tipo assim, ó. Assassino todos nós temos dentro de nós. Essa é a verdade. Coloca um uma mãe com um bebê e o bebê em risco para ver se talvez ela não se transforme. Entende? É como Nietzsche vai falar. Eu e aí eu quero eu quero trazer uma reflexão para vocês assim, ó. Eu bebo de Nietzsche, tá? E Nietzsche ele come ele diz bem assim, 1:33:08 ó. A ma o maior medo do humano é perder as suas ilusões. A gente gosta de ver no outro, não gosta de ver na gente. E um outro aspecto que Nietzsche vai falar é. A civilização na nada mais é do que o modo que a sociedade tem de adestrar o animal humano. Nós somos animais, pessoal. Ninguém ninguém é santo aqui. Nós temos instintos. Próprio Jung, né, psicanalista aí, ele vai falar sobre as luzes e sombras. Então, a questão não é negar elas, é saber lidar com elas. E é se a gente pensar numa pessoa que tem uma questão é de cunho psicótico, imagina para ele é muito mais agravante isso, né? Então, não existe um eu inteiramente separado dos encontros das forças sociais que os atravessam. A pergunta deixa de ser apenas o que há de errado com Arthur e passa a incluir que relações estão sendo produzidas aqui. E tu vê, né? É, isso é um movimento 1:34:09 muito comum da sociedade contemporânea, né? Na verdade, não é, não é nem tão contemporânea. Quando se criaram os manicômios, se pegavam as pessoas e falavam: "Ele é louco, o problema é ele, ele é perigoso, vamos colocar ele, vamos ejetar ele num holocausto, né? Num depósito de pessoas ali". Era esse o movimento, né? Mas não se questionava por que que aquela pessoa adoece. É a mesma coisa que quando a gente recebe um paciente na clínica, sabe? Eu atendo muita, eu atendo muitas mulheres vítimas de violência. E, e a violência, é, muitas vezes é, é tão naturalizada, ela tá estressada, ela tá angustiada, ela tá irritada e, e por quê? É pelo próprio companheiro. Olha como é muito mais natural e a gente naturaliza. Por quê? Que nem esse tempo eu tava atendendo, ela falou pra mim: "Mas William, por que que a maioria dos homens, o marido, só pra contextualizar brevemente, o marido de uma paciente minha disse que é, queria procurar outra na rua se ela 1:35:09 não tivesse relações com ele". E ela falou: "Por que que o libido da mulher atrapalha, William"? E eu falei: "Sabe por quê? Porque antigamente o homem trabalhava, a mulher ficava em casa responsável por cuidar da casa e cuidar do marido. O que, não sei o quanto é isso era saudável ou não, né? Hoje, o homem é responsável por trabalhar e a mulher ficou responsável por cuidar da casa, cuidar do filho, cuidar do marido e trabalhar. E eu falei pra ela: "Nenhuma mulher vai dar conta de fazer isso. Porque o, o certo era que a casa é do marido também, então, era os dois serem responsáveis por cuidar da casa juntos, cuidar dos filhos juntos, cuidar da relação juntos, mas o homem ele não, normalmente, né, ele não tá, quando vê um pai levando o filho no, na escola, é, ah, meu Deus. Então, tipo assim, sabe, pessoal? É a gente sair do diagnóstico e tentar entender a conjuntura, enten, tentar entender a causa do sofrimento. E, normalmente, 1:36:09 essa causa de sofrimento está de cunho social e, muitas vezes, até com quem dorme do teu lado, tá? Pode passar ali. Então, é, tu vê, é, tu vê ali na minha cabeça, eu vou falando uma coisa e já vou e me, me perdendo para outras, né? Enfim, eu, eu vou falar um pouquinho mais rapidinho. Então, no sofrimento a figura do Coringa, né? O filme ele constrói uma passagem narrativa de Arthur sendo invisibilizado ao Coringa hiper exposto. A violência praticada por Arthur é real dentro da narrativa e exige responsabilização. Mas a transformação também mostra como uma identidade pública pode ser fabricada pela mídia, pelo espetáculo e pela reação coletiva. A questão é, o que a sociedade passa a enxergar quando o invisível se torna impossível de ignorar? Deixa eu ler de novo. O que a sociedade passa a enxergar quando o invisível se torna impossível de ignorar? É uma, eu não sei por que que eu coloquei essa reflexão. 1:37:10 >> [risadas] >> Ai, ai, eu acho que eu falei tanto outras coisas que eu, agora me perdi. Mas, é, sabe, pessoal? O que, o que eu posso dizer é que, tipo assim, é se a gente parar para olhar, o Coringa ele não precisava ter existido. O Coringa ele foi produzido, ele foi produzido por uma série de negligências, ele foi produzido por uma série de violências e é muito interessante porque o esquizo, vamos dizer, não, não tô diagnosticando aqui, mas o Arthur com as questões psicóticas, melhor, o Arthur com as questões psicóticas, ele era violentado, menosprezado, ignorado e excluído. O Arthur, o cara bom, que ria, que cuidava da mãe, que que eu tentava brincar com as crianças e nan nan nan. Já quando ele é violentado a tal ponto e a violência porque a sociedade e o o estado ignora e exclui e a sociedade debocha, maltrata e violenta ele, né? É, porque ele não é aceito. Quando ele se torna o psicopata, o violento, o 1:38:12 agressivo, que ele e que ele na verdade ele passa a a pertencer à sociedade, se tornando esse cruel e esse psicopata, a sociedade passa a admirá-lo, a usá-lo como símbolo, a gritar o nome dele, a respeitá-lo e até até um certo gostinho. É muito interessante, né? Porque a série Trem em Bé e há um gosto pela psicopatia, né? Todo mundo gosta de ver filmes ou tem uma certa curiosidade, mas por que que atrai tanto a gente a psicopatia? Sabe? Por que que esses casos nos chamam? Porque isso mostra também, denuncia um lado nosso que a gente sente animalesco e a gente também negligencia. Então é interessante a gente se colocar nesses locais também, sabe? De reflexão. E tem vários livros, Hannah Arendt, quando ela fala da banalidade do mal, que é uma filósofa judia, que estudou sobre o o o nazismo na época, ela vai abordar do quanto o ser humano ali pode ser mal. Tem um outro psiquiatra que eu 1:39:12 não vou lembrar qual o nome dele, mas que ele criou um livro chamado O Efeito Lúcifer, que ele vai dizer a capacidade do ser humano de se tornar cruel. É muito interessante também. Tem o presídio de Stanford, alguma coisa assim, que foi um experimento, enfim, tantas outras questões que a gente consegue ver o ser humano se tornar. E eu vou te falar, sabe? Eu na quando eu trabalhei com pessoas em situação de rua, eu atendia a homens que inclusive tinham cometido diversos homicídios. E e é muito interessante porque eu percebo que o ser humano ele é tipo, ele é exatamente como um animal, tá? Ele consegue ser violento, ele consegue, é como um pitbull. O pitbull com o dono ele é brincalhão, amoroso, mas se cai um gatinho ali perto ele destrincha O gato ele é, ele é na dele, mas se ele pega um passarinho ele mata, né? Então eu vejo que o ser humano ele também tem essa capacidade, sabe? Inclusive se vocês quiserem, tem até uma série, um documentário 1:40:13 que é A Ira de um Anjo, é uma história de uma menininha de 9 anos, eu acho, 9, 7 anos, que ela é, ela tem, ela desenvolve, ela desenvolve, né? A uma psicopatia assim, justamente pelos maltratos e abusos, então é um, é um pouco sobre isso para a gente refletir, né? Pode passar ali. Hã, então Nietzsche ele vai falar sobre ressentimento, crueldade e moral. Ni, inclusive aí Nietzsche, também ele vai dizer bem assim, ó, ele vai dizer "A crueldade é um dos prazeres mais antigos do homem". É, olha que interessante, a crueldade é um dos prazeres mais antigos do homem. É, Nietzsche ele ajuda a interrogar como a hostilidade pode se acumular quando a pessoa se sente impotente e humilhada. O ressentimento ele não explica toda a violência, nem autoriza a diagnosticar Arthur. É uma lente filosófica para pensar afetos e valores, né? É, então também encaminha a perguntar como uma sociedade condena publicamente a crueldade enquanto consomem imagens de 1:41:16 punição e vingança. É muito sobre isso, né? É, todo mundo fala que é horrível o que o alguém faz, "Ah, matou, ai, que absurdo", mas ao mesmo tempo há um movimento de "Vamos ser pena de morte, é, vamos saber sobre o psicopata". Todos nós, pessoal, dentro de nós há essas forças ambíguas, sabe? Entre o pavor e o medo e entre um certo, uma certa curiosidade e desejo. Pode passar, Lin. Então a sociedade que rejeita e depois admira, né? Que foi o que eu falei. Arthur, ele é ridicularizado quando aparece vulnerável, no entanto, quando ele se torna o Coringa, ele vira símbolo, quando a sua violência ganha palco. A figura violenta pode funcionar como fantasia do revanche, de revanche contra instituições percebidas como injustas. A admiração não é universal. O filme ele encerra uma identificação coletiva ambígua e perigosa. A provocação que eu trago é: a sociedade 1:42:18 rejeita a dor, mas pode transformar a vingança em entretenimento. É muito, eu, eu, por isso que eu digo, tipo assim, ó, o filme do Coringa é para a gente refletir muito sobre o que é ser humano, né? Tem um livro que Nietzsche escreveu sobre "Humano, demasiado humano", que ele vai trazer essas questões, né? "Para além do bem e do mal", ele também traz. Então, o que é ser humano e como nós estamos nos tornando humano, como nós estamos vivendo em sociedade e como nós olhamos e nos, nos relacionamos com a diferença, né? E será que nós não estamos produzindo Coringas? Esse discurso de ódio, né? Também, se a gente parar para pegar no nosso cotidiano mesmo. É, o quanto, como a gente consegue lidar com esse discurso de ódio hoje, de não, não reproduzir esse discurso de ódio, não ser afetado por ele, nem vítima dele, porque a gente não merece isso, mas a gente também não reproduzir ele. Então, veja, será que nós não nos tornaríamos Coringas? Ou será que nós já 1:43:19 não estamos nos tornando Coringas também? Ou será que nós não seríamos aqueles, aqueles cujo a gente olha e diz: "Ai, que absurdo, o Coringa lá", mas a gente não estaria com a plaquinha dizendo: "Coringa, isso aí". Não sei, pessoal. Não sei. Pode passar, Aline. Então veja, né? Eu transformei o filme do Coringa numa questão extremamente existencial, né? E social, enfim. Então eu trago o Mbembe, né? Que ele é um pensador que ele vai falar sobre a necropolítica, que é a política da morte. Quem é deixado para trás? Achille Mbembe amplia a reflexão sobre poderes, exposição à morte e vidas tratadas como descartáveis. No livro a necropolítica, o poder aparece também na distribuição desigual de proteção e vulnerabilidade. A aplicação crítica que eu trago é: quem é protegido por instituições e quem é abandonado à precariedade, à violência e aos riscos? Sabe? Eu vi muita pessoa em situação de 1:44:19 rua. E pessoas maravilhosas, sabe? Pessoas fabulosas, pessoas com potencial incrível de vida, de resistência também. E eu fico pensando: será que elas seriam quem elas foram se elas tiverem as se elas tivessem tido acesso a outras coisas? Sabe? Inclusive nesse livro aí, Achille Mbembe ele vai dizer que eh a sociedade precisa o capital a sociedade capitalista precisa de pessoas na miséria. Não é uma escolha. Ela precisa construir quem tiver interesse, leia esse livro, ele é fabuloso para a gente pensar a sociedade. Até inclusive seria muito bacana, sabe? Ali no dia a gente fazer uma palestra só sobre esse tema: necropolítica, que é fenomenal. E eu acho que é muito importante, sabe? Porque daí a gente entende que na verdade a pessoa em situação de rua, a pessoa da miséria, ela é importante para servir como um exemplo do que tu podes ser se tu não se adequar à sociedade. 1:45:22 Então ele faz é um pensador que ele faz uma uma reflexão muito pesada, muito potente, mas muito verdadeira também. E é um pouco sobre isso, sabe, pessoal? Pode passar, Aline. Eu não, já estou dando o meu tempo aqui, eu vou passar bem, mais rapidinho. O ódio antissocial é socialmente produzido e também é uma escolha. Então, discursos de desprezos podem normalizar e, e des, a desumanização de certos grupos. É o que a gente está vivendo, né, pessoal? É, a humilhação ela pode gerar raiva, mas não determina o que alguém fará com ela. A sociedade pode denunciar a violência e ao mesmo tempo premiá-la com atenção, audiência e idolatria. Compreender condições sociais não elimina responsabilidade individual, nem o direito das vítimas à proteção. Então, veja, né? É, eu acho que o Coringa, ele é muito, ele é um, muito atual. E não só para falar do, das pessoas com quadros psicóticos, né? Mas para falar 1:46:23 das pessoas, de nós. É, é, eu acho que o Coringa, ele aponta para que caminho talvez nós estamos indo. Ele aponta para a forma como nós lidamos com as diferenças. Ele aponta sobre o nosso senso de respeito às diferenças, de ser cidadão, de, de, do que que a gente está de fato tendo como bandeira, né? É, se é, se são pessoas ou ídolos, e aí, independente de qual partido ou se são valores ou se é o próprio Brasil, né? Aí, é desculpa, mas eu vou, vou entrar numa questão, é, que não, não deveria falar aqui, mas vou pontuar. Por exemplo, os próprios debates, né? Sabe, eu pessoalmente, pessoal, é, eu fico tão triste de ver duas pessoas representando um Brasil, mas não tem, aquilo ali não é o debate sobre o Brasil, é debate sobre eles. E eu fiquei, eu fico tão triste porque, mas na verdade, eles só estão lá porque nós colocamos. Então, eu fico triste por não ter, não não foi falado do Brasil 1:47:24 lá. Não foi falado da vida da sociedade, sabe? E E e é muito triste pensar nesse aspecto, sabe? Mas enfim, é só uma uma uma reflexão que eu trago, né? Não vamos entrar nesse debate assim, vou passar ali. É, fechamento então, né? Que sociedade estamos produzindo e eu até acrescentaria mais uma, que pessoa estamos nos tornando, né? E vocês vejam, é os pacientes meus que estão vindo na clínica com mais ódio, com mais raiva, mais estressados também, ou com medo, ou ansiosos, tudo isso é deles ou é produzido socialmente? Então, vocês conseguem perceber o quanto a sociedade de fato ela interfere na nossa composição como sujeito, né? Então, quem dirá o Arthur, né? Que era um cara que já tinha uma questão cognitiva, isso é fato, mostra ali, né? Como também sem amparo e e dentro das violações como a sociedade mesmo criou o 1:48:27 Coringa, a sociedade violentou e fez nascer o Coringa, a sociedade mesmo menospreza e quer ver o Coringa morto e ao mesmo tempo que a sociedade que quer ver o Coringa morto, ela também é a que idolatra ele. Então, olha que que loucura, né? Então, não perguntar apenas como o Arthur se tornou o Coringa, mas também que mundo tornou o seu sofrimento invisível e a sua violência espetacular. Defender acesso contínuo à saúde mental, dignidade, inclusão, políticas públicas não é ingenuidade, é prevenção, é justiça, é falar sobre a vida do outro, é falar sobre a tua vida, porque nós não somos interligados, nós somos nós somos pequenas partes de um único ecossistema. Nós somos células de um corpo maior, esse corpo maior é o planeta Terra, né? Então, eu acho que a gente não é separado do outro, né? Eu Eu costumo Se vocês me perguntarem assim para mim: "William, na opinião Na tua opinião, qual é a maior mazela da sua da da do 1:49:29 mundo?" Eu diria que é a desigualdade social. Eu acho que a Pela experiência de vida, tá, pessoal? Como profissional, que que eu vivi, eu mesmo sou um cara que eu cresci em periferia, tá? Com muito orgulho, porque isso faz quem eu sou hoje. Eh E eu percebo que, tipo assim, eh a desigualdade social é o que cria o senso de ser superior e inferior, a violência, eh a exclusão, o a ansiedade, o egoísmo. Então, não romantizar o agressor, não desumanizar quem sofre. A pergunta final que eu quero trazer aqui é: Queremos reconhecer o sofrimento antes da tragédia ou só olhar quando ele vira espetáculo? É isso, pessoal. Eh Pode passar, Aline. Espero, pessoal. Ah, eh eh Era o último, né? Então, eh espero ter trazido, sabe, pessoal? Acho que eu trouxe uma proposta 1:50:29 um pouquinho diferente. Não sei se era o que vocês esperavam, mas eh espero que tenha contemplado vocês aí. É isso. >> Muito bom, muito bom, porque, realmente, o filme ele gera muita reflexão e apesar da gente ter colocado, né, especificamente esse congresso, né, de psicopatologia, a visão do do William é importante para que a gente possa entender o indivíduo para além da sua patologia, né? Eu acho que o filme Coringa, ele precisa falar do social. Eh A gente vai ter, ao longo do congresso, vários filmes que vai trazer o transtorno, vai trazer a a patologia muito presente, mas a o Coringa, ele fala muito desse social. Claro que ele tem, né? Ele inicia eu só, é, o, o filme, a gente sabe que ele tem, né? Sobre o riso, que a gente pode muito bem entender esse riso sobre várias analogias, mas essa ideia do diferente, né? É, inclusive, tem uma 1:51:31 cena, não sei se você chegou a, a, a ver esse filme, William, mas tem uma cena do ônibus que ele começa a rir, tem uma criança e essa mãe, né? É, chega e faz uma intervenção como se ele fosse uma pessoa que pudesse causar algum mal. Então, a gente também pode pensar esse filme em relação às diferenças, né? Quem é diferente na sociedade é visto como o louco, o diferente, o excluído. Então, eu acho que fala muito desse lugar da patologia e da exclusão. Quem tem patologia precisa ficar fora. Você não faz parte, né? Você não tá nesse nosso território. Então, eu acho que o Coringa, ele traz muito esse lugar de reflexão e, principalmente, quando a gente, é, pensa na questão de saúde mental, é, de possibilidade de 1:52:31 apoio. Quando a gente fala em políticas públicas no sentido, é, que ele tá ali precisando de ajuda médica e lhe é negado, porque encerrou ali, é, não tinha mais o processo terapêutico, ele não tinha mais como conseguir o remédio dele. Então, eu acho que é uma crítica social, é, e é importante que a gente fale sobre isso. E lembrando, né? Esse congresso, ele não tem nenhuma é, é linha partidária que a gente tá trazendo sobre políticas públicas, o social e como essa patologia pode, é, trazer essa percepção do outro. Muitos elogios aqui, tá? Então, é, a Ili, vou chamar você de Ili, né? Como seres sociais, precisamos dessa reflexão, né? A Lilian colocou: "Isso me faz questionar o que exatamente é uma normalidade. O que é normal é o patológico, né?" >> Boa. >> Aqui, 1:53:31 é, como eu disse desde o início, o Coringa é aquilo que há em todos nós. A loucura é simplesmente uma invenção da sociedade. Ó, >> Boa, Daniel. Boa. É, é, Foucault vai falar sobre isso. Tanto é que a loucura, pô, se tu parar para ver o, que que é o DSM, né? O DSM é uma, é, ele é, é, ele é uma escritura que vai se colocando a mais, vai se tirando, né? O que hoje, o que é loucura, o que é perversão, vai mudando. Tinha o travestismo, que era uma patologia, hoje a gente compreende e a gente tem que respeitar que é uma mulher trans, né? Tinha o, a, o homossexualismo como uma patologia de perversão, hoje a gente compreende que é uma orientação sexual. Então, né? Então, é, refletir, eu acho que isso que é importante, sabe, pessoal? A gente, principalmente como profissional da saúde, a gente não pode ficar refém. É, usar ele como uma, eu acho que ele é 1:54:33 importante, a gente não pode negar ele, porque ele também dá acesso a muitos direitos, mas aí é que entra a questão. É como a faca, sabe, pessoal? A faca ela pode partir o pão para a gente dividir, como ela pode também ferir a carne. Então, a questão não é ir contra o diagnóstico, não é isso, mas saibamos fazer uso bem dessas ferramentas, sabe? Né? >> Exato. Exato. É, tão pedindo uma análise sobre o conto de Aia. A gente pode fazer, né? Acho que é um um um uma boa série, né? Para para trazer essa percepção. Então, Denise, a gente vai deixar, de repente, como uma sugestão para o William, né? Eh, mas é muito importante também. É uma série incrível. >> Eu não me recordo você Eu estou acredito que não não >> O conto de Aia, eh, fala sobre Depois eu te passo, mas fala sobre mulheres que são capturadas e utilizadas para 1:55:34 Pessoal, vou falar sobre super raso, hein? Quem quem entender melhor me me corrige, mas ela elas são utilizadas para procriar. >> Hum. >> Famílias e mulheres que não podem mais ter filhos, elas são capturadas e utilizadas como conservas, né? Eh, de de uma população. Então, é é muito nesse lugar aqui. >> Sim. >> Ah, mas é bem interessante, hein? >> Aham. >> Vamos lá. Eh, tá. William, fiquei pensando quanto a pergunta me trouxe uma reflexão profunda sobre a percepção social, crise e o despertar da consciência coletiva. >> É que que que linda a parte que ela falou despertar da consciência coletiva. Que lindo. Linda. Mas mas o que que Eu não entendi o que que ela quis dizer. Ela ou ele, eu não não compreendo. >> Fiquei me trouxe uma reflexão profunda sobre percepção social. >> Eu acho que é uma afirmação, né? Não acho que não é uma pergunta. 1:56:35 >> Exato. Exato. >> Bonito. Despertar da consciência coletiva. Eu acho que é sobre isso, né? >> Meu Deus, como estou amando esse evento. Muito obrigada, professor William. >> Capaz, Denise. >> estar acompanhando. >> É. E quem quiser, pessoal, ver ver mais as minhas problematizações aí, que eu gosto de problematizar, me acompanhem no Instagram que a gente pode ir trocando, volta e meia, de vez em quando eu dou uma aparecida ali. >> Uhum. Deixa eu ver aqui, tem muitos relatos. Ah, tá, temos aqui a Flávia. "O invisível pode ser também aqueles que a sociedade tenta ignorar, fingir que não existe, mas chega num ponto que precisamos reconhecer que fazem parte da sociedade". >> Uhum. É verdade, é, Flávia. >> Perfeito, é. >> É. Não, é e é isso, né? Eu acho que a a sociedade é é ela exclui e aí como é que eles vão pertencer, né? Como eles pertencem? 1:57:36 >> Sim, sim, total. >> A a É, enfim. Eu ia problematizar mais, mas deixa quieto, não quero problematizar tanto. >> [risadas] >> É. Tá, verdade, muita gente vive de aparência, fala bonito, eloquente, tá, tá. Vamos lá. É. É, aqui gerou muitas reflexões, né? Muitas reflexões. Ah, tem uma pessoa aqui que perguntou, é, dicas de livros para esquizoanálise. É, o Junguiano que tá aqui assistindo, mas ele também queria compreender um pouquinho melhor sobre a esquizo. Se você puder indicar algumas, né? >> Que bacana. Muito bom. Deixa eu ver um aqui, tá, eu vou falar assim, ó, tem a esquizo, ela é muito difícil, tá, pessoal? Muito difícil a leitura direta, só para que vocês compreendam, Deleuze e Guattari foi o fundador com o livro, é, 1:58:39 do com o Anti-Édipo, tá? E depois eles fizeram Mil Platôs, mas é uma leitura bem densa, bem difícil. Eu sugeriria que começasse por e tem esse livro aqui que eu fiz o minha pós-graduação, por exemplo, é, Gregório Baremblitt, ele é até um cara, é, da América Latina aqui, eu não me recordo a nacionalidade dele. Mas, é, eu acho que ele era argentino ou uruguaio, não me recordo. Mas eu, eu, eu fiz uma pós-graduação, inclusive com eles, esse livro aqui é muito bom, tá? É, Gregório Baremblitt, Introdução à Esquizoanálise, e ele traz uma, uma versão mais latina, então também vem cheio, vem com riqueza. Esse aqui também é muito bom para quem quer começar, que é Pistas do Método Cartográfico, tá? Ele é Pesquisas de Intervenção e Produção de Subjetividade. Do Eduardo Passos, Virgínia Castrup, Liliana da Escócia. E assim, eu gostei, 1:59:39 eu acho que é interessante vocês procurarem introduções da Esquizoanálise, principalmente a, referência América Latina e Brasil, porque daí esses pensadores vão trazer o nosso contexto social para dentro. Tem um, item, eu tenho da Suely Rolnik também, que ela é psicanalista, então talvez para os psicanalistas ele vai gostar, que é Cartografia Sentimental, mas ela faz de uma forma, ela conta uma história, é muito bonito, a a Suely Rolnik, ela conta uma história e ela vai transformando a história, explicando a Esquizoanálise, é bem interessante. E tem um outro que eu gostaria de falar, que é o do que é do, Domenico Hur, nossa, ele é um cara fabuloso também, eu tenho muita admiração por ele. Que é esse, que é, [limpando a garganta] esse aqui, Psicologia Política e Esquizoanálise. E o Domenico Hur, é muito bom também. Será que essas indicações, hahaha, pediu uma, trouxe várias, é, hahaha. >> Muito, muito, muito. É, sugiro o livro 2:00:40 Mito do Normal, de Gabor Maté, Maté. >> Hum. >> Beleza. >> Esse eu não conheço. >> Ah, uma troca aqui de de eh de opções. Fiz um projeto de faculdade sobre cartografia, gostei muito. Denise. >> É muito bom. A a cartografia eu sou suspeito. A cartografia é o nosso método de fazer a clínica, né? Pessoal para a esquizoanálise a gente usa justamente o que a gente chama de cartografia, que é cartografar o sujeito, as linhas de desejo dele e o contexto social. É muito interessante, assim. Uma hora a gente tem que fazer, né? Sobre a cartografia. >> Exatamente, exatamente. E a gente deixou disponibilizou as redes sociais do William que fala da esquizoanálise nas redes sociais. Então, para quem quiser conhecer um pouquinho melhor Você com esse chimarrão, hein? Nesse sábado, olha. >> Ai, é bom, né? Não, eu pensei, bah, vou fazer um chimarrãozinho de manhã, tem outra pegada também, né? 2:01:41 >> Maravilha. Muito obrigada pela sua palestra, disponibilidade, por estar aqui conosco nesse dia, nesse congresso, tá? Muito obrigada. >> Obrigado, Aline. Obrigado pela parceria. Tchau, pessoal. >> Igualmente, igualmente. Tchau, tchau. >> Até mais. >> E pessoal, dando sequência a esse congresso, né? Congresso para falar sobre cinema. Então, terminamos aqui a palestra falando sobre o filme Coringa. Quero agradecer a todos pela interação e troca, tá? Vocês são incríveis, engajados e quero só lembrar vocês de duas coisas importantes. Uma delas é que a gente tem premiação, pessoal. Todo sábado a gente tem uma premiação nos nossos congressos. Hoje não seria diferente. Separamos para vocês o livro da Liz Bourdeau que fala sobre cura. Cura de feridas emocionais. E por quê? 2:02:43 Porque quando a gente fala sobre psicopatologia, cinema, a gente também traz o sofrimento psíquico. Como que essa ferida ela é construída? E também vamos oferecer acesso ao congresso de psicopatologia que a gente elaborou trazendo a ênfase às psicoses, neuroses, delírios e alucinações. Interessante desse congresso é que a gente conseguiu reunir psiquiatras e psicólogos. Então, vocês vão observar que tem a visão da psiquiatria e a visão da eh, psicologia. E algumas pessoas me enviaram mensagem, eh, dizendo assim: "Tá, mas eu posso acessar esse congresso se eu não ganhar?" Sim, tá? Eu, no final do congresso, eu vou enviar o link desse congresso. Eh, você vai ter e-book, conteúdo complementar, certificado, tudo certinho, mas teremos uma premiação e essa premiação vale o acesso ao congresso e ao livro. O livro ele chega 2:03:45 para vocês pela Amazon de forma física e o congresso ele vai chegar com acesso ao seu e-mail. Pessoal, antes da gente seguir, né, para o nosso intervalo, que é importante, vocês precisam descansar, né, pegar um pouquinho de fôlego, eu quero fazer um convite para que vocês retornem às 13 horas. Por quê? Porque às 13 horas iremos seguir com o nosso congresso e eu vou palestrar para vocês. Vamos falar sobre Fragmentado, que é um filme de 2016, que é muito intenso, é um filme que fala sobre trauma, fala sobre múltiplas identidades e fala sobre transtorno dissociativo, né? Eu sei que muitas pessoas colocaram no chat que querem conhecer e analisar esse filme então eu vou estar com vocês falando sobre 2:04:45 fragmentado então por favor 13 horas em ponto eu quero que vocês voltem aqui para a gente fazer essa análise em conjunto tudo bem e agora vamos para o código de verificação código de verificação da nossa segunda palestra do dia expressão 6153 mais uma vez código de verificação expressão 6153 e por último expressão 6153 pessoal por favor não coloquem o código de verificação no chat tá por que porque é importante para que a gente possa construir esse formulário e para também analisar as pessoas que estão presentes tá esse código ele serve para modalidade gratuita tá Liri para quem tá na modalidade completa não 2:05:47 precisa anotar código tá e o certificado ele fica disponível após o término do congresso tá bem então mais uma vez muito obrigada se poderia fazer uma aula sobre Billy Milligan vamos falar sobre Billy Milligan tá na palestra mas pode deixar que aí a sugestão e deixa eu só fechar aqui até breve pessoal até daqui a pouco 2:08:29 >> Oi. 2:10:24 >> Oi. 2:12:19 >> É. 2:14:14 >> Uhum. 2:16:09 >> É. 2:18:04 >> É. 2:19:59 >> É. 2:21:54 >> É. 2:23:49 >> Uhum. 2:25:44 >> É. 2:27:39 >> Oi. 2:29:34 >> Oi. 2:31:29 >> É. 2:33:24 >> Uhum. 2:35:19 >> É. 2:37:14 >> É. 2:39:09 >> Uhum. 2:41:04 >> Oi. 2:42:59 >> Uhum. 2:44:54 >> Uhum. 2:46:49 >> Uhum. 2:48:44 >> É. 2:50:39 >> Uhum. 2:52:34 >> É. 2:54:29 >> Uhum. 2:56:24 >> Oi. 2:58:19 >> Oi. 3:00:12 >> Peraí, tava no mudo. Agora sim. E aí, pessoal? Vamos retornar ao nosso congresso. Espero que vocês tenham conseguido descansar, beber água, né? Comer algo pra gente dar a sequência. Deixei já a foto do banner da apresentação pra já criar esse clima do que a gente vai falar agora, que é sobre o filme Fragmentado. Antes da gente iniciar, quero dar alguns recados importantes pra vocês. Estamos na nossa terceira palestra. Ainda faltam mais duas incríveis pra contemplar esse congresso. E eu gostaria muito de conhecer melhor vocês. Então, por favor, coloquem no chat quem está aqui pela primeira vez. Primeiro evento na Conecta Psi? Me contem no chat e de onde vocês estão falando. 3:01:15 Daniel está aqui novamente. Que bom, Daniel. Maravilha. Lembrando que estamos contabilizando a participação de vocês para a premiação que vai acontecer no final do congresso, que é o livro e o acesso ao congresso de psicopatologia. Então, temos pessoas falando do Pará. Maravilha. Feliz em ver de Canaã dos Carajás, Pará. Maravilha. Muito obrigada pela confiança. Então, vamos dar sequência. Vamos dar sequência ao nosso congresso falando sobre Fragmentado. Temos aqui a Letícia falando de primeira vez de Brasília. Maravilha. Muito bom. Eu também fico muito feliz com a participação de vocês. Já vou deixar aqui o slide à mostra para seguir com vocês falando sobre 3:02:15 Fragmentado. Fragmentado é um filme de 2016. Eu lembro muito bem que foi um filme que eu assisti no cinema e me chamou muito atenção esse filme que é uma mistura de suspense e terror, mas principalmente que traz o adoecimento psíquico, o trauma e o transtorno de personalidade dissociativa. Pouco conhecido e algo que ainda gera muita controvérsia. O objetivo da palestra é falar sobre o filme, trazer aspectos. Então, vai ter spoiler para quem não assistiu, por favor, eu já peço desculpas, mas que a gente consiga avaliar o sofrimento psíquico, entendendo um pouco melhor os aspectos da psicopatologia. Então o nosso filme é Fragmentado, transtorno dissociativo de identidade, desculpa, 3:03:18 identidade. Dissociação, identidade e representação do transtorno além do cinema. Antes da gente iniciar, como tem pessoas novas aqui, eu vou me apresentar. Geralmente eu não faço isso. Mas, quem sou eu? É, me chamo Aline Victor Lima. Sou psicóloga clínica, tenho especialização em terapia cognitivo-comportamental pela PUC. Sou pesquisadora desde 2024, já trabalhei em núcleos como coordenadora e desde o início desse ano eu fundei a Conecta Psi juntamente com a minha sócia Elizabeth Campos. Eu idealizei esse projeto por quê? Gosto muito de palestrar, mas principalmente eu gosto dessa conexão e da possibilidade de ampliar conhecimento. Então, é muito importante quando a gente tem uma conexão de engajamento com o público e também com os palestrantes. Eu gosto muito de conhecer lugares 3:04:20 novos, restaurantes, gosto de estar com familiares, amigos, estou apaixonada pela minha gata que se chama Mia. E ela é linda mesmo como tá na foto, tá? Ela consegue ser mais bonita ainda. Então, falando um pouquinho sobre a minha história, eu quero iniciar falando sobre o filme. Quando a gente fala sobre TDI, a gente vai falar sobre trauma. Não tem como desassociar o trauma ao TDI. Mas eu quero trazer vocês para essa reflexão. Quando um trauma se torna tão insuportável, como a mente pode e acaba desenvolvendo diferentes estados de identidade como forma de proteção e sobrevivência psicológica. 3:05:20 O TDI, ele fala de traumas que geralmente ocorrem na infância. É um trauma tão insuportável que eu preciso criar identidades para lidar com elas. E antes da gente seguir com o filme, é importante que a gente compreenda a história do transtorno dissociativo de identidade. Essa história, ela começou nas décadas de 50 e 60 com casos reais, mas em 1980 a gente tem o transtorno de múltipla personalidade pela primeira vez no DSM. Então a gente vai percorrer brevemente a primeira vez que ele aparece na década de 80, depois quando ele aparece em 1994 e a última revisão de 2022. 3:06:22 Como foi destacado o transtorno dissociativo de identidade. Em 1980 ele foi entendido como um transtorno de múltipla identidade. Ele era reconhecido como um diagnóstico com a coexistência de duas ou mais personalidades distintas com alternância no controle e no comportamento. O que que difere? Para que fosse diagnosticado o transtorno de personalidade múltipla o indivíduo deveria ter duas ou mais personalidades que alternasse entre si e tivesse uma forma de controlar o seu comportamento. Já em 1994 o diagnóstico ele inclui como um transtorno dissociativo de identidade. Ele já não entra como um transtorno de personalidade mas sim como uma identidade. E essa nomenclatura ela passa a dissociar a identidade deslocando o foco da ideia 3:07:25 de personalidade múltipla para processos dissociativos e para descontinuidade e da integração da sua própria identidade. Já não era uma personalidade diferente que entrava ou que se se integrava mas sim formas de identidade diferente. Já em 2022 essa compreensão ela se torna mais atual e ela se se é caracterizada pela presença de dois ou mais estados de personalidade distintos, com descontinuidade do seu senso de si e senso de agência. Que que significa? Será que é o mesma que estou fazendo, realizando esses atos, né? Será que sou eu que peguei esse copo aqui, coloquei água ou será que fui eu que movimentei coisas do lugar, situações, atos? Eu já 3:08:26 não tenho mais um senso de agência e eu acabo não tendo mais uma percepção sobre eh, a minha própria identidade. Então, existem alterações na consciência, na memória, no comportamento e no funcionamento psicológico. Além de uma amnésia dissociativa que é recorrente. E o sofrimento psíquico que é significativo em várias áreas sociais dessa vida, seja na vida familiar, seja na vida profissional. E quando a gente fala sobre TDI, qual seria a compreensão de vocês? São múltiplas identidades que são criadas ou seria um indivíduo tentando lidar com o seu sofrimento de formas diferentes? Coloquem no chat, para vocês, o TDI são várias identidades diferentes ou um indivíduo tentando lidar com o seu sofrimento de 3:09:28 diversas formas? Qual a percepção de vocês? Então, vocês entendem que ocorreu uma mudança significativa de 80 para 94 e uma alteração em 2022. Tudo bom, segunda opção, perfeito. E como que a gente vai observar as áreas mais afetadas desse indivíduo com o transtorno dissociativo de identidade? A gente vai observar muito a consciência de identidade. Então, eu vou dar um exemplo. Nós temos a Fernanda. Fernanda, ela é uma pessoa extremamente tímida que passou por um período de abuso, agressão verbal, agressão física durante toda a sua infância. Então, a Fernanda, ela alterna para uma outra identidade. Essa identidade, ela é altiva. Essa identidade, ela tem uma postura mais 3:10:31 reativa diante dos fatos. Em alguns momentos, a Fernanda, ela vai alternar essa consciência de si como, por exemplo, esse alter ego que vai se chamar Roberta. E ela vai ter mudanças no seu comportamento. Ela pode ser mais agressiva, ela pode ser mais altiva e ela pode ser mais reativa nas suas ações. E o que que isso vai acontecer com a Fernanda? Ela vai ter uma perda da sua consciência da sua identidade. A partir do momento que eu tenho novas identidades que assumem a minha eh eh o meu ser, criando novas formas de comportamento, eu tenho o quê? Uma alteração numa continuidade da experiência de si. Se, em situações específicas, a Roberta, ela, né? Ela entra, como diz assim, no comando dessa percepção, eu não tenho 3:11:33 mais uma continuidade da minha própria experiência. Essa experiência, ela é criada a partir de uma outra identidade. E o que ocorre? Podendo ter diferentes estados de identidade, a pessoa pode realizar atividades normalmente, porém, com uma mudança de percepção no controle sobre seus pensamentos, emoções e comportamentos. Então, se Fernanda é uma pessoa extremamente tímida, ela vai ter uma experiência diferente a partir da percepção da Roberta. E isso vai trazer para ela uma falta e uma alteração na cons, na constituição de quem ela é. Então, a identidade dela, ela é afetada. A sua memória autobiográfica. Então, vai ter lacunas de recordação. Por exemplo, a gente vai colocar aqui novamente esse copo aqui de água. Eu cheguei na sala e tem um copo de água. Eu não me recordo de ter pego a água, de ter bebido essa água. Eu 3:12:35 tenho uma lacuna, uma lacuna de experiência, uma lacuna da minha biografia, uma lacuna da minha história. A minha história se torna um fragmento. Então, acontecimentos pessoais e cotidianos que são corriqueiros, né? A pessoa, ela começa a não se lembrar de períodos da própria vida, de atividades que foram realizadas e conversas e decisões que foram tomadas. Então, eu posso estar com o meu alter ego Roberta e tomo uma decisão de comprar uma casa. Ou eu acabo sendo grosseira com um amigo. E eu não tenho essa lacuna, essa lacuna, ela não é preenchida. Existe uma, a amnésia, eu não me recordo do que aconteceu. Então, eu acabo tendo uma história a partir do viés do outro. Não necessariamente que no TDI eu tenho uma amnésia total, mas em alguns casos 3:13:36 onde essa amnésia, ela ocorre, eu não me recordo do que aconteceu. E muitas vezes, essa história, ela é vista a partir do olhar do outro. A mudança dessa percepção de si mesmo e do seu próprio corpo. Uma sensação de distanciamento do próprio corpo, alterações na sensibilidade, estranhamento das emoções, experiência de despersonalização, sentir-se fora de si, né? E uma desrealização. O ambiente, ele parece ser irreal. Respostas fisiológicas. Uma alteração na ativação do sistema nervoso autônomo, podendo envolver uma tensão muscular, taquicardia, sensação de alerta constante, episódios de imobilização, imobilização, perdão, diante de situações percebidas como ameaçadoras. E comportamento e expressão emocional. Mudanças na forma como eu me expresso. 3:14:37 Então, se Fernanda tem uma forma de expressar um pouco mais contida e Roberta mais altiva, mais controladora, tem uma postura diferente, existe uma mudança como eu me expresso, como eu falo, né? Essa postura no tom de voz, no comportamento, pode ocorrer em episódios de forma automática. Essas variações nas expressões emocionais, elas se tornam diferente a partir dos interesses e nas habilidades e na forma como eu me relaciono. E como ocorre, né? Quais são os mecanismos, quais são os gatilhos que são, eh, criados para que a pessoa tenha a adquirir o TDI? O TDI, ele está associado a experiências traumáticas. Essas experiências, elas estão correlacionadas a abuso físico, abuso 3:15:40 sexual, experiências repetidas de violência, especialmente quando envolve figuras de confiança e de cuidado. Um trauma relacional. Relações nas quais as figuras que deveriam oferecer segurança também representam ameaça, medo ou sofrimento. Indivíduos que passaram por momentos de negligência e abuso emocional. Humilhações, ameaças, rejeições persistentes trazem uma ausência de proteção em ambientes efetivamente, afetivamente imprevisíveis. Dentro desses ambientes imprevisíveis, eu acabo criando identidades como forma de proteção. Exposição prolongada a situações ameaçadoras. Violência doméstica, coerção, terror psicológico, experiências recorrentes de desamparo. É importante citar que pro TDI é importante que esse trauma, ele seja 3:16:41 constante e recorrente. O abuso, ele é comparado a um TEPT complexo. Não necessariamente todos os indivíduos que passam por um trauma vai ter transtorno dissociativo de identidade. Mas é importante entender que nesse indivíduo ocorreu uma história de vida de extremo abuso, negligência e trauma. E aí a gente tem um ciclo que ocorre dentro dessa transformação, que é da experiência traumática à dissociação. Como experiências adversas podem influenciar no desenvolvimento do TDI? Primeiro, eu tenho experiência traumática. Situações intensas, recorrentes, que traz uma ameaça profunda, um medo grande de desamparo. Eu tenho uma resposta dissociativa. Essa de resposta dissociativa, ela traz como 3:17:42 mecanismo de defesa. É um mecanismo de defesa que eu crio para lidar com o sofrimento e preservar a minha sobrevivência psíquica. E eu posso criar vários tipos de identidade para trabalhar com esse sofrimento. E o que ocorre é uma dificuldade na integração da identidade. A partir do momento que eu crio várias identidades para lidar com a minha resposta traumática, eu tenho uma dificuldade, principalmente, com a integração. Como eu falei lá no slide anterior. Será que eu crio várias identidades e essas identidades são identidades diferentes, diferentes de quem eu sou? Ou eu crio essas de essas identidades para lidar com o sofrimento? E sim, essas identidades, elas são criadas para lidar com o sofrimento. 3:18:42 E a grande questão quando a gente fala do TDI é a importância de compreender que eu não vou mudar essas identidades, eu não vou tirar essas identidades, mas eu preciso integrar essas identidades. É a integração dessas identidades que fazem parte de quem eu sou. Então a gente está falando de integração. A integração é o ponto mais importante do processo terapêutico quando a gente fala de TDI. Então a gente entendeu que existe a experiência traumática que traz uma resposta dissociativa e que traz uma dificuldade depois para integrar essa identidade. Agora a gente vai chegar no filme. O filme ele traz a história de Kevin Wendell Crumb. A história por trás das identidades. Essa história é uma história fictícia, mas ela teve como referência um caso 3:19:43 real, que é o do Billy Mulligan. Inclusive, eu vi que algumas pessoas colocaram o caso, a série. E é muito importante para a gente compreender, porque o Billy Mulligan ele tinha 24 identidades. É um caso que ocorreu na década de 70. Inclusive, a gente fala de uma questão que envolve um processo judicial. Uma história marcada por trás das identidades. Kevin foi uma criança marcada pelo trauma. O pai dele foi ausente e a mãe uma mãe totalmente disciplinadora. E uma mãe extremamente negligente e ausente de afeto. E aqui a gente está falando um pouco sobre a importância do vínculo. Então a gente tem o John Bowlby que fala sobre o afeto seguro. Kevin se viu abandonado pelo pai, tendo a relação com a sua mãe, que era 3:20:43 extremamente altiva, é, agressiva, ausente afetivamente e disciplinadora. Ela era agressiva de forma verbal e física com Kevin. A partir do trauma, o Kevin passou a criar novas identidades. E foi aí que iniciou o desenvolvimento dissociativo. Então nesse caso a gente vai observar que as experiências traumáticas precoces associadas ao surgimento de diversos estados de identidade. Na vida adulta, ele começa a trabalhar no zoológico e realiza acompanhamento psiquiátrico com a doutora Karen Fletcher. Doutora Karen Fletcher, ela pode ser muito com a psicóloga responsável pelo caso da Sybil e o caso do Billy Milligan, uma psiquiatra que começou a estudar as personalidades na época vista como 3:21:46 transtorno múltiplo de personalidade. Nesse caso, ele já organizava 23 identidades, sendo mais uma que estava por vir, com funções e características distintas. Então, aqui a gente já tem a história do Kevin e a gente vai entender a função de cada identidade na estrutura do Kevin. Aqui nós temos três personagens importantes. Para quem viu o filme, observou que identidades apareciam com mais constância, que é Dennis, Patricia e Wendell. No filme, o Dennis traz o controle e a vigilância. Ele tinha traços de comportamentos obsessivos-compulsivos, ele tinha uma necessidade de ordem, limpeza e regra. Quando a gente fala de um indivíduo que sofreu um abuso e um trauma na infância, como por 3:22:48 exemplo, alguém que sempre foi julgado por desorganização ou que a todo momento era punido por não manter coisas em ordem, ele pode criar uma identidade que vai proteger contra esses tipos de abusos. Então, o Dennis, para já trabalhar contra esse possível, é, é, trauma em relação à mãe, ele se torna uma pessoa com comportamento obsessivo-compulsivo, que necessita de ordem, limpeza e regra. E qual seria a função psicológica dessa identidade? Reduzir a sensação de ameaça por meio do controle. A previsibilidade, ele iria buscar sempre a previsibilidade, para que ele não fosse ameaçado, para que ele não fosse julgado e para que ele não sofresse qualquer tipo de abuso. Temos a Patrícia. Patrícia é uma mulher. 3:23:49 Essa mulher, ela tem o quê? Uma autoridade, mas ao mesmo tempo, ela também oferece cuidado. Então, a Patrícia, ela traz uma identidade feminina, elegante, elegante e disciplinadora. Ela estabelece regras e exerce autoridade. E para essa função psicológica, aqui a gente está trazendo suposições, tudo bem? Na função psicológica, a Patrícia, ela pode estabelecer ordem, segurança, mesmo que implique em exercer poder. E temos o Andrew. O Andrew é uma criança que traz o quê? A vulnerabilidade e a infância. Pode ser um resgate do Kevin criança. Essa é uma criança de 9 anos que demonstra ingenuidade, necessidade de reconhecimento. Tem algumas cenas muito importantes quando ele começa a colocar músicas hip 3:24:51 hop, mostrar o quarto, mostrar os desenhos. Ele quer ser ouvido, ele quer sentir-se pertencente e ele quer ser ouvido. Qual é a função psicológica do Andrew no caso do Kevin? Expressar as necessidades afetivas, essa falta, o que ele não teve nessa infância, que são os aspectos da experiência infantil. Mas tá, Aline, essas identidades, elas são criadas? Por exemplo, o Kevin, ele disse que, olha, eu vou ter a Patrícia, vou ter o Edwin, eu vou ter o Dennis? Não. Essas identidades, elas são construídas a partir de uma necessidade. E não por uma ordem ou uma necessidade consciente. São atos inconscientes a partir de vivências. Então, a gente pode observar que cada identidade aqui tem uma função. E aqui temos duas outras funções 3:25:53 importantes. Temos o Barry. O Barry, ele é responsável por organizar e adaptar todas as outras identidades. Ele é o único que tem o poder de dar à luz, oferecer lugar e espaço ao outro. Ele é extrovertido, ele é comunicativo, ele é estilista, ele é interessado em moda, ele mantém contato com a terapêutica, é ele que leva os recados das outras identidades e ele organiza quais as identidades podem assumir o controle. Aqui a gente tá falando de uma organização e de uma regulação emocional. Aqui a gente pode tá dizendo de uma identidade que traz o lado mais extrovertido, comunicativo do que ele gostaria de ser. Como que é o funcionamento psicológico dessa função do Barry, por exemplo? É preservar o funcionamento cotidiano das relações sociais. Então, se Kevin é 3:26:56 uma foi uma criança traumatizada e se tornou muito recluso, o Barry, ele vai manter o Kevin nas relações interpessoais. Então, ele tem uma função de criar vínculos e confiança. E temos o Kevin. O Kevin, ele é o quê? Ele é a memória traumática. É a identidade original. Uma identidade que foi marcada por abusos maternos, que permaneceu por longos períodos sem assumir o controle da sua própria vida. E quando ele retorna, ele demonstra um sofrimento diante dos acontecimentos. E qual é a função do Kevin? Carregar a própria história e o sofrimento associado às experiências traumáticas. Então, aqui a gente tem já a visão das identidades. E aqui a gente vai falar sobre mais um ponto importante, que é 3:27:59 uma reflexão para a gente falar sobre o trauma. E se para suportar uma realidade dolorosa, a sua mente fragmentasse a própria experiência de quem você é? E isso nos revela sobre a relação entre trauma, memória e identidade. E por que o TDI, ele se torna um transtorno que é controverso, é de uma certa forma para alguns místico e muito delicado de compreensão. Por quê? Eu crio persona a ao ao que era entendido, que era a criação de personalidade, não, não é personalidade, é uma identidade. E essa identidade, ela é criada para uma proteção, para proteger diante de um trauma que eu não consigo lidar. Então, como eu não consigo lidar, eu 3:29:00 fragmento essa história com novas identidades. E o quanto de sofrimento psíquico isso não pode gerar no indivíduo? Quando ele acaba não sendo o protagonista da sua história, por quê? O TDI, ele tira o protagonismo da história. Essa história, ela é escrita por vários personagens. E aqui, a gente vai falar sobre quando a história se torna fragmentada. Como construir uma percepção de quem somos quando partes de nossas próprias experiências permanecem inacessíveis? Como seria, pessoal? Como eu consigo construir uma percepção de quem eu sou se parte da minha experiência, ela não tá acessível? Se parte da minha experiência é fruto de 3:30:03 histórias de identidades que foram compartimentadas para me auxiliar em um sofrimento psíquico. Então, a dificuldade, ela não está apenas nas lacunas de memória, mas no sofrimento de não reconhecer a continuidade da sua própria vida, da sua própria existência. E nas relações, isso pode significar perda de confiança nas próprias lembranças, sentir-se distante de quem você ama e ter dificuldade de sustentar escolhas e vínculos. E quando o maior sofrimento não é esquecer o que aconteceu, mas sentir que não participou da sua própria história. Deixa eu só Meu Deus, é profundamente doloroso. Aí. Deixa eu ver aqui o que vocês estão es escrevendo. Tá. 3:31:04 É, o sofrimento de quem passa pelo TDI e dá compreensão de muitos que essa identidade, ela foi criada se essa identidade, ela foi criada para proteger, por que que o indivíduo sofre? Sofre justamente porque ele sozinho não consegue lidar com o ocorrido. Então eu vou dar mais um exemplo. Vou pegar aqui o Ricardo. O Ricardo, ele pode ter passado por um trauma muito forte na infância e ele cria identidades para lidar com esse trauma. Então, ele tem outras identidades que assume o controle de forma mais altiva, agressiva, mas ele também pode adquirir uma identidade mais submissa. Essa identidade submissa, a gente pode pensar que seria uma identidade que vai 3:32:06 dizer assim olha eu vou aguentar por você. Tudo o que está acontecendo, pode deixar que eu vou compartimentar para que você não possa sofrer. Então, não necessariamente se o indivíduo, ele é um pouco mais ah, reprimido ou é, com falta de habilidades para lidar, né, de forma é, interpessoal, não necessariamente ele vai ter uma identidade altiva. Ele pode ter uma identidade ainda mais reprimida para que essa identidade possa lidar com esse sofrimento. E novamente, essas identidades elas não surgem de forma consciente. Tem uma parte do filme, duas partes do filme, que eu considero extremamente importante e uma delas é a parte que uma das identidades fala sobre roubar a 3:33:07 luz. Existe um momento onde cada identidade tem a possibilidade de estar no comando. E assumir o controle daquela identidade. E quando a gente fala sobre roubar a luz, é quem assume o controle da própria existência. Então no fragmentado, a gente vai observar que a luz, ela representa uma possibilidade de assumir o controle do corpo e das das próprias ações. Então, psicologicamente, vamos compreender como uma metáfora. Que isso pode se aproximar de forma, como se fossem três dimensões, que eu pudesse olhar consciência, autonomia e identidade. Cada um quer assumir o controle, cada um quer roubar a luz do outro. E quando a gente fala sobre, é esse controle 3:34:09 é a própria dificuldade que o Kevin tem de assumir o controle da sua própria existência, de como ele vai observando que várias identidades tentam tomar essa história, fragmentar essa história. E como a gente pode pensar nessa metáfora de roubar a luz, é também buscar esse controle. Eu preciso deixar que essas identidades busquem o controle, eu preciso integrar para assumir uma consciência, uma autonomia e uma identidade. E quando você deixa de reconhecer como o próprio autor da sua história. Então, o Kevin ele viveu uma vida, ele trabalhava no zoológico, ele tinha o Barry como o organizador de quem entrava e de quem saía e tudo era e tudo ocorria como forma de proteção. 3:35:10 E aí a gente vai tentar pensar de uma forma mais ampla. Eu tento proteger o outro. Quantas vezes a gente já agiu como forma de proteção? Eu vou evitar sair de um trabalho específico porque eu prefiro a previsibilidade de onde eu estou. Eu prefiro é ficar nessa relação disfuncional porque eu busco a previsibilidade de algo novo. Então, as identidades buscavam a proteção do Barry, do do Kevin, a partir de um momento extremamente traumático, mas ao mesmo tempo ele impedia a própria vivência do Kevin, para que o Kevin pudesse transformar as suas dores, as suas vivências, transformar e elaborar. E é essa a grande questão. A gente entende que poderia ter uma 3:36:12 função de proteção, mas quando isso se torna recorrente, quando isso traz amnésia, quando isso traz um fragmento de si, ele já não é mais proteção. Isso já é adoecimento. Isso já é uma prisão dentro de si mesmo. Tem uma outra parte, antes da gente é trazer, né? A vigésima personalidade, conhecida como a besta. Essa 24ª personalidade, ela era vista como perigo para as outras identidades, mas ao mesmo tempo, a gente pode entender a partir da perspectiva de Jung, quando ele fala sobre a integração da sua sombra. É quando a vulnerabilidade se torna insuportável, nasce algo aparentemente que não pode ser ferido. 3:37:12 Então, a besta, ela pode representar força, poder, controle, mas será que essa força, ela é liberdade? Ou apenas outra forma de continuar presa ao trauma? Claro que a gente está trazendo uma perspectiva fictícia do filme. A 24ª personalidade, ela traz um aspecto dramático, ela traz o suspense, ela traz a como essa identidade pode ser prejudicial. Então, a gente pode pensar a personalidade como esse lado sombrio, esse lado que o indivíduo, ele precisa trabalhar, esse lado das dores emocionais também. Então, a gente pode pensar em uma metáfora como um lado sombra. Então, será que essa 24ª personalidade, ela vai proteger ou ela vai perpetuar cada vez mais esse 3:38:13 trauma? O outro ponto importante do filme, logo no final, existe uma história, ele sequestra três garotas, três garotas jovens. Essas três garotas jovens, elas são controladas, elas ficam presas e ele acaba atacando uma por uma. E ele tem como objetivo pegar histórias de adolescentes que tiveram, digamos, uma vida diferente da qual ela teve. Então a gente tá falando de uma vingança contra sua própria história. Então ele quis vingar a sua história a partir das outras jovens, das adolescentes. Mas quando a terceira personagem, que é um ponto central do filme, ao final da história, final do filme, quando ela está prestes a ser atacada pela besta, ele observa que ela tem traumas físicos. O seu corpo, ele tem uma história de trauma. 3:39:15 E ele olha para essa história de trauma e ele diz que você que ela era, assim como ele, uma pessoa que também viveu uma história de trauma. Eu não vou me lembrar e decorar exatamente qual foi a fala dele, mas ele olha para ela, é como se ela já tivesse sido abençoada, protegida e que ele entendia que a história dela era semelhante à dele. Então ele entende que ela vivenciou o mesmo trauma e ela acaba sendo liberta. Esse filme, ele traz, obviamente, uma ficção, uma história, mas ele traz também as nuances do sofrimento psíquico de quem passa com transtornos de personalidade dissociativa. E é importante que a gente tome um cuidado para não confundir essa história 3:40:16 com polêmicas, como o que a gente já viu em vários programas de televisão, onde pessoas é mudam o seu comportamento, mudam a sua identidade. O TDI, ele gera um sofrimento psíquico muito intenso. E para além da ficção, existem histórias reais. Histórias que servem justamente como enredo para várias histórias e filmes relatados, assim como fragmentado. Quando a narrativa cinematográfica termina, começam as histórias reais, os sofrimentos de identidade e sobrevivência. E nos próximos slides, a gente vai falar sobre casos reais de TDI. O primeiro caso famoso e conhecido em TDI foi o caso da Sybil. A Sybil, ela tinha 16 personalidades e ela marcou a história do transtorno 3:41:17 dissociativo de identidade. Existiu o seu primeiro livro que foi publicado em 1973, bem antes do DSM da década de 80, que foi escrito pela Flora Rachel R. Lindner, que foi a psiquiatra da Sybil. Em 76, ocorreu um filme que foi uma adaptação para televisão. A história da Sybil foi marcada por uma mãe extremamente controladora, manipuladora. Ela sofreu uma história de sofrimento irreparável. Ela foi abusada sexualmente, abusada fisicamente e abusada de forma verbal. É uma história muito interessante para quem quer aprofundar os casos relacionados a transtorno dissociativo de identidade. Então, ela abriu as portas para o entendimento e para 3:42:19 pesquisas sobre o tema. Antes do caso da Sybil e no caso da Sybil houve muita muita controvérsia da psiquiatria. Que tinha uma dificuldade de entender que se poderia ser uma identidade que protegia em relação ao trauma como uma sugestão ou uma dramatização. Hoje em dia ainda tem alguns profissionais que compreende que é um diagnóstico e outros que ainda relata algumas dúvidas em relação. E temos um caso extremamente conhecido que foi referência para o filme Fragmentado, que foi o Billy Milligan. Billy Milligan ele tá presente na Netflix, tem uma série muito interessante que de fato ele diz ter 24 personalidades. E foi um caso que desafiou não só a 3:43:20 psicologia, mas a justiça. Então, Billy Milligan ele foi um homem um adolescente, né, uma criança que nasceu nos Estados Unidos. Em 1977 ele foi preso com acusações de roubo, sequestro e estupro. Em 78 ele foi considerado inimputável após avaliações psiquiátricas da mesma médica psiquiatra que cuidou da Sybil. A história relata abusos na infância e as 24 identidades descritas durante acompanhamento clínico. Na história do Billy Milligan é interessante porque foi gravado muitas sessões com a psiquiatra. Qual ele mudava comportamento ele mudava traços ele mudava forma de 3:44:21 falar e inclusive falava em outros idiomas. E dentro desse contexto, é importante compreender que além de uma questão do sofrimento psíquico, ele causou um crime. Né? Ele cometeu um crime. E na época da década de 70, pensar que um indivíduo poderia cometer um crime a partir de uma identidade criada como uma forma de proteção ainda era algo muito novo. Então, fica uma reflexão para que a gente possa compreender. Quando há dissociação, quando e como compreender a responsabilidade pelos próprios atos? Esse caso do Billy Milligan, ele é muito interessante porque de fato ele traz. Se eu estava em um processo onde existiam várias identidades, 3:45:21 como que eu vou ser responsabilizado pelos meus atos? Essa é uma grande questão. Agora, vamos falar sobre o cuidado terapêutico com o TDI. É importante que a gente consiga acolher antes de interpretar. Então, o primeiro ponto quando a gente vai falar sobre o processo terapêutico e o cuidado de pessoas que têm o TDI, é entender a história de vida. E para isso é importante que a gente compreenda a anamnese, a história desse indivíduo. É importante que a gente compreenda a história de vida, sofrimento psíquico, abusos que foram, eh, vividos durante, né, a sua infância, a sua vida. E a compreensão à queixa. Identificar como esses sintomas dissociativos se manifestam nesse cotidiano. Por exemplo, como que ocorre essa amnésia, caso 3:46:23 ocorra essa amnésia? Será que o indivíduo, ele tem a total compreensão das identidades ou ele não compreende as outras identidades? Porque é possível que o indivíduo, ele entenda que existam identidades. Ele pode conviver e entender que existe a Roberta, o Caio, a Fernanda e outras identidades entre si. Mas existem lacunas em relação a essa história. E como que essa história, ela é, é, vivida? Em que momentos que essas identidades, elas aparecem? A rede de apoio também é extremamente importante. A avaliação com os familiares, os familiares estarem juntos, trabalhar com vínculos, recursos, suportes que são importantes para manter a segurança e a continuidade do tratamento. Geralmente, o indivíduo com TDI, ele não vai ter a total compreensão dos seus fatos. Então, provavelmente, uma rede de apoio, um familiar que vai chegar e conversar com 3:47:24 ele e provavelmente sugerir uma terapia. Uma investigação diagnóstica é muito importante, né? Utilizar entrevistas clínicas, instrumentações adequadas, para que a gente possa ter uma avaliação psiquiátrica eficaz e quando indicado, especialmente um diagnóstico diferencial ou até mesmo o manejo medicamentoso. Não existe uma medicação específica para cuidar do TDI, mas teremos medicações que vão auxiliar com a ansiedade, com a depressão, que são recorrentes em casos de, de transtorno dissociativo. Trabalhar vínculo, segurança e estabilização. Construir um ambiente terapêutico seguro, principalmente para que o indivíduo ele confie no seu terapeuta, para que vocês possam formar uma aliança e que essa aliança tenha uma validação das experiências e para que possa organizar todas as demandas. E como que a gente pode pensar na 3:48:24 aplicação da TCC no caso de transtorno dissociativo de identidade? O A TCC é um padrão importante para o trabalho do TDI, porque ele vai trabalhar com psicoeducação, que é muito importante. É importante que o indivíduo entenda que existem outras identidades. É importante que ele compreenda esse transtorno, os seus sinais, o que vai acabar favorecendo a aceitação, reduzindo o sofrimento psíquico e aumentando a colaboração entre as identidades. Eu preciso entender que essas identidades existem. Estratégias de ground, né? Técnicas que pode retornar ao momento presente. É muito importante que a gente consiga trabalhar essa estratégia de vamos pisar o seu chão, você tá aqui, momento presente, que vai reduzir o grau de dissociação, aumentando a sensação de segurança do corpo e do ambiente. 3:49:25 Trabalhar regulação emocional, intensificar as emoções que podem ser gatilhos, trabalhar com essas emoções e essas respostas de enfrentamento. Desenvolver habilidades para lidar com ansiedade, medo e mudança e, principalmente, compreender se o lugar, o ambiente que ele reside é favorável ao impedimento dessa regulação emocional. Reestruturação cognitiva, mudança de crenças relacionadas à culpa, principalmente para quem sofreu abuso, desamparo, desvalorização frequente, que estão associados a essas experiências traumáticas. Porque o objetivo não é retirar as identidades, mas integrar essas identidades. É estimular a comunicação e a cooperação entre estados de identidade, promovendo uma maior continuidade da experiência, com autonomia e qualidade de vida. 3:50:29 E aqui a gente vai entender que o trauma ele pode fragmentar a experiência de si, mas não precisa determinar para sempre a forma como alguém vive a própria história. O que foi fragmentado pela dor pode encontrar novos caminhos de integração. E para que a gente possa finalizar eu vou colocar aqui algumas dúvidas frequentes e eu quero que vocês coloquem por favor, se vocês acreditam ou não, se isso pode ser verdade ou não, por mais que eu tenha colocado a resposta embaixo. As pessoas que incorporam identidades espirituais têm TDI? Existe muito uma 3:51:30 não digo uma dúvida, mas existe muito um questionamento sobre transtorno dissociativo de identidade e pessoas que incorporam identidades espirituais. Isso é verdade ou é um mito? Então, na verdade, não. Experiências de incorporação em contextos religiosos e culturais não são, por si, manifestações de TDI. Tá? Como no filme. Pessoas com TDI são violentas? Ou elas são sempre perigosas? Será que todas as identidades criadas, elas são criadas para ser pessoas violentas? Será? Não. Maioria das pessoas com TDI não apresenta comportamento violento. 3:52:33 A violência que é vista no filme Fragmentado, ela é uma construção dramática e ficcional. Toda pessoa com TDI apresenta personalidades claramente identificáveis? Não. Os estados de identidade podem ser sutis. Por exemplo, uma forma de falar diferente, um jeito de se posicionar e se comportar. E ele pode não ser percebido às pessoas ao redor. Não necessariamente essa mudança de identidade vai ser radical ao ponto do outro reconhecer. E o TDI tem melhora? Desculpa, o TDI tem tratamento? É possível melhora? Sim. Como vemos anteriormente, com acompanhamento psicológico especializado, é possível sim reduzir o sofrimento, ampliar a segurança, 3:53:34 integrar as experiências e melhorar o funcionamento no dia a dia. Então, o importante aqui é integrar essas identidades, compreender os gatilhos, reduzir esses danos, para que o indivíduo possa viver a sua própria história. Aqui nós temos algumas referências bibliográficas utilizadas. Temos o livros e artigos sobre o caso da Sybil. Temos a as 24 faces de Billy Mulligan, que está disponível na Netflix. Temos o filme Fragmentado de 2016. Temos o diagnóstico com o manual do DSM. E temos o livro, né, sobre trauma e dissociação de identidade. Pessoal, o que eu quis, né, desenvolver para vocês a partir dessa palestra foi entender que o trauma complexo, ele pode 3:54:37 gerar um transtorno de dissociativo de identidade, não necessariamente eh isso vai acontecer em todos os casos. Eh é muito importante, principalmente porque quando a gente fala de psicopatologia, né, não é algo eh de uma mudança que você pode ver em uma imagem. Essas mudanças, elas podem ser sutis, mas elas causam muito sofrimento no indivíduo. E quando você é impedido de viver a sua história ou quando a sua história ela é vista a partir de fragmentos, você deixa de ter essa autonomia e liberdade de ser quem você é. Então, quando a gente fala sobre aspectos muito, né, impactantes de trauma, é importante, né, que a gente consiga compreender esse indivíduo, trazer o acolhimento. Eh em muitos casos, vai existir uma 3:55:38 dificuldade do indivíduo de compreensão, tá? Eu vi muitas pessoas que trouxeram relatos, inclusive quando eu estava preparando os slides sobre uma dúvida de bipolaridade é um transtorno de personalidade? É a personalidade da pessoa muda? Então, quando eu tenho bipolaridade, eu também mudo a minha personalidade? Não. Quando a gente fala sobre bipolaridade e vamos ter, né, eh, outros eventos específicos trazendo sobre o caso estamos falando de mudanças de humor. Tá? Mudanças de humor muito prevalente, de um humor mais, né, eh, e depressivo para um humor mais eufórico. Mas na no TDI, você não tem uma mudança específica no humor do indivíduo. Você tem uma mudança no comportamento desse indivíduo. Esse 3:56:38 indivíduo, ele vai passar a trazer uma identidade com uma mudança. Essa mudança, ela pode ser no comportamento, na fala, na postura. Eh, na forma de como se veste, né? Como, por exemplo, no filme a gente observa o ah o Barry, que é estilista, ele vai eh andar extremamente arrumado. Então, pode ser que as pessoas com TDI possam ir em shopping, comprar roupas que não fazem parte da personalidade de quem ela é. Eh, mudanças muito significativas ou mudanças muito sutis. Então, o filme Fragmentado, ele traz a história fictícia através das múltiplas identidades, mas traz uma ideia de quanto trauma ele pode influenciar na percepção e na fragmentação desse indivíduo. Tem uma cena muito impactante, no qual o 3:57:40 o ele está debaixo da cama, e a mãe chama pelo nome. Tanto que quando o Kevin, é, pra que o Kevin volte a si, que que a psiquiatra pediu pra que ela falasse? Diga o nome completo dele, que ele vai voltar a si. Então, como a gente compreende, esse nome completo é o gatilho. É o gatilho que faz com que ele volte a ser quem ele é. Então, é o momento onde todas as identidades saem e o Kevin retorna. Então, esse filme, ele tem muitas nuances, tem, é, apesar de trazer o espectro do terror no filme, ele traz muito o quanto sofrimento psíquico pode, né, trazer consequências extremas no indivíduo em fragmentos. Então, esse foi o meu objetivo nessa palestra. 3:58:40 Geralmente, eu acabo não palestrando em congresso, mas fiz questão de falar sobre esse filme que eu gosto muito. Quero agradecer muito, né, a participação de cada um de vocês aqui. É, tô vendo que tem algumas perguntas, né, sobre outras temáticas. Então, Felipe, é, a gente tem vários eventos, né, que a gente fala sobre psicopatia, sociopatia, né, que fala muito sobre questões relacionadas a transtornos de personalidade. Aqui, a gente tá trazendo mais, é, o a visão do transtorno dissociativo, que não é um transtorno de personalidade como algumas pessoas acabam identificando, entendendo como tal. Então, deixa eu pegar aqui algumas falas de vocês. Como estudante de psicologia, muito feliz pelo meu crescimento profissional por participar das palestras. Muito obrigada, Denise. 3:59:40 Temos aqui a fala do Daniel. Muito obrigada. Muito obrigada pelo elogio. Muito obrigada, Paula, pelo elogio. Tá, os transtornos são diferentes de casos de personalidade? Sim, porque na verdade não é um transtorno de personalidade, Ieda. Transtorno de personalidade, ele vai ser, ah, nomenclatura diferente. Você tem o narcisismo, o, a personalidade antissocial. Então, é uma mudança na personalidade. Pensa assim, Ieda. Quem tem TDI não tem controle da identidade. É como se eu tivesse uma amnésia, eu perdesse o controle de quem eu sou e uma outra identidade assumisse esse controle. Na personalidade é diferente. Eu tenho total controle de quem eu sou. São nuances da minha personalidade. Faz parte de quem eu sou. Então, por exemplo, no narcisista, você vai observar que é um indivíduo que 4:00:40 é extremamente manipulador, egocêntrico, né? Tem mania de grandiosidade. Quando a gente fala sobre transtorno de personalidade antissocial, existe falta de empatia, frieza, existe um calculismo. Então, é diferente, tá? Personalidade é atribuída a como eu desenvolvo a minha vida. No dissociativo, eu saio da minha identidade. Eu dissocio, tá? Muito obrigada, Denise, pelo elogio. Tá. Aqui é muito parecido quando a gente vai falar, parecido não, tá? Desculpa. Então, quando você tá falando sobre explicação de possessão demoníaca, tá? A A tá indo para aspectos de crenças, eh, que envolve algo espiritual, sobrenatural, 4:01:41 certo? Então, eh, é claro que no caso de uma possessão, a gente pode verificar, porque existe até casos de uma possível epilepsia, casos de transtornos psíquicos que podem ser semelhantes a uma possessão. Tem estudos que explicam que alguns casos de possessões, eh, históricas que ocorreram, que depois foram estudados, entenderam que aquilo poderia ser uma epilepsia, mas aqui a gente tá trazendo algo de um fator sobrenatural. É diferente de dissociação, tá? É diferente de um caso de dissociação, Sueli. Porque aí você tá trazendo um lado mais espiritual, mais, eh, sobrenatural. Diferente do dissociativo, tá? Definitivamente eu amo o meu futuro trabalho, apesar de ser um tema sério, cada vez mais vejo tudo isso acontece na psique natural. 4:02:42 Perfeito. Obrigada pelos elogios. Não é cura, é transformação. Ao meu ver não são perigosos, com certeza absoluta. Toda vítima dele tinha o mesmo padrão da mãe. Boa, Val. Achei interessante, interessante a tua, a tua visão aqui. Exatamente. As identidades tinham um padrão específico ligado à mãe. Então, a mãe era extremamente altiva, ele utilizava o controle a partir do Dennis. A mãe era extremamente controladora, a Patrícia assumia o controle. Então, de forma inconsciente a gente pode observar a, desculpa, as vítimas, né? Né? No caso, a minha visão, Val, vai mais para as identidades que ele construiu, tá? Eu acabei entendendo, eh, de uma outra forma. Fica uma reflexão para vocês. Será que talvez sejam, eh, seja a vítima ou o 4:03:45 padrão que ele tem com as identidades? Tá? Ah, sobre Billy, achei interessante que uma das identidades dele protegia as identidades que eram crianças. Perfeito. Quando o trau Quanto ao trauma, eu tenho uma curiosidade. Quando o processo de trauma vivido na infância, eh, só buscar ajuda na fase adulta, será que os resultados teriam eficácia? Com toda a certeza. Eu vou finalizar com você, Ivanilda, porque a gente já tá com a próxima palestrante já aqui no estúdio e eu não quero tomar o tempo dela. Mas exatamente, vamos pensar que o Kevin, vamos pensar que a Sybil e vamos pensar que o Billy Milligan tivesse tido um cuidado terapêutico na infância, provavelmente, a integração dessas identidades poderiam ter sido feitas com muito mais cuidado e talvez essas identidades não surgiriam. Então, quando a gente fala de um trauma na infância que não foi elaborado, a gente entende que esse trauma psíquico vai sendo carregado. É como se a gente fosse pensar em uma mochila. Essa mochila, ela tá carregada de traumas, de 4:04:46 emoções e de questões psíquicas pesadas. Você tá carregando esse peso, você não tem como aguentar mais esse peso. Aí você cria essas identidades. Se você consegue, logo cedo, elaborar essas questões emocionais, fica muito mais fácil. Então, de fato, se o Kevin, se o Billy Milligan e se a Sybil tivesse tido um cuidado terapêutico antes, provavelmente, essas identidades não teriam tido a necessidade de surgir como forma de proteção, tá? Pessoal, vou encerrar aqui. Olha, temos aqui pessoas que voltaram, Narcisa. Boa tarde, maravilha. Tá, perfeito. Tá, então vamos lá. Tô vendo aqui muitas mensagens, perfeito. Ó, que que eu vou pedir de dica para vocês, tá? É, o que que eu indico? Para que vocês possam entender melhor, eu indico que vocês possam ver o filme Fragmentado e 4:05:47 também a história do Billy Milligan, porque vocês vão ter histórias diferentes, o caso real e o caso fictício, tá? É Depois se vocês quiserem livros específicos sobre essa temática, eu também posso passar para vocês depois no grupo oficial, mas agradeço muito o carinho de vocês, a troca de vocês, foi excelente estar aqui nesse congresso, é, já me deu vontade de poder participar de outros e agora eu vou encerrar aqui a minha fala, vou terminar com o código de verificação e agradecendo mais uma vez a participação de vocês. Que bom, você já assistiu, ah Pessoal, pessoal, vamos lá. Tá. É, código de verificação da nossa terceira palestra de hoje, identidade 7931. Mais uma vez, código de verificação da nossa terceira palestra identidade 7931. 4:06:50 E por último código de verificação identidade 7931. Muito obrigada mais uma vez, pessoal, foi ótimo ter esse momento de troca com vocês, mas eu já assumo o lado da mediação, porque vamos ter uma outra palestrante. Uma outra palestrante não, uma palestrante incrível, que é a Kim que faz um trabalho muito interessante, eu tô vendo ela super ativa nas redes sociais, tenho acompanhado ela, tenho achado o máximo, inclusive descobri que eu participava de um grupo de livros que era dela e eu não sabia. Eu fui ver depois, ela tá rindo aqui no estúdio, mas eu falei: "Gente, eu tô há um tempo nesse grupo de livros, é o livro da quem?" Depois se você puder compartilha esse grupo, porque ela vai toda semana, praticamente todo dia, ela vai incluindo um livro em PDF, eu acho sensacional. E ela vai falar sobre um filme 4:07:52 muito interessante, que é Garota Interrompida. Então, vou subir aqui ela ao nosso estúdio. Acredita que eu tava no seu grupo e eu depois descobri que era seu? >> o mundo, eu falo que o mundo da psi é muito pequeno, então a gente vai se conectando literalmente, conecta psi, porque uma vai indicando a outra, vai vendo o grupo da outra, mas é uma, uma iniciativa que eu tive já algum tempo de compartilhar material e, porque tem muito material incrível de psi, tanto para estudante, quanto para, para psicólogos, de forma gratuita e eu vou sim compartilhar >> grupo. Super indico. Eu vi esses dias que eu fui pegar um livro, tá aqui, deixa eu ver aqui, tem esse grupo aqui, Psi Club. Não é? >> [risadas] >> Esse mesmo. >> É um clube psi, é uma comunidade, já tem quase 1000 pessoas aqui e ela tem como recomendações em PDF, 4:08:53 livros, explicações de conceitos, sugestões de filme, maravilha. Você pode compartilhar depois? >> Claro, vou te mandar o link, aí você manda no grupo. >> Tá bom, perfeito. E vamos falar sobre o filme, eu vou rapidamente pegar o teu arquivo, inserir aqui no sistema, mas eu já vou pedir para você, se você quiser falar do clube, se quiser falar um pouquinho sobre você, para a gente já iniciar. >> Sim, meu nome é Kenya Buarque, eu sou psicóloga e neuropsicóloga. E eu sempre acreditei que a psicologia tinha que ser de forma acessível para todo mundo, acessível principalmente de pegar esses conceitos, interpretações que muitas vezes estão carregadas de jargões e transformar uma linguagem muito mais tranquila. E eu adorei essa iniciativa do, desse congresso, principalmente em específico, de fazer essa associação entre a cultura pop, que são os filmes, com os conceitos de psicologia. E esse filme ele tem um carinho muito 4:09:55 grande no meu coração. Eu poderia falar 5 horas sobre esse filme, porque ele tem tantos desdobramentos e não só na questão de definir diagnósticos, do tipo, ah, tal personagem tem tal diagnóstico, mas sim analisar a nossa prática profissional. Como que a gente olha aquele paciente, como que a gente se olha como eh, personagem atuante dentro desse processo terapêutico. E nas redes sociais, eu gosto muito, produzo conteúdo eh, nas redes sociais fazendo esse link, justamente, com séries, com filmes, trazendo análises de personagens e como que a gente consegue ver esses comportamentos dos personagens no nosso dia a dia. É claro que no Garota Interrompida, eh, a gente vai perceber comportamentos mais não tão comuns que a gente vê como ansiedade e depressão que são assim, por exemplo, 70% da clínica 4:10:55 de psicologia. Mas é interessante porque esse olhar para o paciente a gente pode ter em qualquer diagnóstico. >> Exato. Ó, eu estou só comprimindo o teu arquivo, é, pra diminuir ele, pra poder inserir, mas eu gosto muito do, do filme, que é um filme que ele dá, é da década de 90 esse filme? >> É, ele é de 99. O livro, é, é com base na Susanna, que ela realmente foi internada em uma instituição e ela escreveu, é, ela foi internada na década de 60. Ela escreveu esse livro e ela publicou em 93. E aí, é, fizeram a adaptação para o cinema em 99. Mas ele continua várias coisas assim, continua muito atuais, principalmente na questão de, é, como a gente elabora um diagnóstico, como a gente confirma um diagnóstico, como que é esse processo. 4:11:56 Porque, é, me dói muito quando eu vejo, não só psicólogos, tá gente? Eu quero deixar muito claro. Eu ouço de profissionais de saúde estereotipando um paciente, por exemplo, ah, aquela lá é a Border, aquela lá é a Bipolar, aquela lá, aquele lá é o TDAH. E a gente esquece que o diagnóstico é uma das partezinhas daquele indivíduo. E, e esse filme ele retrata muito isso. >> Exato. E como que você compreende a, a importância do filme na percepção do sofrimento psíquico? >> Eu, eu gosto de, de perceber assim, eu gostei muito de perceber no filme o quanto muitas vezes, quando o profissional ele tá tão focado em encontrar um diagnóstico, que ele acaba esquecendo do, o impacto disso, assim, é, tá, é, é Border, é Bipolaridade, é TDAH, tá, mas assim, e o sofrimento daquele indivíduo? Que que eu vou fazer a partir disso? Eu dei um nome, mas 4:12:57 e o restante? Qual que é o meu plano de intervenção? Como que eu posso ser, né, parte da rede de apoio daquele paciente? Porque quando a gente coloca, totaliza aquele indivíduo como apenas o diagnóstico dele, a gente tá ignorando as potencialidades, nós estamos justamente, como você disse, ignorando o sofrimento daquele paciente, ignorando o contexto que ele vive. Então, esse esse filme, pra mim ele é assim, é, ele é um tapa na cara de qualquer profissional, porque ele justamente é pra causar desconforto. Ele não é um filme pra você sair leve, é um filme pra você sair reflexivo, tipo, como pode? O que que eu posso fazer diferente, né? São, ao mesmo tempo que a gente tem que pensar que é um contexto da década de 60, então termos, é, intervenções são correspondentes a essa década, 4:13:59 o que que a gente ainda vê presente nessa década, o que que a gente pode fazer como modificação pra mudar isso, pra tornar mais humanizado o nosso atendimento. >> Ó, já tô com o seu slide aqui, tá? Quando você precisar que passe ele, eu tô aqui. >> Perfeito. É, então, o tema da da minha palestra vai ser Garota Interrompida sobre o Transtorno de Personalidade Borderline, sobre a instabilidade emocional, identidade, relações e manifestações clínicas. Antes de tudo, é como falei, eu falaria sobre horas sobre esse filme, porque ele tem muitas, muitas camadas. Mas, é, a minha análise, toda a minha proposta foi fazer justamente um um afunilar pra Susana, que é a protagonista do filme. É claro que eu vou citar outros outros personagens, porque eles né, contribuíram pra a da Susana e todo o desdobramento. 4:15:00 Mas assim, o meu recorte é sobre a Susana, né? Pode passar. E aqui aprofundando mais sobre, sobre mim, eh, eu sou de Embu Guaçu, São Paulo, uma cidade da Grande São Paulo. Eu sou formada desde 2016, então tenho mais de 10 anos de experiência na clínica. Eu sou pós-graduada pela Universidade de Santo Amaro em Psicologia Social e em Neuropsicologia, mas além disso eu tenho vários cursos de formação na área da TCC, eh, fiz um curso, eh, para, eh, sobre Borderline pela USP também, de formação. Então, eh, esse tema de, sobre o Border me interessa muito. Pode passar. E aqui eu trouxe uma pergunta para cutucar mesmo, para causar realmente desconforto, assim como o filme. Quando alguém recebe um diagnóstico 4:16:01 psiquiátrico, nós passamos com, a compreender melhor essa pessoa? Ou começamos a enxergá-la apenas por aquilo que consideramos patológico? Ou seja, quando a gente recebe aquele paciente na clínica, você olha o todo, além do diagnóstico, ou você resume ela àquele, aquele diagnóstico e começa a tentar, eh, colocar a pessoa na forma do diagnóstico? Pode passar. Mas afinal, o que que é esse filme da Garota Interrompida? Como falei, ele é de 99, ele é baseado no relato autobiográfico da Susana. E que que que A Susana, ela buscando aliviar o sofrimento, ela tenta suicídio é, com um pote de aspirina e consome uma 4:17:02 garrafa de vodka. E diante dessa tentativa, né, dessa, que eles consideram, dessa tentativa de suicídio e de uma consulta extremamente breve com um psiquiatra eles, é, sem qualquer tipo de acolhimento, eles internam a, a Susana. Para vocês terem uma ideia, ela ficou um ano e meio internada com pouquíssimas informações sobre o diagnóstico dela. Pode passar, por gentileza. Mas quem que é essa, quem é a Susana? É uma jovem que ela está no processo de transição entre finalizar o high school, né, o, o ensino médio, para o ingresso da faculdade. Só que ela não tem ideia de onde ela pode cursar faculdade, qual curso, o que ela quer trabalhar, onde ela quer morar. Então, a, ela é pressionada pelas pessoas à volta dela para ter um posicionamento 4:18:03 e também se culpabiliza por não ter esse comportamento, não ter esse, esse direcionamento muito claro do que que ela quer. E uma coisa muito marcante é, é o quanto as pessoas, ao mesmo tempo, comparam ela com outras pessoas. A família, ela tenta mostrar a Susana de uma outra forma, deixar as coisas como uma grande fachada e, mas também não, não buscam entender o porquê que ela tem se sentido perdida, é, não tem conversado sobre o futuro dela, apenas é, não tem nada de suporte no, na família da Susana. Pode passar. E aqui a gente, eu trouxe um trecho, né? Esse, essa consulta, um trecho da consulta rápida que ela teve com o psiquiatra. Então, para quem não tá enxergando, é, ele, ele fala: "Olha, há quatro dias você tomou um vidro de aspirina com um 4:19:04 litro de vodka". E ela falou: "Estava com dor de cabeça". Então, ele em nenhum momento questionou é, o que que ele sabe do sofrimento da Suzane? Mas se ela, ela tentou isso, por que que ela tentou isso? O que que ela queria estancar com esse tipo de comportamento? Que emoção, que sensação que desencadeou? O que que ela fazia antes de consumir esse vidro de aspirina com um litro de vodka? Investigar o contexto, o risco. Ela tem chance, tem chance dela fazer isso novamente? Ela já fez isso anteriormente? Como que ela tem outras possibilidades, né? Outras, é, em caso de um sofrimento intenso da mesma forma. Como que ela age além dessa, dessa situação? E ele simplesmente nega tudo isso e interna de uma forma, para quem assiste, para quem não assistiu, ele simplesmente não dá nem a 4:20:05 chance dela se despedir da família, de amigos, enfim. Ele simplesmente chama um táxi, coloca lá num táxi e leva, é, que despacha ela para um, para internação. Em nenhum momento ele senta, conversa sobre o diagnóstico, explica sobre a crise, aprofunda. Ele simplesmente tem essa Ela fez isso. Vai para internação. E aí eu trago uma reflexão também do tipo, quando a internação é realmente necessária? Né? O que que é considerado risco para uma internação? Quanto tempo de internação? Então, ah, ela é necessária, tá, mas quem define eh, essa internação? Quem define a duração? Como que eu vou trazer isso para o paciente? Pode passar. Aqui é o doutor Melvin, que é o o 4:21:06 primeiro psiquiatra que a que a Suzana teve contato na na instituição. Os próprios as próprias internas da instituição têm pouquíssimo vínculo com ele, têm desrespeito e ele mesmo eh, tem uma prática bem duvidosa, por exemplo, eu passo uns trechos da Suzana se abrindo e ele dormindo. Então, não tem essa esse vínculo, essa aliança terapêutica ali constituída. E para vocês terem uma ideia, a Suzana ela só sabe do diagnóstico dela, ela só passa a saber do diagnóstico dela em uma consulta com os pais, os pais compareceram eh, na instituição e aí nesse em meio a essa confusão que foi a devolutiva o médico informa sobre o diagnóstico. E a Suzana até então não sabia de nada. Ele nem se deu trabalho de explicar o 4:22:06 diagnóstico. Depois que ela vai no rádio consultório tem acesso à pasta dela procura um livro a respeito e aí ela começa a ler um trecho sobre alguns critérios sobre o diagnóstico e mesmo assim ela se sente muito rotulada, porque é justamente isso que ele fez, ele rotulou, ele não fez um trabalho de psicoeducação. O paciente né, ele só vai eh, olhar né, com uma postura de enfrentamento para aquele diagnóstico se ele souber o que ele está enfrentando. Souber o o quanto isso é esperado do diagnóstico, quanto não é. É, com perceber quais, é, situações disfuncionais vieram desse diagnóstico e como que esse paciente pode lidar a partir disso. Então, tudo isso é psicoeducação. Coisa que eles não tiveram nesse nesse 4:23:07 momento. Pode passar. Mas afinal, o que que é o transtorno de personalidade borderline? O border, é, segundo o DSM, nós temos nove critérios. Dentro desses nove critérios, para para ter o diagnóstico, né, fechar o diagnóstico, né, do transtorno border precisam, a pessoa precisa ter cinco ou mais critérios comprovados. É claro que existe, para vocês terem uma ideia de o quanto é complexo e tem uma variação a gente entra até numa parte de probabilidade matemática. Mesmo que a gente pegue 10 indivíduos com só cinco critérios ali, a gente vai multiplicando para vocês terem uma ideia, no total existem 256 4:24:08 possibilidades, variáveis do transtorno borderline. 256 é muita coisa, gente. Então, não dá, se você pegar 10 pacientes seus diagnosticados com borderline, eles vão ser completamente diferentes do outro. Por isso que é interessante é, compreender a intensidade e a duração de cada um desses critérios. Eu trouxe alguns aqui, principalmente, ó, instabilidade emocional intensa. Então, é um paciente que vai oscilar muito de humor. E quando eu falo de oscilação, eh, é o no mesmo dia ele pode ter, ele ou ela, pode ter inúmeras emoções. Então, acordar super bem, aí tem uma frustração, já tem uma crise, aí oscila para a raiva, aí fica muito feliz. Então, é é uma caixinha de surpresas, é uma montanha-russa das emoções. 4:25:10 As dificuldades na construção da identidade. Então, é um paciente que tem uma dificuldade de definir o o que é, o que gosta, né? É, tem um comportamento muito de um camaleão. Para ser aceito, acaba-se, eh, concordando, fazendo, aceitando, gostando certas coisas só para o pertencimento, né? As relações interpessoais intensas e instáveis. Então, principalmente a parte amorosa. Então, é um paciente que sempre vai te trazer muitos conflitos. Conflitos intensos, perdas de emprego, inúmeras, inúmeros términos de relacionamento, eh, brigas com amigos. É um paciente, porque assim, como, né, vamos pensar na na equação, uma instabilidade emocional mais baixa tolerância à frustração, 4:26:10 somadas, né? Qualquer coisa que aconteça já tem uma leitura extremamente distorcida da situação. A impulsividade e comportamentos de risco. E aqui é muito importante ressaltar. Comportamento de risco a gente não vai considerar apenas a automutilação do corte. Comportamento de risco. Peguei, recebi o meu salário, gastei todo em algo totalmente a ver, sem pensar nas minhas contas gerais. Ou peguei, me envolvi em empréstimos sem pensar de forma racional. Fiz sexo com diversos parceiros ou parceiras sem a devida proteção. Uso de substâncias químicas, uso de álcool. É, enfim, direção perigosa. Então, é, compulsão alimentar. 4:27:12 Compulsões no geral. Então, é, é outro ponto, porque eu, eu percebo muito que acabam rotulando apenas, ah, o paciente se corta? Não, ah, então ele não tem comportamento de risco. Não. É tudo que compromete a estabilidade, a qualidade de vida daquele paciente. A impulsividade, não somente ao agir, mas ao falar também. Porque muitas vezes o paciente ele entra nessas relações, esses conflitos interpessoais por conta de algo que falou ou que ouviu ou que reagiu diante da fala do outro. Não chegou a processar, a criar uma estratégia. O medo do abandono e dificuldade de regulação emocional. Então, pela necessidade intensa de per, de pertencer, estar vinculado, a pessoa muitas vezes se coloca em situações só para agradar o 4:28:13 outro e não ser rejeitado. Né? As emoções, como elas são muito intensas, a impressão é que elas dominam a vida do indivíduo, não o indivíduo que consegue regular as emoções. A amígdala, ela faz justamente esse reajuste. Num border, o cortisol, que é o hormônio do estresse, e a amígdala, ela tem um desregulamento, ela tem uma são desreguladas. Então, a forma é é é um transbordar de emoção mesmo. Então, é uma raiva, é a raiva, é uma tristeza, é a tristeza. Aqui, alegria também, alegria, amor, é tudo muito, multiplicado por um milhão. E por último, de traço, é é considerar a história de vida, os contextos e os prejuízos. Então, por exemplo, um paciente chega na sua clínica, sem diagnóstico, tá? Ele fala assim: "Olha, eu briguei com o 4:29:15 meu chefe, pedi demissão, saí chutando tudo". Aí você pergunta: "Você fez isso em outras ocasiões da sua vida? Qual que foi o contexto? O que que te levou a fazer isso"? Porque muitas vezes é uma situação toda uma situação única de explosividade. Então, é um cuidado, por exemplo, é o psiquiatra, ele não teve tato com a Susana de entender a recorrência do comportamento de risco dela. Ele simplesmente rotulou e mandou para internação. Pode passar. 4:29:57 Aqui eu vou aprofundar na identidade. Geralmente, novamente, eu não vou estereotipar, mas um coisas bem comuns. Na psicopatologia, a gente vai olhar muito para a imagem do paciente. Então, pequenos sinais, por exemplo, as cores que o paciente usa de roupa, eh, estampas, o cuidado, a higiene daquele paciente, eh, mudanças drásticas de aparência. Geralmente o border, ele tem uma baixa autoestima, tem uma tendência a ter transtornos alimentares. Então, o paciente que essa questão corporal, principalmente, tem uma oscilação muito grande. Então, o o a paciente pode chegar com uma cor, um cabelo rosa, super feliz, e no outro atendimento chegar com a cor, o cabelo preto, cortado e 4:31:00 mal, com ideação suicida. Eh, num dia chega dizendo que vai cursar direito e já se matriculou na universidade e no outro não sabe o que vai fazer a partir de então. Então, essa dificuldade de estabelecer metas, de entender o papel no mundo, é muito marcante. E na Susana a gente percebe muito, em vários momentos, tanto é que no final, eh, não sei se vocês lembram, tem uma mesa, uma reunião logo antes de ela ter alta, que questionam ela: "O que que você vai fazer a partir daqui?" Ela E aí eles só se sentem, é uma das coisas que que fazem eles se sentirem seguros para dar alta, é quando ela fala: "Olha, meu pai alugou um apartamento, ele conseguiu um trabalho de meio período em uma livraria, eu quero escrever um livro, quero ser escritora". Então, a partir do momento 4:32:01 que ela começou a definir o que ela quer, quem ela é, ela já quebrou, né, uma um comportamento disfuncional que tinha sido muito marcante na história dela. Pode passar, por gentileza. 4:32:25 Mas afinal, o que que é essa famosa desregulação emocional? A desregulação, ela não é a gente tampar o sol com a peneira e falar assim: "Nem a gente, nem o paciente vai sentir nada". As emoções, eu brinco que elas são o nosso, elas vieram com o nosso pacote básico do Windows. Então, todo mundo, independente de credo, de país, de, enfim, de qualquer lugar, a gente nasce com emoções. O que que difere? Como a gente reconhece, tolera e modula as emoções. Então, todo mundo sentiu raiva alguma vez na vida, né? Todo mundo se sentiu alegre, todo mundo amou, de certa forma. Que que difere, por exemplo, um paciente com Border, né, de alguém que não tem o diagnóstico? Essa capacidade de 4:33:26 reconhecer, tolerar e modular. Então, sinto raiva. O que que é raiva, o que que é tristeza, o que que é ansiedade? É tudo tão intenso que vira uma, uma bola de neve. E é difícil colocar cada coisa na sua caixinha e pensar em possibilidades. Então, voltando à situação da, da Susana, ela mesma diz que ela não tentou suicídio quando ela tomou a o pote de, ela ingeriu a, o pote de, de aspirina e a garrafa de vodka. Ela queria parar o sofrimento. Então, aqui é um, um, um, ponto muito importante, a gente diferenciar o que que é ideação suicida de tentativa de suicídio e autolesão. Parece tudo a mesma coisa, mas não é. Um paciente, ele pode se cortar, isso pode ser indicativo 4:34:28 de um comportamento, né, de uma ideação suicida mas não necessariamente vai se enquadrar. Então, cada caso é um caso. Não coloquem todo mundo em uma mesma caixinha. E quando o paciente ele tem essa dificuldade, nessa desregulação emocional ele, é, isso interfere na capacidade de pensar, decidir e agir de uma maneira assertiva. Então, pensa só, se eu sinto uma raiva vezes 1.000 aquilo me transborda, sofri uma situação que me desestabilizou muito. Eu vou conseguir pensar com racionalidade? Né, se eu não tiver uma estratégia para tomar uma decisão? Claro que não, dificilmente. Se eu estiver triste, né, por exemplo, tem uma cena que ela não quer levantar da cama, ela não quer colocar as roupas, ela tá de 4:35:30 Aline, fugiu o nome daquele, é um avental? É um aquela roupa branca. >> Ah, sim, que é, é, é um colete, né, de de contenção, não é isso? Só que o, o nome específico eu também >> aquela, é aquela roupa que usa quando a gente fica internado no hospital. Me fugiu agora o nome, mas ela, ela se entregou tanto que ela usou aquela roupa, lá era liberado usar roupas normais e ela não levantava, ela não comia e aí tem a cena que a enfermeira pega e ela joga na banheira. Mas o ponto é, ela ficou tão triste, né? Com a fuga da Lisa, com o sumiço da Lisa, que ela vai mergulha de vez naquela tristeza, a ponto de não conseguir ter movimentos básicos de autocuidado, como comer, tomar banho. Pode passar. 4:36:41 E um outro traço marcante, é Na impulsividade e comportamentos de risco. A impulsividade, ela acontece como uma forma de aliviar o sofrimento. Só que pensa só, imagina que eu busco aliviar meu sofrimento através de drogas. Então eu estou muito triste, uma situação que me derrubou completamente, vou e uso drogas. Depois que passa o efeito da droga, eu me sinto culpada. E aí para lidar com a culpa, eu faço o quê? Uso droga novamente. Então vira um ciclo. Que é um outro comportamento bem, é, comum nessa, nessa impulsividade e comportamentos de risco. Lembrando que esse sinal e sintoma é presente em outros diagnósticos também. Mas no Border, no Border ele é extremamente evidente, é um dos principais assim, 4:37:42 que a gente nota. É, o alívio, né? Como eu disse, pode ser seguido por consequências negativas, criando esse ciclo. E na clínica, nós precisamos compreender o que que antecede esse comportamento, o que que ele produz e quais alternativas que você pode eh, pode podem ser construídas a partir disso. Então, por exemplo, o paciente vira para você e fala: "Olha, eh, eu tive uma recaída com cocaína porque eu briguei com a minha família". Então, briga com a família, identificamos o gatilho. Como que você pode lidar com esse conflito sem necessariamente recair a cocaína, recair na droga, na na substância química. Então, junto com o paciente, você vai elaborar um plano, né? De acordo com o contexto dele. Nunca você vai ficar no eterno copia e cola, né? Como eu falei, existem 256 4:38:46 tipos de borderline. Então, o que funciona para um, não necessariamente vai funcionar para outro. Por isso a complexidade desse diagnóstico. Pode passar. O medo de perder o outro. Na durante a internação, a Susana, o em uma das internas, ela encontra muito uma conexão muito forte, que é com a Lisa. A Lisa, eh, segundo o filme, ela é diagnosticada com ela é uma sociopata. E ela de é um comportamento extremamente instável e prejudicial, principalmente para a Susana, porque ela se coloca, por exemplo, num risco de fugir no meio da noite sem qualquer tipo de plano, totalmente impulsiva, vai para um bar com desconhecidos, entra em carro de desconhecidos, vai parar na casa da Daisy, que é uma outra 4:39:46 personagem que eu vou falar mais à frente. E E, fazer no outro dia o é, para trabalhar na, na suposta inauguração da Disney. Então, e tudo isso para não ficar longe da Lisa. Porque no início do filme, um, um namorado convida ela para fugir com ele e ela não aceita. Mas com a Lisa, ela não pensa duas vezes. E na, no Border, quando a gente começa a estudar, a aprofundar, um, um, nós temos um conceito que é informal. Que é a pessoa favorita. Então, geralmente o paciente é, o paciente com Border, ele elenca. De forma consciente? Não. Mas é um vínculo tão intenso e uma dependência emocional tão grande que quando ele percebe, aquele outro ou outra, tem um poder gigantesco sobre ele. Então, por exemplo, é, a minha melhor 4:40:47 amiga é minha pessoa favorita. E aí, ela demora para me responder. Então, quer dizer que ela vai me abandonar. E aí eu faço, eu me mutilo por conta disso. Que aquilo, essa rejeição, essa suposta rejeição é muito intensa. Ou então, essa pessoa me coloca em um comportamento de risco. Como a Lisa coloca a Susana. Eu vou aceitar só com medo de não perder o outro. Então, ao que tudo indica, pensando de forma totalmente informal, gente. A pessoa favorita da Susana é a Lisa. E a Lisa Mas aí, a, a, a pergunta que não quer calar, o que que a Susana encontra na Lisa que parece não encontrar nas relações, tanto com os profissionais da instituição tanto quanto a família dela. Porque tem um outro trecho que o, o psiquiatra falou assim: "Você quer ir para casa?" Ela falou assim: "Lá é igual." Porque, é, ela fala que só tem louco. Aí 4:41:48 falou: "Que é para casa? Não, lá é a mesma coisa". Ou seja, ela não tem, ela não se sente pertencente naquela família. E com os profissionais, pensa só, você se abre para um psiquiatra, o psiquiatra adoece. Não explica o diagnóstico de maneira, né, é, acolhedora, assertiva. E a Liz, ela vem como uma forma de acolhimento. De um lugar, é, minimamente conhecido, íntimo. Mas o quanto colocou ela em risco, porque ela deixou de tomar as medicações por influência da Lisa. Ela deixou de aderir a muitas partes do acompanhamento dela e se vincular à nova psiquiatra, também por influência da Lisa. Então, é o perigo de, de acabar, é, se vinculando a uma pessoa como essa. É interessante perceber quando um paciente borderline chega à clínica, é, 4:42:50 o, quem é a pessoa favorita dele ou dela. Quase certeza, ele, ele vai ter. Então, ah, é o namorado, é a namorada, é o amigo, é uma amiga, é a família, é quem? Geralmente é um ponto de suporte. E é interessante trazer essa pessoa, em algum momento, para você ter um contato e entender, né, essa outra perspectiva do outro. Não fazer um, um atendimento com as duas pessoas, mas ter um atendimento extra para conhecer mais da história daquele indivíduo. Pode passar. 4:43:33 Tem uma personagem que é a Daisy. Ao que tudo indica, ela foi abusada sexualmente pelo pai e ela tem transtornos alimentares. O caso da Daisy é extremamente complexo. E em uma parte do filme ela se suicida. Ela fica sem acompanhamento, ela tem comportamento de automutilação também. E ele marca é uma um divisor de águas na vida da Susana. Porque até então ela colocava a Lisa num pedestal e a seguia sem questionar, né, duas vezes. E a partir disso, vendo as falas da Lisa, a atitude dela ela percebe, é um choque de realidade. Do tipo vamos olhar para para as pessoas ao redor, vamos ver a dor das pessoas ao redor, a vulnerabilidade, o quanto as nossas ações 4:44:34 é marcam o outro, o quanto o meu enfrentamento no diagnóstico. Porque ela até então, como eu disse, ela não enfrentava, ela não tinha uma auto responsabilidade também sobre o tratamento dela. Então esse acontecimento da Daisy foi uma forma dela começar a abrir os olhos. É um processo. Mas ele foi um divisor ali, se você perceber no filme, entre ela olhar de uma maneira diferente para essa internação. Pode passar. 4:45:09 Mas Kim, como que a gente pode lidar com isso na clínica? Primeira coisa, compreender o diagnóstico. Então é realmente transtorno bipolar? Não é? Conversar com a equipe multi. Então com o psiquiatra, com quem quer que com que com quem quer que esteja acompanhando aquele paciente. Entender o contexto e aí sim trazer o diagnóstico do transtorno borderline. E além disso, aqui entra a psicoeducação do paciente também. Para que o paciente dê o nome, mas consiga entender o que vem atrelado a ele. O segundo ponto é aliança terapêutica. Então, como eu vou eh criar um vínculo de confiança e respeito com aquele paciente? Porque você vai fazer parte da rede de suporte dele. 4:46:09 Como que ele vai validar a sua prática profissional? Como que ele vai entender que uma situação de crise ele pode contar com você? Terceiro passo é a validação emocional. Então, vamos pensar eh que o paciente e assim, validação vou usar um termo, um, uma expressão, não é passar pano para tudo que o paciente trouxer na clínica. A validação é você acolher, mas buscar eh reflexão e compreensão do que aconteceu. Então, imagina que o paciente chega e fala assim: "Olha, eh a minha amiga demorou para responder uma mensagem que eu mandei e ela hum isso só comprova que ninguém gosta de mim, que ela é, eu sabia que ela ia me abandonar". Uma coisa é você chegar para ela e falar assim: "Ah, não, você tá exagerando". Ou então: "Ah, realmente, você tem razão, 4:47:11 ela não se importa com você". Pronto. Esquece a aliança terapêutica, esquece validação emocional. Zero compreensão, zero acolhimento. Agora, quando eu olho eh e falo: "Nossa, eu percebo o quanto você se sentiu rejeitada diante dessa postura da sua amiga. Mas vamos entender o que aconteceu, o que que te ativou? Vamos entender o contexto? Entende que eu mostro que o paciente está em um lugar seguro, mas eu também aprofundo aquela situação. Porque muitas vezes essa situação de rejeição que ela está é ativada com essa amiga, ela já vivenciou em outras situações e talvez até recorreu a esses comportamentos de risco. O quarto ponto é a regulação emocional e a tolerância ao mal-estar. É entender, né, o paciente ele vai passar a entender justamente do nosso pacote básico de emoções, do tipo: você 4:48:14 vai sentir raiva, você vai sentir tristeza em algum momento. Mas até que ponto isso é tolerável ou não? Hum. O paciente ele vai se fortalecer nessa tolerância à frustração. Eu não vou recorrer a comportamentos de risco toda vez que eu me desregular. E como eu posso me regular? O quinto passo é a avaliação de risco e o manejo de crise. Então, junto com o paciente, junto com o paciente, você vai elaborar, elaborar um plano individualizado de crise. Então, por exemplo, tive uma crise de ansiedade, indiferente sobre o motivo. Diferente motivo. Qual que é o passo a passo que o paciente vai fazer para não cair em uma situação de risco? Então, ah, é, eu vou ligar para tal pessoa, eu vou, é, ter um um uma medicação de 4:49:16 crise, eu vou explorar o meu sensorial, eu vou ir para tal lugar que isso me acalma. Então, como que o paciente vai lidar, né? E nessa, nesse manejo também é importante o paciente entender as possibilidades que ele tem, porque até então, quando você inunda, transborda por emoção, né, e o seu sofrimento é tão grande que você acha que só tem uma maneira de acabar com aquilo. E por último, a psicoeducação familiar. Então, a família tem um papel importantíssimo, porque assim como você, ela também, você, o psiquiatra, enfim, ela também faz parte da rede de suporte daquele paciente. Pode passar, por gentileza. Aprofundando na validação emocional, 4:50:17 eu gostei muito desse trecho, que é essa enfermeira que ela mais se vincula, que é a Valerie, com a Susana, e ela tem uma postura muito de, de, de choque, assim. Então, por exemplo, ela, ela tá, é, como eu falei, com, com roupão, deitada, não querendo comer, não tomar banho, ela simplesmente pega a Susana no colo e joga na banheira. Então, assim, nos dias de hoje, nem preciso falar, mas naquela época foi a forma que ela encontrou para dar esse chacoalhão na Susana. No tipo assim, tá, mas o que que você vai fazer a partir do seu diagnóstico? É quando as pessoas vão escolher por você, é quando você vai se tornar protagonista ali da sua, da sua própria história. E essa, essa cena, esse trecho aconteceu quando ela retornou da casa da Daisy. Por que que acontece? Quem descobre o corpo da Daisy é a Susana. E aí a, a Valerie pergunta para ela, falou assim: 4:51:17 "Se você pudesse falar com a Daisy", porque ela está em sofrimento por conta disso, ela, "Daisy era uma, uma interna, uma amiga dela na instituição. O que que você falaria? E e aí ela traz, né, que eu nunca vou saber como é ser ela, mas que eu sei como é querer morrer. Como dar e sorrir. Tentar eh se encaixar, mas não conseguir. Como é machucar do lado de fora para tentar matar o que tem dentro. E entra muito no comportamento de automutilação. Muitas vezes o paciente ele se corta, né, machuca o físico para tentar durante alguns segundos, alguns minutos encobrir uma dor interna. E a validação é justamente isso. Investigar as interpretações, eh reconhecer a intensidade da dor. É justamente acolher e compreender. Pode passar. 4:52:18 Eu aprofundei também na regulação emocional e na tolerância ao mal-estar. Vou passar brevemente, porque eu entendo que o meu tempo está curto, mas identificar os gatilhos, entender o que que desregula aquele paciente, criar um reconhecimento descalado emocional, não deixar que o paciente só perceba que existe uma estratégia quando o nível da raiva dele for 1.000. É começar a entender desde do início os primeiros sinais e sintomas. Então, como que seu corpo fica quando você está com raiva? Ah, aqui eu sinto que os meus ombros ficam tensos, a minha fala, né, fica mais acelerada, o meu tom de voz. Então, para o paciente começar a ter essa consciência emocional e corporal. Vai criar junto com ele estratégias de tolerância ao mal-estar, né? Como que o paciente vai lidar com situações de desconforto, de sofrimento. Treinar respostas alternativas para momentos de crise. 4:53:20 Tem uma um tem um grupo de habilidades sociais que trata geralmente eles têm duração de seis meses, um encontro por semana que eles aprofundam muito nisso, em possibilidades. Por exemplo, tem o o TIP, né? Que tem o da bacia com pedrinhas de gelo para você fazer esse choque corporal, você molha aqui nessa água gelada. Faz esse reset. Então, que coisas que o paciente coloca consegue fazer de forma simples para conseguir sair de um momento de crise. E principalmente ampliar o intervalo entre o sentir e o agir, ou seja, diminuir a impulsividade daquele paciente. Ele entender que ele deve e pode agir, mas de maneira certinha. Pode passar. E a psicoeducação familiar? Aqui é uma cena muito interessante que é justamente a cena que a Suzana descobre que 4:54:20 que tem um transtorno, mas como a família em nenhum momento procura acolher ela diante disso. Eles simplesmente a mãe fala é o trazem a história de ser hereditário e aí o médico traz e realmente é como fala, é verdadeira essa informação, né? Que a chance da pessoa é é, né? A chance de de um parente de primeiro grau, né? Ter o transtorno é o filho, a filha é de um para cinco mesmo. É uma chance é bem grande. E o quanto ela fica mais preocupada sobre a possibilidade dela ter do que necessariamente acolher a filha, entender a dor da filha. A família, ela é vai ser a fonte de apoio, não é uma função do terapeuta. Mas, é, auxiliar a família nesse processo é para que eles entendam, é, o que que é 4:55:23 característico do transtorno, como eles podem relembrar aquele paciente em momentos de crise das estratégias, vocês também podem ensinar essas estratégias para família, é, entender até que ponto eles vão compreender, até que ponto eles vão dar limite também para aquele paciente. Porque em nenhum momento você vai colocar você ou a família em uma redoma em que a gente não pode falar não em nenhum momento. Dar limite também é um ato de amor. Pode passar, por gentileza. E eu acho que a Leni saiu. 4:56:10 Enfim, é, eu vou aprofundar mais na na psicoeducação. Um outro ponto é mostrar, ah, passou. Vou voltar, mas continuando, mostrar para família as formas de comunicação não violenta, porque muitas vezes, não é que a família seja culpada de tudo, mas talvez muitas das dos gatilhos das crises sejam por conta dos conflitos familiares. E aqui eu trouxe a a Marsha Linehan Linehan. A Marsha ela tem uma história muito legal, muito incrível, muito linda. Por que que acontece? Eu sou da TCC, é, mas eu gosto muito da abordagem da da terapia comportamental dialética, a famosa DBT, porque a Marsha, ela foi, é, internada e ela houve o diagnóstico da do transtorno borderline e a a desse diagnóstico ela falou assim: "Eu não quero que ninguém passe pelo que 4:57:10 eu passei". E ela cria uma abordagem. Então, a a terapia comportamental dialética, ela reuniu tanto a conceitos da TCC, quanto práticas de mindfulness, a filosofia zen. É uma técnica muito mão na massa. Então, o paciente, ele realmente se coloca ali como atuante mesmo do do tratamento dele. E eu gosto muito de falar sobre ela, porque apesar de não atuar da abordagem dela, de como ela ressignificou o diagnóstico dela, o quanto ela pegou aquilo que as pessoas muitas vezes consideram como uma fraqueza, como um potencial de ajudar outras pessoas que passavam pela mesma questão. Pode passar. 4:58:05 Obrigada muito pelo pelo pelos minutos, pela atenção. Eu estou totalmente à disposição. Esse é o meu meu Instagram. Tem meu telefone também, meu e-mail. Se vocês tiverem qualquer dúvida, eu vou disponibilizar também os slides. E como falei, no meu Instagram, eu gosto muito de fazer análise de personagem. Se vocês também tiverem, eh, sugestões sobre quais personagens vocês acreditam que seria muito legal eh, que eu fizesse análise, pode me mandar também. >> Maravilha! A gente já disponibilizou, né, as redes sociais também da Kim. E acho que seria interessantíssimo, né, fazer uma análise, né? Já deram várias, eh, o eh, sugestões aqui. Colocaram ponto de i aia, ponto de aia. A Arlequina, de filmes também, acho bem interessante. É, vamos para os parabéns, tá? Os 4:59:07 elogios, tem a Catarina aqui. Simplesmente maravilhosa. É, Maria Luísa, um dia de presentes. É, Denise falou que já vai estar te seguindo, Quênia colocou muito bom. É. Tá. E por um e por todo o comprometimento, que a senhora faz a psicologia que eu realmente acredito. >> Obrigada. >> Denise colocou, estou apaixonada. É, gratidão, foi espetacular a palestra. Catarina tava sentindo sua falta, colocou assim, que bom que você voltou. >> Vou voltar, vou voltar mais vezes. >> É, Janira colocou perfeito. Eu sei que tá dando um pouquinho de delay, mas a gente tá te ouvindo, tá? É, Rosiane, realmente foi muito bom. É, manda o link dos livros, depois você me envia, tá aqui eu, se você quiser 5:00:07 depois colocar no chat também, mas aí no grupo também eu coloco no grupo oficial, se você quiser depois entrar no grupo também. É, aqui o Daniel colocou, eu agradeço professora, a senhora tem uma alma linda. Muito obrigada pela presença. Tá ouvindo? >> Tô, tô ótima. >> Tá bom. Parabéns por tanto carinho e explicar esse tema tão importante. Mais aqui. É, que presente a Conecta Psi está nos oferecendo. Vamos lá. DBT incrível. Ótima palestra. Muitos elogios aqui. >> Ai, você tá nos ouvindo? >> Professora, aqui com a Denise colocou, professora, eu me identifiquei muito com o livro Nunca lhe Prometi um Jardim de Rosas. É uma história muito parecida". Fiquei interessada nesse livro, Denise. >> Eu tenho um livro para recomendar. Eu 5:01:08 vou mandar a a foto para a Aline. É um livro de uma psicóloga que ela foi diagnosticada como borderline e ela escreveu um livro, assim, para mim, é o melhor livro de border. Eu recomendo para todos os meus pacientes, porque ele é uma linguagem muito acessível. Se chama Border e agora. É, vou mandar a capa também para ele. Então, assim, para quem quer usar como psicoeducação para o paciente ou mesmo para compreender o diagnóstico, eu recomendo muito para para ele. >> Perfeito. Maravilha. É, deixa eu pegar aqui. Tem essa pergunta do Daniel que é Não. Pera aí. >> [suspirando] >> Deixa eu ver. É que como tem um x Tá. Professora, quem ele sempre vai ter uma pessoa favorita ou uma idealização de uma pessoa favorita? >> Não é 100% dos casos, mas a maioria vai 5:02:11 ter. Como disse, não é um processo consciente, assim, do tipo, "Mariazinha vai ser a minha pessoa favorita". Mas você percebe que há uma tendência de uma dependência emocional, porque a pessoa precisa ser validada, acolhida por algum lugar, por alguém. Então, essa pessoa é a pessoa que emocionalmente ela encontrou para criar esse vínculo. >> Perfeito. Vou separar mais uma aqui, que é da Neide. Borderline sente ódio e fica maquinando por pensamento, como se vingar de alguém quando está em crise, persegue e idealiza pessoas com sentimentos como ódio, por exemplo. >> Como eu disse, tudo é muito intensificado, então pode ser que o paciente ele entre nesse processo de ruminação diante de uma situação, né, de e rejeição, de 5:03:14 abandono, de conflito. Pode ser que a pessoa aja de uma forma impulsiva, mas geralmente o maquinar não acontece muito, porque ele é tão impulsivo. Imagina, esse ódio é tão intenso, ele não vai esperar criar um plano, enfim. Ele vai agir de uma forma inconsequentemente mesmo. >> Perfeito, perfeito. Eh, finalizando aqui com a mensagem da Sá, estou no primeiro semestre de psicologia, estou amando o congresso, amei a palestra da psicóloga e a mensagem da Bete. Muito obrigada por sua disponibilidade, Kinha, você é brilhante. Aqui ficou com, né, uma, ah, apareceu assim, ó, aí de fato essa, altivez, a gente, ela falou que de fato eu estava com uma instabilidade na internet, mas ela tá vendo e tá ouvindo vocês, então eu quero só deixar o meu elogio e dizer 5:04:15 que as portas da Conecta Psi sempre estarão abertas para você, foi impecável a sua palestra e que você volte e que não fique tanto tempo sem aparecer, que você volte mais, de forma mais breve aqui, que a gente sente sua falta. >> Não, pode me chamar, tô super à disposição. Muitos, muitos compromissos, mas estou de volta, pode contar comigo e é sempre uma honra participar aqui, e sempre muito acolhida, muito querida. E os elogios me fizeram ganhar o dia, a semana. Gente, muito obrigada mesmo. >> E você merece, querida. Você merece sucesso, viu? Depois, se puder, compartilha com a gente lá o grupo, tá bom? >> Pode deixar, vou mandar tudo já agora. >> Beijo, tchau, tchau. E aí, pessoal? Quais estão sendo as considerações de vocês para essa palestra? Eu tô vendo que tem pessoas aqui no primeiro semestre, 5:05:16 tô iniciando. Nossa, que legal, tô gostando, né? Vocês gostam de eventos com esse tipo de temática? É interessante ver a psicologia através de filmes, séries? Podemos pensar em outros eventos como esse? Coloquem aí no chat. Faz sentido para vocês a gente fazer essa percepção da psicologia através do cinema? Perfeito. Vamos para o nosso código de verificação, tá? Nosso penúltimo código de verificação do dia. Estamos indo para a nossa última palestra, mas também uma palestra impecável, porque a profissional, ela é excelente. É um filme que eu, acho que dos que a gente eh inseriu na programação, é o filme mais atual, que é A Substância. É um filme que traz uma reflexão muito contemporânea. E antes de a gente chamar a nossa próxima palestrante, eu vou falar o código de verificação. Lembrando que esse é o quarto código do 5:06:17 dia, que é emocional 26 48. Mais uma vez, código de verificação emocional 26 48. Por último, código de verificação emocional 26 48. E agora vamos receber aqui a Simone. Simone, que já fez palestras falando sobre bipolaridade conosco e agora vai falar sobre um filme bem polêmico, né? Um filme que teve uma repercussão extremamente é intensa, que é A Substância. Então vou subir seus slides, desejo para você uma excelente palestra. >> Muito obrigada, Aline, pelo convite e sempre pelo carinho que vocês têm com nós, profissionais. Vou falar de um Espero trazer uma visão aqui, porque esse filme ele traz, se a gente for parar para analisar, uma várias visões e vários amplicidade, porque é um filme 5:07:20 muito complexo. Então, quando a gente para para assistir, a gente pode ter vários olhares várias perspectivas e vários pontos que o filme pode trazer. E é um filme bem interessante. Quem não assistiu, por favor, vai lá e assiste. Ele é um filme longo, mas dá para você pensar e refletir ali através do sofrimento que a personagem traz. Então, começando, meu nome é Simone Pinheiro. Eu amo falar sobre o transtorno bipolar. Só que eu também gosto muito de falar dessa parte de transtorno dismórfico corporal, essa parte de comparação, porque querendo ou não, a nossa sociedade hoje traz uma comparação muito grande. Quem não me conhece, já vai lá no meu Instagram e me segue, é Simone Pinheiro Psi. Então, vamos começar. Quero trazer aqui para vocês eh agora esse ponto que nós vamos começar a palestra, uma um questionamento que eu quero que vocês anotem essa frase. Reflete muito e nós vamos decorrendo 5:08:22 sobre ela durante a palestra. Até que ponto uma pessoa é capaz de destruir a si mesma para se tornar alguém que acredita que será amado. Eu sei que é uma frase muito complexa, traz várias reflexões, mas é um ponto que eu pensei muito nela e eu queria trazer para o ponto central aqui da nossa palestra para falar do filme A Substância. Então, é, eu quero que vocês guardem essa pergunta, porque nós vamos voltar ao longo da nossa palestra, vamos falar sobre ela. Quando assistimos o filme A Substância, inicialmente nós podemos pensar que estamos diante de uma história sobre uma mulher que ela não aceita envelhecer. Mas será que apenas isso mesmo? Vamos refletir junto. Será que a Elizabeth, a nossa principal atriz lá do filme, ela queria somente recuperar aquela juventude? Ou será que ela queria recuperar tudo aquilo que ela acreditava ter perdido 5:09:23 junto com a juventude? A admiração, o reconhecimento, o desejo das outras pessoas e, principalmente, aquela sensação de ser valorizada. Agora eu quero trazer isso para a nossa realidade do hoje em dia. Quantas vezes vocês já tiraram uma foto? Aí, antes, você olha para ela e fala assim: "Qual que é o meu defeito ali na foto?" Olha a foto e vê se tem uma ruga, se tem uma marca de expressão, se tem, sabe aquela gordurinha localizada, algumas características que vocês gostariam de modificar. E quantas vezes vocês, é, conhecem pessoas que dizem: "Ah, quando eu emagrecer, eu vou para a praia. Quando eu tiver um corpo que eu desejo, eu vou usar determinada roupa. Quando eu estiver bonita, eu vou me sentir segura para viver dentro de um relacionamento." Percebe que muitas vezes nós estamos falando apenas do desejo de mudar a nossa aparência? 5:10:23 Estamos falando de pessoas que começaram a colocar a sua vida numa espera, como se precisasse primeiro alcançar uma determinada versão de si mesma para depois se permitissem viver. E é justamente esse conflito que com que encontramos no filme A Substância. O filme, ele é dirigido, nós e o diretor é maravilhoso, o Coralie Fargeat. Ele utiliza um terror corporal para representar o sofrimento de uma mulher que passa a acreditar que a sua aparência determina o seu valor. E o interessante é que o filme, ele não começa com uma personagem simplesmente acorda do nada um dia e decide odiar o seu próprio corpo, a sua aparência. Ele começa mostrando todo o ambiente em que a aparência é utilizada como critério para determinar quem merece ser continuado sendo visto. Isso muda completamente toda a análise que eu fiz durante o filme. 5:11:25 Porque antes de perguntar se a Elizabeth, ela não consegue aceitar o próprio envelhecimento, a pergunta deveria ser: O que aconteceu com a Elizabeth para que ela eh que ela passasse a acreditar que envelhecer significava ser o sufici, não ser mais suficiente? E a partir dessa pergunta que eu quero é fazer essa análise do filme. Não apenas como uma história de terror, mas como a representação de processos psicológicos que encontram na vida cotidiana e também na prática clínica. 5:12:04 Aqui, ó. Vamos começar olhando para a Elizabeth no Ué. Oh, tô me perdendo nos slides. >> Tá na Elizabeth agora. Agora tá na Sue. >> Na Sue, né? Deixa eu Deixa eu só olhar aqui. >> é a da Elizabeth, que é o segundo slide. >> Isso. >> Ok. A Sue eu vou falar um pouquinho que não tem como falar da da Sue sem antes trazer um pouco da Elizabeth. >> [risadas] >> Tá, vamos começar olhando para Elizabeth primeiro, depois a gente fala com a Sue, da Sue. No início do filme ela está completando 50 anos. É uma mulher que teve uma carreira de sucesso. Ela foi reconhecida pelo público, ela construiu sua trajetória profissional em um ambiente em que a imagem e a juventude são extremamente valorizadas. Mas então ela recebe a notícia que ela já não corresponde mais a esse seu perfil. 5:13:04 E o programa que o programa deseja. Então ela está velha demais. Aí eu quero chamar atenção para vocês de uma coisa. A Elizabeth, ela não perdeu o emprego porque ela deixou de fazer aquilo que ela fazia, que ela fazia muito bem. A questão apresentada pelo filme é que a idade dela deixou de ser correspondente com a imagem que o responsável do programa queria vender. E aqui nós precisamos fazer uma reflexão muito importante. É fácil assistir o filme e dizer que Elizabeth ela precisava trabalhar a autoestima, aceitar o envelhecimento e apresentar que ela gostava de si mesma. Mas será que é tão simples assim? Será que o sofrimento dela é apenas uma questão individual? Porque nós precisamos reconhecer uma grande realidade de hoje em dia da nossa sociedade, que a nossa sociedade ela realmente ela valoriza a determinações de alguns padrões de beleza. Eu sei que é triste falar isso. Nós vivemos em um mundo em que ser jovem, magra, bonita e estar sempre 5:14:06 muito bem arrumada, ele pode influenciar a maneira como a mulher é percebida e ela é tratada. Não somente nós mulheres, homens também. E isso não acontece apenas na lá na indústria cinematográfica, lá na indústria de cinemas. Infelizmente, acontece nas relações sociais, nos ambientes profissionais, principalmente em redes sociais e até nas primeiras impressões que formamos sobre alguém antes mesmo que a pessoa abra a boca. Falando um pouco da psicologia social, ele existe um fenômeno chamado de efeito halo, da atratividade. É uma tendência de atribuir determinadas características positivas de uma pessoa simplesmente porque ela se considera fisicamente atraente. Uma pessoa bonita, ela pode ser percebida inicialmente como mais interessante. Agora é Agora, o que que é uma pessoa bonita? Quem dita isso é a sociedade que 5:15:08 vivemos. Se a gente for olhar para a parte histórica, por padrões de aceitação da sociedade, cada época muda esse padrão. Então, tem um padrão determinado de uma pessoa simpática, competente, mesmo ainda que não temos informações suficientes para avaliar essas características. Isso não significa que todas pessoas bonitas, elas recebem privilégios em qualquer situação, mas significa que a aparência, ela pode influenciar no nosso julgamento, principalmente naqueles três primeiros segundos que você olha a pessoa. Agora pense comigo algum um ponto muito interessante. Em poucos segundos, nós já começamos a construir a impressões de alguém. Antes mesmo de conhecer a sua história, o seu valor e a sua capacidade. Agora imagina o impacto disso em uma sociedade que ela associa a aparência feminina à juventude. Uma mulher, ela envelhece e ela começa a perceber e a receber menos atenção. 5:16:10 Um ganho de peso, passa a ouvir comentários sobre o seu corpo. Quem nunca ouviu aquela palavra assim: "Nossa, filha, você engordou, né?" Gente, a gente tem espelho, então ninguém precisa vir falar que a pessoa engordou. Tem esses comentários dentro do ambiente que nós vivemos. Outra, ela é criticada porque se veste ou não se apresenta de maneira de socialmente esperada. Quem nunca viu aquela pessoa que se pode estar no ambiente, num shopping, está se vestindo diferente, que tem aquela personalidade, se veste diferente. As pessoas param, as pessoas olham. Tem até alguns vídeos no Instagram que colocam pessoas vestindo diferente para passeando no shopping e ela atrai olhar o tempo todo, às vezes de admiração e às vezes de julgamento. E essas experiências, elas não são imaginárias, elas são reais. Elas podem representar situações reais de discriminações. Por isso, quando uma paciente chega no consultório dizendo que se sente que as 5:17:12 pessoas a tratam de maneira diferente por causa do seu corpo, nós não podemos simplesmente afirmar que são coisas da cabeça dela. Precisamos investigar se ela realmente é recebeu preconceito, que muitas pessoas recebem, como que ela foi rejeitada, se já recebeu comentários depreciativos, se já percebeu diferenças no seu tratamento por ser diferente. Porque existe uma diferença muito importante entre uma interpretação distorcida e uma experiência uma experiência real discriminação. E o filme, ele mostra exatamente isso. Elizabeth é realmente rejeitada por envelhecer. O sofrimento dela não surge do nada. Existe um contexto social contribuindo para aquilo que ela está vivenciando a todo momento. Mas aqui nós chegamos no segundo ponto que consideramos essencial. Uma coisa é reconhecer que a sociedade discrimina 5:18:13 certos corpos, outra é transformar essa discriminação em uma definição de próprio valor. Vocês conseguem perceber ali a diferença? Eu posso reconhecer que eu vivo em uma sociedade que valoriza a juventude. Mas isso não significa que a minha idade determina o quanto eu mereço ser amada, respeitada e valorizada. Quando Elizabeth perdeu o emprego, ela não experimenta mais essa perda profissional. Aquela rejeição parece atingir de uma maneira como ela compreende quem ela é. E isso nos leva ao conceito de autoestima contingente. A autoestima contingente, ela acontece quando a avaliação que uma pessoa faz de si, depende excessivamente de certas condições externas. Eu sou vaidosa quando eu sou elogiada. Eu sou desejável quando eu sou bonita. Eu sou importante quando as pessoas me 5:19:15 admiram. O problema é que quando essas condições elas mudam, a percepção de valor também começa a desmoronar. E nós precisamos lembrar que o corpo da gente muda. O envelhecimento, ele faz parte da existência humana. Mas se uma pessoa construiu grande parte de sua identidade em torno da sua juventude, envelhecer, por exemplo, pode ser uma ameaça à sua própria identidade. Então ali vem o ponto que Elizabeth ela criou toda a personalidade dela na juventude dela. Então quando ela envelheceu, quem ela era? Ela já não sabia mais. Então ela se perdeu toda ali na identidade dela. Agora eu quero fazer uma pergunta para vocês. Se a mulher ela passa grande parte da vida ouvindo que precisa ser jovem, igual Elizabeth ou vinho, magra e bonita para ser desejada? Até que ponto podemos nos surpreender quando ela começa a sofrer e perceber 5:20:16 que está envelhecendo? É uma reflexão para vocês irem fazendo. Isso não significa retirar a responsabilidade pelas próprias escolhas. Significa compreender o sofrimento psicológico não acontece isoladamente. Ele é influenciado pela história de vida, pelas crenças individuais e pelo o ambiente social. E talvez a primeira grande crítica do filme seja justamente essa. Elizabeth não começou odiando a sua própria imagem sozinha. Ela não vivia em um ambiente que associava o seu valor à aparência, até que essa exigência passou a fazer parte da maneira como ela enxergava a si mesma. E é nesse contexto que surge a substância. Uma promessa de recuperar tudo aquilo que Elizabeth tinha perdido. Agora vamos falar da Sue. Eu acho que assim se pronuncia. Então chegamos na nossa Sue. 5:21:17 Quando Elizabeth, ela utiliza a substância, surge uma versão mais jovem de si mesma. A Sue, ela tem juventude, ela tem beleza e todas aquelas características que Elizabeth tinha perdido. E rapidamente Sue começa a conquistar aquilo que Elizabeth já não conseguia mais manter. Ela é escolhida, ela recebe elogios, ela passa a ser admirada e começa a ocupar exatamente o espaço que antes pertencia a Elizabeth. Mas existe um detalhe fundamental nessa história. Sue e Elizabeth, elas são uma só. Apesar que o filme apresenta dois corpos, existe uma única existência compartilhada. E isso nos permite fazer uma interpretação psicológica muito interessante. Podemos compreender Sue como uma representação do idealismo da Elizabeth. Na psicologia, existe uma teoria chamada 5:22:17 teoria da discrepância do self, que nos ajuda a compreender o sofrimento relacionado à distância entre a maneira como a pessoa percebe de si mesma e aquilo que ela gostaria de ser. Nós podemos pensar eu no real e eu no ideal. O eu real, ele corresponde à maneira como a pessoa percebe as suas características. Agora a gente vem falando eu ideal, ele representa aquilo que ela gosta de alcançar, gostaria de alcançar. E quando a maior distância, principalmente quando resolve características consideradas essenciais para o próprio valor, maior é o sofrimento. Agora pense na experiência da Elizabeth. Ela olha para Sue e encontra tudo aquilo que ela deveria ser. Mais jovem, mais bonita, mais desejada, mais admirável. Mas aí que existe um problema muito grande. A presença de Sue não faz 5:23:19 Elizabeth se sentir melhor consigo mesma. Pelo totalmente ao contrário. Quando a Sue recebe reconhecimento, mais a Elizabeth parece rejeitar quem ela é. E nós encontramos situações semelhantes na vida cotidiana, se a gente for parar para analisar tudo. Uma pessoa, ela acredita que ela só será feliz se ela emagrecer. Outra acredita que terá segurança quando relaciona, é, quando realizar determinados procedimentos estéticos. Outra imagina que será amada quando conseguir modificar algumas características físicas. E é importante dizer que não existe necessariamente um problema psicológico em desejar mudanças e desejar melhorias. Não é errado querer emagrecer, querer fazer alguns procedimentos estéticos. A questão significa o que a pessoa atribui a essas mudanças de comportamentos. Porque em alguns casos, a mudança corporal passa a carregar uma promessa muito maior. Não apenas ali, "Ai, eu quero emagrecer 5:24:20 e finalmente ser aceita". Não é apenas rejuvenescer e voltar a ser desejada. Não é apenas modificar a aparência, é tentar de deixar de sentir a vergonha de ser quem é. E que existe uma armadilha psicológica muito grande a gente parar analisar bem a fundo. Se a crença central da pessoa é que ela não é suficiente, não é boa, sua transformação física não gera essa crença desaparece. Ela pode e cada vez vai querer se é se ela tenta emagrecer, ela continua se sentindo inadequada. Se ela emagrecer, ela vai se sentir inadequada. Se ela receber elogio, ela vai continuar insegura. Ela pode fazer vários procedimentos estéticos. Quem nunca viu uma pessoa que começa a fazer procedimento estético e não para. E quando você olha, fala assim, "Gente, tá na hora de parar". Já tá se deformando, já tá ficando feio, mas a pessoa tenta alcançar algo e não chega. E e faz um, dois, três e não a crença central está ali. Não trabalhou a crença 5:25:21 central, ela só quer ficar mudando a aparência. Pode é pode modificar uma característica, passa a se preocupar intensamente com a outra. Exemplo, "Eu não gosto do meu nariz. Eu vou lá arrumar meu nariz". Aí meu nariz arrumou, "Ah, mas agora eu não gosto da minha boca". "Ah, mas eu não gosto da minha papada. Ah, não, porque agora eu quero fazer uma lipo no braço". Então você vê que você vai lá numa característica, você sempre vai tá naquele padrão de olhar o que você está em falta. Porque aquilo que mantém o sofrimento pode estar relacionada a uma maneira muito rígida de avaliação de si própria. E eu quero trazer uma reflexão sobre as redes sociais. Hoje nós convivemos com imagens cuidadosamente selecionadas. As melhores fotografias, a os melhores ângulos, os melhores momentos. Em alguns casos, imagem modificada por filtros e outros recursos. Quem nunca aqui usou um filtro no Instagram para ficar melhor, para tirar uma foto ou para fazer um vídeo? 5:26:22 E quando uma pessoa passa a se comparar com o seu corpo real, com as imagens idealizadas, ela pode desenvolver uma percepção cada vez mais negativa da sua aparência. É como se ela estivesse constantemente olhando para a versão da Sue. Uma versão aparentemente perfeita. Mas existe algo que precisamos compreender. Nenhum ser humano consegue viver permanentemente dentro de uma imagem idealizada. Nós envelhecemos, nós mudamos, nós temos dias que nós estamos cansados, inseguros, totalmente insatisfeitos. Isso faz parte da nossa experiência humana. Mas Elizabeth, ela não consegue aceitar essa realidade. Para ela, a Sue, ela representa a possibilidade de finalmente ser suficiente. E essa é uma das metáforas mais dolorosa do filme. Para que a versão idealizada ocupe o lugar de destaque e a a versão real, ela 5:27:25 precisa permanecer escondida. É como se Elizabeth só pudesse existir plenamente quando deixasse de ser a Elizabeth. E eu quero deixar uma frase para vocês pensarem. Eu sei que essa palestra vai ser só de pensamentos, tá gente? E de reflexões. Às vezes, a pessoa, ela não deixa apenas de transformar o seu próprio corpo. Ela deixa de deixar quem ela é, ela deixa de ser quem ela é e acredita ser quem ela merece ser para ser amada. E essa diferença é fundamental para compreendermos o sofrimento psicológico apresentado no filme. E é um ponto muito interessante porque tem uma parte, igual, vou dar exemplo, eu tenho autismo. E por muito tempo eu me sentia muito inadequada no meu comportamento. O autista ele é meio fala soltado, é, e eu ficava tentando ali se mascarar quem eu sou para poder se encaixar na sociedade. Agora me diz, quem nunca fez 5:28:25 isso? Não, porque eu não posso me comportar assim porque a sociedade não aceita. Não, porque menina tem que sentar com a perna cruzada e ter postura. Menina não pode falar alto. Quem já escutou isso na sua infância? Se você é mulher, você tá falando muito alto, calma, você não pode ser assim. Então é muito bem complicado. Agora [limpando a garganta] o espelho. Quando a própria imagem transforma em sofrimento. Agora eu quero chamar a atenção de vocês aqui para uma das cenas que eu considero mais importante do filme no ponto de vista de psicopatologia. Oh Deus. É a cena que ela, que a Elizabeth, ela se prepara para encontrar o o Fred. O Fred, ele é um homem que conheceu anteriormente e demonstra muito interesse por ela. Ele a reconhece, elogia sua aparência e 5:29:26 convida a Elizabeth para um encontro. E aqui temos uma situação muito interessante. Existe alguém que olha para Elizabeth e demonstra interesse por ela. Ela, ele não exige que ela seja mais jovem, ele não exige que ela se transforme na Su-in. Mas a Elizabeth, ela consegue perceber, ela não consegue se perceber dessa maneira. Ela começa a se arrumar, né? Tem uma cena que é muito forte. Ela começa a se arrumar, ela olha para o espelho, ela passa maquiagem, ela observa o próprio rosto, ela tenta corrigir aquilo que ela que ela se considera totalmente inadequado. Até que ela se depara com a imagem da Su-in. E a partir desse momento, a comparação parece dominar toda a experiência. Aí ela olha novamente para si e ela já não está mais satisfeita. Ela modifica a maquiagem outra vez. Ela tenta corrigir algumas coisas que ela acha totalmente inadequado e quanto mais ela tenta 5:30:27 melhorar a aparência, mais ela parece rejeitar aquilo que ela vê. Até que chegam no ponto que ela retira toda a maquiagem e ela desiste do encontro. E eu quero que vocês percebem uma coisa aqui, a Elizabeth, ela não foi rejeitada por Fred. Ela sequer chegou encontrá-lo. Naquela situação, o sofrimento antecipado e a avaliação negativa da própria imagem, ela contribui para que ela desiste de viver aquela experiência que ela desejava. E essa cena nos permite discutir um aspecto central da psicopatologia. A relação entre pensamentos, emoções e comportamento. Na terapia cognitivo comportamental, nós compreendemos que a maneira como interpretamos as situações influenciam nas nossas respostas emocionais e no nosso comportamento. Imagine uma pessoa que se prepara para sair de casa. E olha para o espelho e fala: "Estou horrível". 5:31:28 Depois, todo mundo vai perceber os meus defeitos. E em seguida, a pessoa, ela pensa: "As pessoas vão me julgar". Percebe que tem uma sequência de pensamentos aqui? E esses pensamentos, eles podem produzir a emoção de vergonha, ansiedade, tristeza, insegurança. Diante desse sofrimento, a pessoa, ela começa a adotar estratégias para tentar se sentir melhor. Ela pode olhar repetidamente para o espelho, trocar de roupas várias vezes, tentar esconder determinadas características, buscar garantias de que está bonita ou simplesmente não sair de casa. Esses comportamentos, ele pode trazer um alívio naquele momento, mas precisamos entender o que que acontece depois. Quando a pessoa evita uma situação por medo de ser julgada, ela também perde a oportunidade de testar aquilo que teme realmente aconteceria. Isso pode contribuir para manter aquele 5:32:28 problema. Ela se sente ansiosa, ela evita a situação e ela experimenta um alívio. E na próxima oportunidade, pode voltar a evitar. Temos então aquele ciclo de manutenção do sofrimento. Elizabeth olha para si, compara-se com Sue e se sente inadequada. Tende modificar a própria aparência. E diante de todas essas insatisfações, ela desiste de sair. Ela desiste do encontro com o Fred. Agora eu quero trazer um conceito muito importante para vocês. A [roncando] imagem corporal, ela não corresponde apenas aquilo que enxergamos fisicamente no espelho. Ela envolve nessas percepções pensamentos, sentimentos e comportamentos relacionados ao próprio corpo. E, ó, duas pessoas, elas podem apresentar características físicas semelhantes e experimentar relações complementares diferentes com as aparências. Uma pode reconhecer determinadas características e não sofre 5:33:30 significativamente por ela. Outra, ela pode atribuir a mesma característica e um significado de vergonha, inadequação ou rejeição. Isso nós com nós falamos na terapia que é a visão de mundo de cada pessoa. E quando pensamos em psicopatologia, um dos transtornos que nos ajuda a compreender as preocupações intensas com a aparência é o transtorno dismórfico corporal. Esse transtorno, ele envolve preocupação com defeito ele ele envolve muita preocupação com defeitos na aparência física que não são observáveis ou parecem discreto para o olhar de outra pessoa. Essa preocupação, ela está associada com comportamentos repetitivos ou atos mentais como checar no espelho, comparar-se com outras pessoas ou tentar camuflar características percebidas. E preciso provo e ir ele precisa 5:34:31 provocar um sofrimento clinicamente bem significativo ou prejuízos no funcionamento. É importante deixar bem claro aqui que eu não estou diagnosticando a Elizabeth. Estamos utilizando uma personagem de ficção para discutir processos que ela pode aparecer na clínica. E também não podemos afirmar que toda pessoa insatisfeita com a aparência, ela apresenta um transtorno mental. É possível e é o que que nós precisamos ver ali? A intensidade, a persistência, comportamentos sociais, sofrimento e quais prejuízos estão trazendo. Tem pessoas que deixam de sair de casa, não sai de casa de jeito nenhum por conta da aparência. Mas quero voltar na cena do encontro, porque existe algo nela que vai muito além da insatisfação estética. Elizabeth tinha uma oportunidade de viver uma experiência afetiva e não conseguiu o de casa. Agora eu quero trazer uma questão que parece muito parece muito na prática clínica. Quantas 5:35:32 pessoas deixam de frequentar a praia porque não gostam do próprio corpo? Quantas evitam fotografias? Quantas deixam de se relacionar afetivamente porque se consideram inadequadas? Quantas deixam de usar determinadas roupas? Quantas adiam experiências importantes esperando atingir aquela aparência considerada inaceitável? E aqui precisamos reconhecer novamente a influência social. Porque a pessoa pode realmente ter um sofrimento, ter uma crítica, uma rejeição eh sobre a sua aparência. Mas precisamos investigar quando esse medo passa a limitar a sua vida, inclusive em situações quais a rejeição não está acontecendo. É exatamente isso que a Cinderela Elizabeth permite-nos discutir. O problema já não está apenas na maneira como ela avalia o próprio rosto. O problema começa a alcançar as suas 5:36:33 possibilidades de viver. E como psicóloga, nós precisamos fazer uma pergunta que vai muito além da aparência. O que essa pessoa está deixando de viver por causa das relações, de construir o seu próprio corpo? Porque muitas vezes o sofrimento ele não está restrito somente ao que acontece ali, diante do espelho. Ele começa a comprometer a vida social, os relacionamentos, a sexualidade e a qualidade de vida. Elizabeth, ele não precisa se transformar na Suí. A Elizabeth, ela não precisava se transformar na Suí para poder encontrar o Fred. Mas já não conseguia mais acreditar que sendo a Elizabeth, ela merecia aquele encontro. E talvez eh seja uma das cenas mais dolorosas do filme, porque naquele momento não existe nenhuma criatura monstruosa, não existe nenhuma transformação física assustadora. 5:37:33 Existe apenas uma mulher diante do espelho tentando desesperadamente encontrar alguém diferente de si mesma. E isso, por si só, revela o sofrimento profundo. Quando a busca da perfeição ela se transforma em autodestruição. Agora chegamos em um outro momento fundamental da história. A substância, ela possui uma regra muito clara. Elizabeth e Sue precisam alternar as suas existências a cada sete dias. Existe um equilíbrio que precisa ser respeitado. Mas Sue começa a ultrapassar esse limite. Ela quer continuar vivendo os aplausos, as admirações, as oportunidades e o reconhecimento. Ela não quer mais voltar a ser a Elizabeth. Só que existe uma consequência muito grande. Quando Sue começa a retirar mais tempo da outra existência, o corpo da Elizabeth, ela consegue, ela sofre 5:38:35 muitas alterações irreversíveis. E aqui encontramos uma das metáforas fortes do filme. Quando a Sue tenta manter a juventude e a beleza, mas Elizabeth, ela sofre as consequências. E é interessante observar o comportamento das duas. Sue recebe reconhecimento, ela recebe elogio, ela conquista oportunidades, ela é desejada. E essas experiências funcionam como recompensas. Na psicologia, nós sabemos que os comportamentos são influenciados pelas suas consequências que as produzem. Quando um corpo é seguido por uma consequência recompensadora, pode aumentar a probabilidade de voltar a acontecer. Mas existe uma questão muito importante aqui para a gente analisar e pensar. Nem tudo aquilo que produz recompensa imediata é benefício a longo prazo. Um comportamento pode produzir alívio, prazer e reconhecimento ao mesmo tempo e provocar consequências prejudiciais. 5:39:38 E nós encontramos esse conflito em diferentes situações clínicas. Pensem, por Vou dar um exemplo aqui para vocês. Uma pessoa que começa a restringir a alimentação porque deseja emagrecer. Inicialmente, ela percebe mudanças físicas e recebe vários elogios. As pessoas comentam que está mais bonita. Ela passa a experimentar um reconhecimento e uma sensação de controle. Em algumas situações, essas consequências, ela pode reforçar comportamentos alimentares cada vez mais rígidos. E a pessoa, ela pode começar a sacrificar a sua saúde física, as suas relações e a sua qualidade de vida. Isso não significa que emagrecer seja errado ou que toda restrição alimentar seja patológica. O que precisamos avaliar aqui é a função daquele comportamento, da sua intensidade e as suas consequências. E é aqui que o filme nos oferece uma metáfora muito importante. Sue, ela experimenta os benefícios 5:40:38 imediatos de ser uma ver uma versão totalmente idealizada, mas a Elizabeth que vai pagar o preço. O mais interessante é que elas começam a se tratar como inimigas. Sue parece enxergar Elizabeth como um grande obstáculo. Elizabeth passa a se ressentir de sobre Sue. Apesar de compartilhar a mesma existência, elas comportam-se como se fossem completamente separadas. E eu quero trazer uma reflexão muito grande para vocês. Quantas vezes uma pessoa começa a tratar o próprio corpo como inimigo. Como um algo que precisa ser controlado a qualquer custo, como algo que precisa ser corrigido, punido, transformado. Na clínica encontramos pessoas que estabelecem uma relação tão rígida com a aparência que deixam de perceber o corpo como uma parte de si mesma. Tem pessoas, gente, que não sai de casa sem maquiagem. Tem pessoas, eu conheço pessoas que eu nunca vi sem maquiagem. Hum, é, acha 5:41:40 inadmissível não estar maquiada. A busca pelo cuidado pode entrar no lugar da punição. A disciplina pode ser transformada em um sofrimento. E a tentativa de melhorar a aparência pode começar a ocupar praticamente toda a sua vida. Mas existe um detalhe que eu considero ainda mais importante falando de toda essa história. Elizabeth, ela chega a tentar interromper o processo. E ela percebe que aquela transformação está destruindo o seu corpo, mas tem dificuldade para abrir mão da existência de Sue. E por quê? Por que que vocês acham que ela tem essa dificuldade de abrir mão de Sue sobre Sue? Só um tempinho para vocês pensarem. >> [suspirando] >> Na minha percepção, porque Sue não representa mais aquilo, um corpo jovem. Ela representa o reconhecimento que Elizabeth acredita não conseguir alcançar sendo quem é. Interromper a substância significa abrir mão das promessas e voltar a ser 5:42:42 admirada. E isso revela um conflito psicológico muito importante. Elizabeth sofre com aquilo que Sue está provocando. Mas ao mesmo tempo, se a gente parar para analisar, ela continua desejando aquilo que Sue representa. Ela está presa entre o sofrimento que a substância produz e a recompensa que ela acredita receber por meio dela. E nós podemos relacionar isso à dificuldade que algumas pessoas apresentam para abandonar comportamentos prejudiciais. Quando esses comportamentos também cumprem a função emocional. Agora, vamos pensar ali naquela contradição. Elizabeth queria ser uma versão melhor de si mesma. Mas para manter essa versão, ela começou a se destruir a sua própria existência. Ela queria ser admirada pelo seu corpo, mas passou a se a sacrificar o próprio corpo para continuar sendo admirada. Isso nos revela novamente a questão central aqui que eu quero trazer para vocês. Até que ponto uma pessoa pode destruir a 5:43:44 si mesmo tentando alcançar aquilo que se torna amável. Porque existe uma diferença entre cuidar do corpo e acreditar que ele precisa ser transformado para justificar a nossa existência. E talvez a maior tragédia de Elizabeth seja justamente aí. Ela não percebe que Sue não está eh devolvendo a sua vida. Sue está ocupando o lugar da vida que deixou de conseguir de ser valorizada. Então, chegamos ao ponto final do filme. Depois de tantas tentativas de manter a juventude e a beleza, acontece a transformação mais perturbadora da história. Surge o monstro. Elisa Sue. Uma criatura que reúne características das duas versões, mas que já não corresponde nenhuma delas. E aqui precisamos olhar para a linguagem que o 5:44:45 cinema está utilizando. A substância já faz parte de um gênero conhecido como o horror corporal ou o body horror. Nesse tipo de cinema, o corpo é utilizado como uma linguagem para representar medos, conflitos, transformações e experiências humanas muito perturbadoras. Aquilo que é psicológico passa a ser representado fisicamente. E nós podemos interpretar essa transformação final de Elizabeth como uma representação extrema do sofrimento que atravessa a sua identidade. Durante praticamente toda a história, ela tentou fugir daquilo que considerava inadequada. Tentou escapar do envelhecimento, ela tentou recuperar a sua juventude, ela tentou construir uma imagem perfeita, mas quanto mais buscava o controle da sua aparência, mais perdia o controle do seu próprio corpo. E no final surge 5:45:46 justamente aquilo que ela mais temia, um corpo que não corresponde a nenhum padrão de beleza que a perseguia. Só que existia um detalhe muito importante nessa sequência. Mesmo transformada no monstro, Elisa Sue continuava tentando ocupar o palco, continuava desejando ser vista, continuava buscar o reconhecimento do público e chegava a utilizar a imagem do rosto de Elizabeth para tentar-se apresentar. Isso, eu sei que isso é totalmente e profundamente simbólico, porque durante todo o filme o grande conflito de Elizabeth estava relacionado ao olhar do outro, o desejo de ser vista, de ser admirada, de ser escolhida e mesmo depois de toda a destruição, esse desejo continua presente. Mas quando ela finalmente aparece diante do público, a relação de horror e violência, eu quero que vocês pensem na aqui na contradição da cena. A sociedade, ele, 5:46:48 ela exige que Elizabeth corresponda a um determinado padrão. Ela tenta alcançar esse padrão, destrói a a existência nesse processo e quando finalmente o seu corpo deixa de completamente responder o ideal ali da beleza, ela é rejeitada de maneira mais violenta. Agora eu quero fazer uma pergunta para vocês. Quem é o verdadeiro monstro do filme? É a criatura que aparece no palco? É a Elizabeth que não consegue aceitar o envelhecimento? É a Sue que sacrifica tudo para continuar sendo admirada? Ou será que o filme está nos convidando a se questionar uma sociedade que transforma determinados padrões de beleza em critério de valor? E existe uma questão que eu considero central para a psicologia. Elizabeth, ela não sofreu apenas com o olhar do outro. Em alguns momentos, ela passou a reproduzir esse olhar para si mesma. 5:47:49 A crítica que inicialmente vinha de fora foi transformada em uma autocrítica. A rejeição que ela experimentava socialmente passou a fazer parte da maneira como ela avaliava sua própria existência. E é por isso que não podemos compreender essa história apenas como um problema de autoestima. Existe uma relação entre pressão social, crença sobre si, vergonha e comportamento e evitação e autodestruição. O filme, ele leva relações ao extremo no meio do terror corporal e talvez o verdadeiro horror esteja apenas na transformação física. Talvez esteja no processo pelo qual a pessoa aprende a rejeitar a si mesmo até acreditar que precisa deixar de existir como merece de ser reconhecido. Agora eu quero encerrar retomando a pergunta que eu fiz no início da conversa. Até que ponto a pessoa é capaz de 5:48:51 destruir a si mesma para se tornar alguém que acredita que será amada. Durante o filme, Elizabeth tenta recuperar aquilo que acredita ter perdido. Mas olhando para a sua trajetória, percebemos que o sofrimento dela estava relacionada apenas à aparência. Estava relacionada à maneira como ela passou a compreender o próprio valor. E nós precisamos reconhecer que o sofrimento, ele não acontece fora de contexto. Existe uma sociedade que lhe cobra padrão de beleza, que valoriza determinados valores, que associa juventude à atratividade e que muitas vezes trata de maneira diferente aqueles que não correspondem a essas expectativas. Por isso, como psicólogos, nós não podemos simplesmente dizer que a pessoa, ela precisa se amar mais. Precisamos compreender a sua história, a sua experiência e como que ela desenvolveu toda essa crença. E a maneira como tudo passou a influenciar os seus comportamentos. Mas 5:49:52 existem outras questões igualmente importantes. Reconhecer que a sociedade produz padrões de beleza não significa aceitar que esses padrões determinam completamente o nosso valor. Uma pessoa pode querer cuidar da aparência, pode desejar emagrecer, fazer exercícios, procedimentos estéticos, modificar algumas características do corpo. E isso não representa necessariamente um problema psicológico. O ponto que precisamos investigar é: quando essas mudanças deixam de ser escolhas e passam a ser condições que as pessoas consideram dignas para ter amor e felicidade. Eu quero terminar deixando uma última reflexão. Talvez nós não temos o poder de impedir que a sociedade julga a nossa aparência, mas podemos questionar até que ponto nós permitimos que esse julgamento se transforma na maneira que definimos quem somos. Porque existe uma diferença muito grande entre 5:50:53 desejar mudar alguma coisa no próprio corpo e acreditar que precisamos transformar completamente para merecer e existir. A pergunta que eu deixo para vocês é: Quando? Quanto da própria vida de uma pessoa pode deixar de viver enquanto espera se tornar alguém que se considera suficiente para ser amada? Muito obrigada. >> Maravilhosa, foi impecável essa apresentação. Deixa eu só descer aqui para poder te ver melhor. É, achei muito pertinente, uma fala assim, extremamente contemporânea, necessária e de fato, né? Olhar o quanto que a gente tá deixando para trás, né? Por exemplo, eu não vou para a praia agora, vou esperar emagrecer, eu vou esperar ter um corpo legal, vou sair quando eu me sentir bem e 5:51:55 vou esperar, vou esperar, vou esperar, vou esperar e você deixa de viver, né? E e e muito casos a gente observa são a a gente tá falando das expectativas talvez de uma sociedade, né? Esse olhar do outro que é tão forte, principalmente olhando agora, né? A gente tá vivendo no mundo onde as redes sociais elas estão prevalecendo, então é, elas prevalecem, elas ditam regras e a sociedade ela acaba perpetuando e recriando esses lugares é, principalmente agora, né? Com a a as fórmulas de emagrecimento, eu acho que, claro, quando é necessário, quando é com cuidado profissional, não existe problema algum. Só que pessoas estão utilizando medicações como uma fórmula de rapidez. Eu quero isso muito rápido. Eu quero uma solução rápida para o meu 5:52:55 problema emocional. Eu quero uma solução rápida para poder emagrecer. E você vai, é, se sentindo até obrigado a estar nessa situação. Então, olha, eu vou ter que usar também porque minha colega está fazendo isso, porque o influencer está fazendo isso e eu acho importante a gente pensar que tudo é um recorte, né? As pessoas que estão postando as fotos lindas e belas, provavelmente estão usando algum produto ou algum Photoshop ou alguma, é, é, nem importa, é um recorte. Ninguém vai dizer ali o momento triste e vai postar. Então, eu achei muito necessário. Encerrou com chave de ouro. Gostei muito dessa análise. Me deu vontade de assistir o filme novamente, porque eu assisti assim que lançou. É, na verdade, vontade de assistir todos os filmes. Acho muito importante esse lugar de olhar a psicologia para o cinema. Então, assim, impecável. Meus parabéns. 5:53:55 É, vou colocar aqui os elogios, tá? Ah, muitos elogios em relação a essa palestra. Excelente palestra. Professora, já disse isso para vários outros professores, mas realmente foi um privilégio tê-la aqui. Obrigada pela disposição. É, Catarina, incontestável. Palestra sensacional, fechando com chave de ouro. Parabéns a todos os envolvidos. É, Maria, tá. Ah, aqui tem muitos relatos, relatos da Priscila. Eu ganhei peso, isso me fez desistir de sair com amigos e com família, porque não cabe, não consigo caber mais em algumas peças. É, Denísia, até que ponto isso tudo está trazendo sofrimento para o sujeito? A sociedade foi um grande catalisador disso tudo, é um fato. 5:54:59 Infelizmente a pessoa não pensa que está se matando aos poucos e vai corrigir, se moldar até achar que está ótima, e não vai estar. Palestra grandiosa. O verdadeiro monstro da o verdadeiro monstro é a sociedade, que tem uma lógica mercadológica capitalista, pois aquilo que gera beleza comercialmente é vendido facilmente, ou seja, interprete o filme em geral como uma mulher sendo vista. Bom, muito bom os questionamentos de vocês, vocês estão ó, palestra sensacional. Esse filme é simplesmente maravilhoso, incrível, verei assim que tiver tempo livre. >> Prepara Dani, vai ter duas horas. >> [risadas] >> Você acha que vai ter duas horas de filme? >> É verdade. O Oscar de 2025 gerou uma grande controvérsia envolvendo o filme A Substância, principalmente porque o resultado acabou aparecendo uma reprodução da própria crítica que o 5:56:00 filme faz a Hollywood. Exatamente. >> Gente, vocês precisam ver essa cena do do Oscar, foi um Pode falar lindo, mas é assim, o que retratou no filme, quem ganhou foi uma pessoa jovem. >> É, exatamente, exatamente, exatamente. E, de fato, né, é era um filme muito esperado, né, a a Demi Moore foi incrível, incrível, impecável, né, é, ela que sempre ficou muito em papéis secundários, né, ela ganhou protagonismo e ela foi assim, ela se despiu da sua própria vaidade, ela mostrou o corpo. Foi excelente, excelente, excelente mesmo. Uma pena realmente. É, Daniel colocou: "Ela buscou a beleza porque é a única fonte de existência". Isso é profundamente triste. Verdade. Verdade mesmo. Vamos lá. Ah. "A verdade é que não é fácil ser mulher, como também não é fácil ser homem. Tudo 5:57:01 culpa os nossos ancestrais". É. "Mesmo tendo 40 anos de idade, eu ainda não suporto meu corpo. Faço psicoterapia há anos e já melhorei por um período". Tá. >> Sabe uma parte, Aline, que eu queria falar? >> Claro, claro. >> Claro. Me escuta, Aline. Se você parar para analisar, as pessoas estão mais preocupadas com si própria. Então, assim, às vezes você está perdendo de viver muitas coisas por estar preocupada com a sua aparência. Mas todo mundo está preocupado com si próprio. Se permite, porque o nosso cérebro, ele tenta nos proteger todo momento. Se eu evito um comportamento, ele vai entender que algo é muito perigoso. Então, ele vai, por proteção mesmo, ele vai me fazer evitar aquela situação, porque ele já entendeu que é perigoso. Então, vai se permitindo aos poucos. Tá, o que que mais eu tenho medo? Mas permitindo, a primeira vez vai ser, 5:58:03 vai poder ter pânico, a segunda vai diminuindo a ansiedade, e a terceira diminuindo. Quando você mesmo perceber, você já está ali naquele ambiente, você está conseguindo viver. Então, mostra para o seu cérebro que não é perigoso. >> Eu, eu ouvi isso, eu vi aqui o relato da Priscila dizendo que ouvi da psicóloga. Eu ouvi de uma pessoa, isso há muitos anos, que tive é, é olhar, é assim, para de se preocupar com o que os outros vão pensar, porque eles estão muito preocupados com a vida de, né? Você está tão preocupada com o que o outro vai pensar e cada um está ali pensando na vida deles, eles não estão nem observando, nem estão reparando, né? E a gente fica muito nesse olhar do outro, né? É, claro que é esse grande outro, esse olhar do outro, mas como isso pode nos congelar, né? Trazer um congelamento. É, então assim, fiquei muito feliz de fechar essa palestra com esse filme, com você. Foi maravilhoso, está 5:59:04 espetacular. É, meus parabéns, obrigada pela disponibilidade de estar aqui e você sabe, né? Uma casa aqui da Conecta, foi muito bom te ver falar sobre outra temática e você falou perfeitamente. Então, muito obrigada, foi realmente um dia de imersão muito produtivo e muito obrigada pela sua disponibilidade, sensibilidade e experiência para compartilhar conosco hoje. >> Obrigada, linda, eu que tenho que te agradecer muito por estar aqui. Sempre um prazer de estar falando sobre as temáticas, eu amo falar do transtorno bipolar, é o ponto que eu trabalho todos os dias, mas eu gosto muito de falar sobre a imagem, sobre a nossa sociedade, nós mulheres e também não é somente nós mulheres que sofremos esse preconceito, homens também sofrem. Mas de alimentação, foi minha minha primeira especialização foi em alimentação. Então, eu sou uma pessoa que sempre fui obesa, sempre tive muita preocupação com o corpo e hoje em dia, assim, eu sou magra, mas eu sei que obesidade é uma doença que 6:00:05 sempre vai ser, mas quebrar essas crenças, quebrar esses pontos, foi, é muito importante. A gente consegue viver e não ligar para o que o outro está pensando, que o outro vai falar, já liberta muito. Senão a gente fica sempre rígida ali pensando o que que eu faço agora, como que eu vou me Não, nós temos que ser nós mesmos, porque as pessoas vão gostar muito de quem nós somos, pelo que nós somos, e não vai gostar pelo mesmo fator. E pode me chamar para ver as palestras que eu estou aqui. >> [risadas] >> Verdade, verdade, verdade. É, muito obrigada mais uma vez, tá? Um excelente sábado para você e muito obrigada, né, novamente pela, por esse momento e por encerrar com chave de ouro essa palestra. Muito obrigada. >> Tchau, tchau. >> Tchau, tchau, querida. Tchau, tchau. Opa. Tchau, tchau. Vamos lá, pessoal, terminando o nosso congresso, né? Quero agradecer o engajamento de vocês, posicionamento de 6:01:07 vocês, né? É, quero lembrar que aqui é um espaço democrático, sempre, cada pontuação de vocês vai ser sempre ouvido com muito carinho, mas só para a gente tomar cuidado, né? É, em relação até mesmo ao respeito aos nossos palestrantes, né? Ao que eles se propõem a colocar, a, a trazer de conteúdo. Então, a gente sempre tem muito cuidado em respeitar os nossos palestrantes, então, só quero ressaltar isso aqui, que esse é um espaço totalmente democrático, mas que a gente tenha sensibilidade. É, foi um evento extremamente engajado por vocês, né? Cada um aqui posicionou, trouxe relatos, questionamentos, perguntas e eu fiquei muito contente de realizar esse congresso em um momento em que 6:02:08 é, existe, né, muito ainda uma incerteza e, talvez, ah, por esse motivo, a gente, é, algumas pessoas não tenham conseguido, né, assistir, então, quero só, é, reiterar, né, que esse conteúdo, ele vai ficar disponível de forma vitalícia, então, é, quem quiser adquirir ainda a modalidade completa para assistir quando vocês puderem, então, e quando quiserem, está disponível. E quem for, é, é, realizar a forma de acesso gratuita, escreve no formulário as opções de novas palestras que vocês gostariam que fossem realizadas, é sempre muito importante. A gente gosta muito de ouvir o feedback de vocês, tá? Então, é muito importante isso. É, e agradecer, né, sábado maravilhoso, proveitoso, né, mais um momento 6:03:10 magnífico, que bom, obrigada pelo elogio de todos vocês e por vocês estarem aqui até o final, né, desse evento. E vamos para o momento em que muitos aqui esperam, né, que é o momento da nossa premiação. É o momento que a gente vai premiar a pessoa que mais interagiu aqui ao longo de todo o nosso congresso. E como sempre, é muito difícil a gente escolher apenas uma pessoa, até porque ter vocês dificulta isso, porque vocês engajam muito. Então, quero mais uma vez agradecer muito o engajamento de vocês, dizer que eu tenho muito carinho e sou muito grata a vocês e a presença de vocês aqui. Mas duas pessoas se destacaram. Então, a gente vai fazer da seguinte forma. A gente vai pegar uma pessoa que vai ganhar o livro e o acesso ao congresso e outra pessoa vai 6:04:12 ter acesso ao congresso. Então duas pessoas vão ser premiadas, porque duas pessoas merecem. Na verdade, todos vocês, mas tem duas pessoas que interagiram bastante ao longo de todo o congresso. Então vamos para a pessoa que vai ganhar o acesso ao congresso psicopatologia, psicose, neurose, delírios e alucinações, com presença de psiquiatras, psicólogos, uma imersão espetacular. Foi um dos congressos assim incríveis, incríveis. Quero premiar esse congresso para a Denise Cabral. Denise, você ganhou o acesso ao congresso psicopatologia e eu vou pedir, por favor, para que você entre em contato com o nosso suporte, lá no grupo oficial, para poder alinhar o teu e-mail, para que você possa ganhar 6:05:13 esse acesso, tá? Todo mundo merece, verdade. Exatamente. Então Denise, meus parabéns, tá? Você ganhou acesso ao nosso congresso, agora você ganhou. >> [risadas] >> Maravilha, meus parabéns, meus parabéns. E temos uma outra pessoa que vai ser, né, é, contemplada aqui nesse evento. Eu acredito que seja uma pessoa mais recente por aqui. Eu me recordo, acho que estava no evento do seu Sebastião, ontem. Me corrija se eu tiver errada. Mas quem vai ganhar o livro hoje e o acesso ao congresso é o Daniel Braga. Daniel, meus parabéns. Você vai receber o livro físico, vai chegar na sua casa e vai ser enviado pela Hotmart e você vai ganhar o acesso ao nosso congresso de psicopatologia, 6:06:14 psicose, neurose, delírios e alucinações. Meus parabéns, mais uma vez e por favor, entre em contato com o nosso suporte. Espero que você esteja no grupo oficial para que você com para alinhar o envio. Cadê o Daniel? Até pouco ele estava. Vamos lá, tô vendo aqui, pode ser que demore um pouco. Parabéns Daniel, você interagiu muito, suas pontuações foram bem importantes, né? Pertinentes. Parabéns. É, deixa eu falar agora, tá? Sim. Então, parabéns Denise, parabéns Daniel e parabéns todos aqui. Meus parabéns a todos, vocês foram incríveis hoje. E um pedido grande, caso 6:07:17 você compreenda que esse conteúdo fez sentido para você, pode fazer sentido para algum amigo, compartilha, compartilha nos grupos das universidades, compartilhe com colegas da faculdade, ajude a disseminar cada vez mais conteúdo em psicologia, isso é muito importante. Nunca pensei que ia ganhar. Viu? Ganhou. Então, meus parabéns, parabéns a todos e muito bom ter esse momento aqui com vocês, né? Um excelente sábado, bom descanso para vocês, até o próximo evento da Conecta Psi. Por favor, siga as nossas redes sociais, o nosso canal oficial para ficar por dentro de todos os nossos eventos. Agora vamos para o código de verificação final, para finalizarmos, finalizarmos o nosso congresso. Código de verificação. Autoimagem. 8516. Mais uma vez, código de verificação. Autoimagem. 8516 6:08:18 e por último. Autoimagem 8516. Ah, Dani, não sei se é de Daniel ou de Daniele. Caso você tenha interesse pelo evento, pelo congresso, vou deixar o link depois para vocês, tá? Para que vocês possam assistir e acessar os conteúdos e certificado também. Eh, lembrando que próximo sábado a gente já tem congresso, congresso fechadíssimo. Pessoal, vamos falar sobre luto. E o luto das suas diversas experiências. Vamos falar sobre luto amoroso. Sobre luto ambíguo, sobre perda antecipatória, sobre luto prolongado e sobre lutos de projetos não realizados. Eu acho bem interessante, por quê? O luto não é só a perda de um ente querido, é a perda de um sonho, é a 6:09:19 perda de um amor. É a perda de alguém que ainda tá presente fisicamente, mas não está emocionalmente mais, em casos de Alzheimer. Luto por pessoas desaparecidas. Luto antecipatório é aquele luto de uma pessoa que já tá adoecida. Em casos oncológicos, de cuidados paliativos ou estados terminais, onde a pessoa tá presente, mas esse luto já se torna antecipatório. E o luto prolongado. Que é a dificuldade de lidar e elaborar com a perda. E temos também o luto amoroso. Que é quando o vínculo se rompe, mas a pessoa ainda tá presente. Então, próximo sábado vamos falar sobre luto. E eu convido e espero vocês aqui. 6:10:19 Luto é extremamente importante. Obrigada pelo carinho de todos vocês. E aguardo vocês em próximo evento. Lembrando, pessoal, vou dar mais recados aqui. Por favor, fiquem aqui. Tem muita programação boa. E estudantes de psicologia, pessoal, por favor, coloquem no chat só pode colocar sim, eu. Quem é estudante de psicologia? Por favor. Coloquem no chat quem é estudante de psicologia. Tá. Eu. Tiozinho. Mais quem? Só o tiozinho? Ivanilde. Tá, Dani. Tá. Luciana. Muito bom, vamos lá. Isso, ótimo, ótimo. Catarina. Beleza. Semana que vem, jornada acadêmica, áreas de atuação da 6:11:20 psicologia. Pessoal, a gente preparou uma semana inteira para mostrar para vocês cada área de atuação do psicólogo. Pensa bem. Vocês vão ter uma palestra com uma psicóloga judicial forense que vai explicar tudo que uma psicóloga forense, área de atuação, possibilidade, o que faz, o que é necessário. Na minha graduação, isso seria ouro. Psicologia forense judicial. Psicologia clínica, porque é importante sim a gente entender como o psicólogo atua na clínica. Como é a anamnese, relatório, supervisão. Incrível. Psicologia hospitalar. Quer conhecer um pouco mais como trabalhar na área da psicologia hospitalar? Psicologia do esporte, olha só, possibilidade de trabalhar na psicologia do esporte. Incrível, pessoal. É uma oportunidade de ouro, de verdade. Eu na minha graduação se tivesse essa oportunidade de conhecer 6:12:21 profissionais de áreas específicas da psicologia, eu não perderia, eu não perderia. Então, eu quero que vocês, por favor, coloquem na agenda de terça a sexta, às 16 horas, cada dia, a gente vai falar sobre uma área da atuação da psicologia. Tá? Eu, por exemplo, gosto muito da área forense. Muitas pessoas gostam da área, eh, de psicologia do esporte. E é interessante também, porque vocês podem fazer network, pessoal. Né? Porque pensa assim, se se vocês estão num evento de psicologia jurídica, tem pessoas ali que querem trabalhar na psicologia jurídica. Então, vocês vão ter network no grupo, porque eu acho essencial também vocês aqui no chat criarem um grupo de vocês. Por exemplo, ó, Luciana eu já conheço, a Denise eu conheço, eh, tiozinho acho que é novo por aqui, mas tem pessoas aqui que estão sempre. Por que vocês não criam um grupo de 6:13:22 vocês de estudo? Eu vou ajudar nisso. Eu tô pensando aqui, acho que vocês precisam criar um grupo de estudo, eu vou fazer essa ponte com vocês. >> [risadas] >> Vou fazer essa ponte com vocês, viu? Acho essencial que vocês se conheçam melhor. Então, grupo, não é não? Então, então, tá. Então, você já é de casa. Desculpa. Me desculpa. >> [risadas] >> Beleza pessoal. Eh, então eu vou enviar o link para vocês. Por favor, assim que terminar vai ter link Jornada Acadêmica, vai ter link do luto. Já entrem no grupo porque a vaga é limitada, a gente já fez a divulgação, então corre. Tá? Eh, veio para ficar, então ó, vamos conectar, a conexão, vamos criar conexão pessoal. Muito importante nesse momento de estudo, crie conexões. Não fiquem sozinhos. Tá bom? 6:14:23 Que a gente possa criar uma grande rede de conexão. Vamos criar um grupo? Um grupo de conexão psi? Que a gente pode trocar tudo, pode trocar livro, pode trocar informação, né? Que que vocês acham? Um grupo sem divulgação de evento. Vai ser só um grupo para vocês interagirem. Que que vocês acham? 6:14:47 Vamos? Então beleza. Fechado então. Eu vou fazer isso aqui. Abraço pessoal. Muito, muito, muito obrigada mais uma vez pelo carinho de vocês, viu? Obrigada. Uma boa noite para todos, viu? Um excelente final de semana. Tchau, tchau.